Na quarta‑feira, 18 de março, foi formalizado em La Moncloa um acordo entre o primeiro‑ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pelo qual Espanha se compromete a disponibilizar mais 1 000 milhões de euros em ajuda militar a Kyiv ao longo deste ano. Durante a declaração conjunta, Sánchez assegurou: «Podem contar com o apoio de Espanha.»
A visita de Zelensky - a quarta a Espanha desde o início da guerra - insere‑se numa ronda europeia marcada pela expectativa em torno da decisão que Bruxelas deverá tomar amanhã sobre novos apoios à Ucrânia, processo que permanece bloqueado pela Hungria e pela Eslováquia.
Ajuda militar espanhola à Ucrânia desde 2022: perto de 4 000 milhões de euros
Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, Espanha contribuiu com um valor ligeiramente inferior a 4 000 milhões de euros em diferentes pacotes de apoio militar, incluindo o fornecimento de armamento e de material de defesa. É um montante relevante, embora abaixo do que foi mobilizado por outros países europeus, de acordo com os dados do Ukraine Support Tracker do Instituto de Kiel.
Financiamento via Ação de Segurança para a Europa (SAFE) e a questão dos ativos russos congelados
Uma parte do novo apoio será canalizada através da Ação de Segurança para a Europa (SAFE), o mecanismo financeiro criado recentemente pela União Europeia para disponibilizar até 150 000 milhões de euros em empréstimos competitivos e de longo prazo aos Estados‑Membros, destinados a investimentos em defesa.
Zelensky sublinhou que Espanha está entre os primeiros países europeus a recorrer ao SAFE para apoiar as ações militares ucranianas. Em paralelo, voltou a defender que a UE deve desbloquear os ativos russos congelados, de modo a permitir que Kyiv possa «produzir mais equipamento».
Coprodução e transferência de capacidades: drones, munições e radares
Na conferência de imprensa conjunta, Sánchez explicou que este novo compromisso também pretende aprofundar a cooperação industrial entre empresas ucranianas e espanholas através da coprodução de material de defesa.
Por sua vez, Zelensky referiu na rede social X que os entendimentos alcançados irão facilitar a transferência de conhecimento e de capacidades relacionadas com a utilização de drones de combate. Acrescentou ainda que Espanha poderá contribuir com munições e radares considerados necessários para a defesa da Ucrânia.
Num plano mais amplo, este tipo de parceria industrial tende a encurtar prazos de fornecimento e a reforçar a capacidade de reposição de stocks, um fator crítico num conflito prolongado. Ao mesmo tempo, aproxima as cadeias de produção europeias das necessidades operacionais ucranianas, acelerando ciclos de adaptação tecnológica no terreno.
Alternativas ao sistema de defesa aérea PATRIOT
Zelensky reconheceu igualmente a necessidade de encontrar alternativas ao sistema de defesa aérea norte‑americano PATRIOT (Radar de Rastreamento com Rede Faseada para Intercetação no Alvo), devido ao elevado grau de dependência da Ucrânia neste domínio.
A discussão sobre alternativas e redundância na defesa aérea tem ganho peso na Europa, tanto por razões de disponibilidade de sistemas como pela necessidade de garantir manutenção, munições e integração com sensores e radares. Neste contexto, a articulação entre financiamento europeu, produção industrial e interoperabilidade torna‑se determinante para sustentar capacidades no médio prazo.
Zelensky visita a Sener em Tres Cantos e fecha cooperação com empresas ucranianas
Durante a passagem por Madrid, Zelensky deslocou‑se à sede da Sener Aerospace & Defence, em Tres Cantos, onde presidiu à assinatura de um acordo de cooperação entre a empresa espanhola e as congéneres ucranianas Fire Point, Luch e Radionix, todas com peso no setor de mísseis e sistemas autónomos. Segundo um comunicado da Sener, o entendimento permitirá reforçar a cooperação entre as indústrias dos dois países em setores estratégicos.
Após a visita, Zelensky manifestou a expectativa de que «todos os acordos entre fabricantes ucranianos e espanhóis sejam implementados o mais rapidamente possível». Já Andrés Sendagorta, presidente da Sener, agradeceu ao chefe de Estado ucraniano por «demonstrar interesse nas nossas capacidades e reconhecer o contributo da Sener para a defesa aérea da Ucrânia».
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