No âmbito dos programas de Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS), os Estados Unidos voltaram a sublinhar que a disponibilização de mísseis antinavio Harpoon a Taiwan continua a ser uma prioridade, em coerência com a orientação de reforçar as capacidades defensivas da ilha perante a crescente pressão militar da China.
A posição foi transmitida pelo director da Defense Security Cooperation Agency (DSCA), Michael F. Miller, durante uma audição no Congresso dos Estados Unidos, na qual esclareceu que, apesar de existirem notícias a apontar para uma eventual preferência da Arábia Saudita no fornecimento destes sistemas, Taiwan mantém precedência na afectação destes recursos. “No caso de haver concorrência no fornecimento de mísseis Harpoon, Taiwan teria prioridade”, afirmou o responsável, acrescentando que esta orientação está em vigor desde 2023 e integra as directrizes estratégicas de Washington no domínio da cooperação em defesa.
Mísseis Harpoon para Taiwan: defesa costeira e negação de acesso marítimo
O pacote aprovado em Outubro de 2020 prevê a potencial venda de até 100 Harpoon Coastal Defense Systems (HCDS), juntamente com cerca de 400 mísseis RGM-84 Harpoon Block II, além de unidades de treino e equipamento associado, por um valor estimado de 2,37 mil milhões de dólares (EUA).
Estes sistemas foram concebidos para reforçar a capacidade de Taiwan de impedir o acesso marítimo a forças adversárias, em especial num cenário de crise ou conflito no Estreito de Taiwan. A chegada dos primeiros sistemas está prevista para cerca de 2028, no âmbito de um processo de entregas faseado.
Em paralelo, os Estados Unidos têm continuado a desenvolver outros elementos do programa Harpoon para Taiwan, incluindo pacotes de apoio logístico e a integração destes mísseis em plataformas aéreas como o F-16 Fighting Falcon, ampliando a sua utilização em diferentes domínios operacionais.
A experiência recente com programas FMS mostra que, além da aquisição do armamento, a prontidão depende de factores como formação, manutenção, запас de sobresselentes e cadeias de fornecimento. Por isso, os pacotes logísticos e a preparação das unidades têm um peso determinante para garantir que sistemas como o HCDS possam ser operados de forma sustentada e com tempos de resposta compatíveis com a missão de defesa costeira.
Do ponto de vista operacional, a combinação de sistemas costeiros, integração em aeronaves e procedimentos de comando e controlo contribui para uma arquitectura de defesa mais resiliente. Essa abordagem procura aumentar o custo e a complexidade de qualquer acção hostil no ambiente marítimo, desde operações de intimidação até cenários de maior escalada.
Pressão no Indo-Pacífico e a estratégia de defesa assimétrica de Taiwan
A prioridade atribuída a Taiwan no âmbito do FMS insere-se numa estratégia mais ampla dos Estados Unidos para reforçar a capacidade de dissuasão no Indo-Pacífico, particularmente como resposta ao fortalecimento militar da China e às sucessivas demonstrações de pressão sobre a ilha.
Neste enquadramento, sistemas como o Harpoon assumem um papel central na chamada estratégia de defesa assimétrica de Taiwan, ao permitirem atacar navios de superfície a distâncias consideráveis e ao dificultarem tentativas de bloqueio ou de desembarque anfíbio.
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