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O Reino Unido vendeu à Marinha do Bangladesh um navio de reconhecimento da classe Echo retirado de serviço em 2023.

Dois oficiais navais apertam as mãos junto a maqueta de navio e cartas náuticas, com grande navio ao fundo.

O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou, através de uma nota curta divulgada nos seus canais oficiais, que vendeu à Marinha do Bangladesh um dos seus navios de reconhecimento da classe *Echo* abatidos ao serviço em 2023 - concretamente o HMS *Enterprise*. Sem revelar os valores envolvidos, o Governo britânico enquadrou a operação como parte de um esforço para aprofundar a cooperação bilateral, reforçando as capacidades navais de um parceiro de Londres no Indo-Pacífico.

Acordo assinado e novas missões para a Marinha do Bangladesh com o HMS Enterprise

O anúncio foi feito a 8 de fevereiro, na sequência da assinatura do acordo, tendo como cenário o Quartel-General da Marinha do Bangladesh. Na ocasião, foi indicado que o navio dará à instituição uma capacidade adicional para conduzir operações de reconhecimento, apoiar missões humanitárias e assegurar resposta de emergência em situações de catástrofes naturais.

Foi ainda salientado que a plataforma dispõe de meios para apoiar missões de investigação hidrográfica e oceanográfica, algo que se espera poder contribuir para projectos científicos desenvolvidos por universidades locais.

Declarações oficiais e presença de chefias navais

A alta-comissária britânica no Bangladesh, Sarah Cooke, sublinhou o significado político e operacional da transferência:

“A venda deste navio de reconhecimento reflecte a confiança profunda e a cooperação sólida entre o Reino Unido e o Bangladesh. O HMS Enterprise prestou um serviço distinto à Marinha Real Britânica, e orgulha-nos vê-lo iniciar uma nova etapa, apoiando a capacidade marítima do Bangladesh e o nosso compromisso partilhado com uma Baía de Bengala segura e próspera.”

A cerimónia contou igualmente com a presença de autoridades navais do Bangladesh, incluindo o almirante M. Nazmul Hassan e o contra-almirante Jahangir Adil Samdany, respectivamente chefe e subchefe do Estado-Maior Naval.

O “navio gémeo” HMS Echo e o fim antecipado da classe Echo na Royal Navy

Importa recordar que o navio agora vendido tem um gémeo, o HMS *Echo, cuja retirada também ocorreu antes do planeado pela *Royal Navy** - originalmente, estava prevista para 2028. Tal como sucedeu com o HMS *Enterprise, a desactivação foi acelerada após a força indicar a disponibilidade de plataformas de investigação com *custos de manutenção mais baixos*, um factor que acabou por penalizar a classe *Echo no cumprimento das normas de certificação britânicas.

Admite-se que, com a aplicação de normas menos exigentes e até com a eventual aquisição deste segundo navio para obtenção de sobresselentes, o Bangladesh possa assegurar uma plataforma em bom estado e com vários anos de vida útil remanescente.

Continuidade de transferências navais: do HMS Roebuck ao BNS Anushandhan

A relação entre os dois países já tinha dado sinais semelhantes com a passagem, para o Bangladesh, de navios anteriormente ao serviço da Royal Navy. Um exemplo relevante é precisamente o navio que substituiu o HMS *Enterprise: o *HMS Roebuck, que mais tarde passou a chamar-se **BNS *Anushandhan*.

Trata-se de uma unidade operada pela Marinha Real Britânica entre 1986 e 2010, com emprego principal como navio de investigação hidrográfica. Após a transferência para o Bangladesh, registou um elevado número de missões que contribuíram para a delimitação de fronteiras marítimas na região.

Cooperação na defesa para lá do mar: C-130J Super Hércules da RAF e substituição por A-400M

Alargando o foco para outras áreas da defesa, o Bangladesh foi também destino de uma frota de cinco aeronaves de transporte Lockheed Martin C-130J Super Hércules, anteriormente pertencentes à Real Força Aérea (RAF). Adquiridas em dois lotes - duas unidades (2018) e três unidades (2019) -, estas aeronaves foram incorporadas para reforçar capacidades de transporte e apoio humanitário, sendo plataformas com quase três décadas de serviço.

Do lado britânico, o Reino Unido avançou com a compra de aeronaves A-400M para ocuparem o seu lugar, bem como com a venda de outros C-130J colocados no mercado em 2022.

Implicações operacionais e científicas da integração do navio

A entrada de um navio de reconhecimento da classe Echo na Marinha do Bangladesh pode traduzir-se numa melhoria directa da consciência situacional marítima, especialmente em áreas de interesse como a Baía de Bengala, onde a recolha de dados hidrográficos e oceanográficos tem impacto tanto na segurança da navegação como no planeamento de operações. Para além do valor militar, a possibilidade de apoiar campanhas científicas cria uma ponte prática entre defesa, protecção civil e investigação académica.

Ao mesmo tempo, a adopção de um navio concebido segundo padrões da Royal Navy tende a exigir investimento consistente em formação, doutrina, manutenção e cadeia logística. Caso o Bangladesh venha a complementar a aquisição com o HMS *Echo* - seja para operar, seja para sobresselentes -, poderá reduzir riscos de disponibilidade e assegurar maior continuidade operacional, maximizando o retorno do investimento.

Créditos das imagens: Embaixada do Reino Unido no Bangladesh – Royal Navy

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