Durante uma sessão organizada pela PFA - Plateforme Automobile, o diretor-executivo da Stellantis, Antonio Filosa, contestou as metas de emissões definidas pela União Europeia (UE), classificando-as como “erradas” e desalinhadas da realidade industrial e económica, segundo avançou a publicação L’Automobile.
Na visão do responsável, a Europa acabou por “proibir tecnologias nas quais era líder” e, em paralelo, por impor uma única via tecnológica - a elétrica - precisamente num campo em que, afirma, “os chineses estão 20 anos à frente”. Para Filosa, o continente deveria inspirar-se na forma como a China antecipa decisões e estrutura uma estratégia com mais tempo e coerência.
“Temos de criar a nossa própria capacidade industrial e tecnológica, mas isso demora dez anos. A regulamentação tem de apoiar esse desenvolvimento industrial e não limitá-lo”, defendeu.
Stellantis e Antonio Filosa: metas de emissões da UE e a realidade do mercado
Para o CEO da Stellantis, o atual enquadramento regulatório desconsidera a capacidade económica dos consumidores e, ao mesmo tempo, fragiliza a indústria automóvel europeia.
Na sua perspetiva, o calendário imposto por Bruxelas não acompanha a procura real: “Não é aquilo que o cliente quer, nem aquilo que pode pagar.” E reforçou que o problema é mais amplo: “Hoje temos três ‘nãos’: o cliente não quer, não precisa e não pode pagar por isso.”
“O cliente não quer, não precisa e não pode pagar”
Filosa entende que a prioridade imediata deveria passar por renovar o envelhecido parque automóvel europeu, em vez de concentrar o esforço apenas em acelerar a eletrificação. Nesse sentido, propõe a criação de um «super crédito» direcionado para veículos elétricos do segmento A, com o objetivo de baixar o custo de acesso e tornar a mobilidade elétrica mais viável para um público mais vasto.
O gestor sustentou a necessidade de atuar onde o impacto pode ser maior: “Dos 250 milhões de carros em circulação, mais de 150 milhões têm mais de 12 anos. É aí que precisamos de agir”, concluiu.
A par dos incentivos, uma transição mais rápida também depende de condições práticas: uma rede de carregamento mais densa e fiável, especialmente fora dos grandes centros urbanos, e regras claras que reduzam a incerteza para fabricantes e consumidores. Sem esse suporte, argumenta-se que as metas de emissões correm o risco de ficar reféns de barreiras de adoção e de custos elevados.
Também a componente industrial - da cadeia de fornecimento de baterias à energia disponível a preços competitivos - influencia diretamente a capacidade europeia de acompanhar a eletrificação. Para Filosa, as regulamentações deveriam funcionar como um motor de investimento e competitividade, e não como um travão num período em que o setor precisa de tempo, escala e previsibilidade para se adaptar.
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