Se gosta de ficção científica, vai querer marcar sessão para Projeto Última Chance. Há vários filmes do género e ainda mais histórias passadas no espaço - afinal, é um “parque de diversões” sem limites para quem realiza. Desta vez, Phil Lord e Christopher Miller (de A Grande Aventura Lego e Spider-Man: No Universo Aranha) pegaram no romance Projeto Última Chance, de Andy Weir - o mesmo autor de Perdido em Marte - e transformaram-no num grande espectáculo cinematográfico.
O resultado, Projeto Última Chance, acabou de estrear em França e é uma daquelas surpresas que se impõem pela ambição e pela capacidade de nos agarrar do primeiro ao último minuto. Abaixo ficam 4 razões muito concretas para o ir ver no cinema mais perto de si.
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1) Porque Projeto Última Chance tem tudo o que gostamos neste tipo de aventura
Imagine isto: acorda de um coma prolongado e percebe que está dentro de uma nave, a anos-luz da Terra - sem memória, sem contexto e sem ideia de quem é. É exactamente assim que começa a jornada de Ryland Grace em Projeto Última Chance. E sim: o “bom dia” é tudo menos suave. Aos poucos, as recordações começam a regressar, e as peças do puzzle vão finalmente encaixando.
Quando o passado se torna mais nítido, este professor de Ciências (tão brilhante quanto desajeitado) percebe que não foi ali colocado por acaso. A missão é gigantesca: descobrir a origem de uma substância misteriosa ligada à extinção gradual do Sol… e, com isso, tentar salvar a humanidade. Para chegar lá, Ryland tem de puxar pelo conhecimento científico e por soluções pouco convencionais. E, felizmente, não está totalmente sozinho: cruza-se com um aliado inesperado - Rocky, um extraterrestre muito particular, com um objectivo semelhante. Juntos, talvez ainda exista uma hipótese.
Apesar da duração generosa, Projeto Última Chance leva-nos numa viagem sem quebras: seguimos com curiosidade, questionamos causas e consequências e saboreamos cada revelação trazida pelos flashbacks. A entrada de Rocky é um autêntico sopro de ar fresco e cria uma ligação emocional que funciona tanto com o extraterrestre como com o humano condenado a estar longe de casa por distâncias incompreensíveis. O filme encontra um equilíbrio difícil - e raro - entre emoção, humor e suspense. No fundo, Projeto Última Chance alimenta-nos a esperança com uma energia optimista e genuinamente reconfortante.
2) Porque Ryan Gosling sustenta o filme (e faz de Ryland Grace uma personagem memorável)
Não é a primeira vez que Ryan Gosling visita o espaço: em 2018, interpretou Neil Armstrong em First Man. Só que em Projeto Última Chance o registo é outro. Como Ryland Grace, Gosling encaixa na perfeição: é credível como o professor genial e atrapalhado, com humanidade suficiente para nos comover e timing cómico para nos fazer rir alto.
E como passa uma boa parte do tempo praticamente sozinho, a exigência é enorme. Ainda assim, Gosling segura a atenção do espectador durante 2 h 36 min, sem deixar que a experiência perca ritmo emocional. É um desempenho que dá corpo ao filme e transforma a aventura em algo mais do que apenas um exercício de efeitos especiais.
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3) Porque é um espectáculo visual a sério
Quando se fala de ficção científica no espaço, espera-se escala - e Projeto Última Chance entrega. É um blockbuster com ambição e músculo, daqueles que pedem ecrã grande. A sensação de distância, a construção do universo e o impacto das imagens funcionam como uma autêntica pancada visual: estamos mesmo “fora” da Terra, e o filme faz questão de nos lembrar disso a cada sequência.
Os efeitos visuais são impressionantes e a fotografia está ao serviço da grandiosidade, sem perder clareza. Nota-se que a equipa aproveitou ao máximo a liberdade criativa deste território onde quase tudo é possível - e é precisamente esse prazer de criação que torna a ida ao cinema tão recompensadora.
4) Porque a banda sonora é excelente e sabe quando liderar (e quando recuar)
A música de Projeto Última Chance fica a cargo de Daniel Pemberton, que também assinou bandas sonoras como Spider-Man: No Universo Aranha e Spider-Man: Através do Aranhaverso. Aqui, a banda sonora tem presença e identidade, mas nunca atropela o que está a acontecer: acompanha, sublinha e amplifica - sem se tornar o centro.
Há ainda destaque para uma sequência particularmente comovente protagonizada por Sandra Hüller (em Anatomia de uma Queda), daquelas cenas que ficam na memória pela combinação certa de interpretação e música.
Se só houver um filme para ver no cinema esta semana, Projeto Última Chance é uma escolha fortíssima. Tem os ingredientes essenciais de um excelente filme de ficção científica e, mesmo com a duração mais longa, cumpre o que promete. É emotivo, divertido, espectacular e optimista - uma combinação vencedora.
Além disso, beneficia de uma realização inteligente, com linhas temporais entrecruzadas que mantêm o suspense e a curiosidade sempre activos, e de um Ryan Gosling em grande forma. E, para quem aprecia histórias de sobrevivência com ciência, engenho e humanidade, esta adaptação de Andy Weir acerta em cheio ao mostrar que, no meio do vazio do espaço, a cooperação e a empatia podem ser tão decisivas quanto a tecnologia.
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