Ter filhos significa, muitas vezes, sentir esse aperto no estômago: dizer “não”, manter um limite, não voltar atrás nas consequências - e, de repente, parecer que viramos o inimigo dentro da nossa própria sala. É aí que começa uma parte da parentalidade de que quase ninguém fala com franqueza: a solidão profunda que aparece quando fazemos o que é certo e, mesmo assim, nos sentimos terrivelmente mal.
Quando a boa parentalidade parece errada
Há um instante que fica gravado: a primeira vez que o teu filho te encara com raiva crua ou com um espanto absoluto. Tu definiste um limite claro - acabou o telemóvel, não há mais um vídeo, não vais a essa festa, e não há explosões sem consequências. Naquele segundo, deixas de ser o pai carinhoso ou a mãe compreensiva; passas a ser quem estraga a diversão.
E depois vêm:
- Portas a bater
O mais difícil é aceitar que, por momentos, o amor não é percebido como amor. Manter a regra, sustentar o “não” e aguentar o desconforto pode parecer um afastamento - quando, na verdade, é uma forma de proteção e de orientação. Essa discrepância entre intenção e reação é um dos lugares onde a solidão do adulto se instala com mais força.
Também ajuda lembrar que o sentimento de culpa nem sempre é sinal de erro: muitas vezes é apenas o preço emocional de não ceder ao caminho mais fácil. Se houver outro adulto a educar contigo, alinhar limites e consequências com antecedência pode reduzir conflitos e evitar que um de vocês fique isolado no papel de “mau da fita”. E, quando isso não for possível, procurar apoio (família, amigos, escola, acompanhamento psicológico) pode tornar o peso mais sustentável - sem abdicar da boa parentalidade.
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