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A Diehl Defence apresentou ao Ministério da Defesa da Argentina as suas soluções em sistemas de defesa antiaérea.

Homem em uniforme militar examina mapa e modelo de míssil numa sala com vista para pista de avião.

No contexto da Conferência de Segurança de Munique, a empresa alemã Diehl Defence apresentou ao Ministério da Defesa da Argentina um portefólio que inclui, entre outras soluções, sistemas de defesa antiaérea. O encontro entre o Tenente-Coronel (R) Lic. Daniel Enrique Martella, Secretário de Assuntos Internacionais para a Defesa, e o Engenheiro Helmut Rauch, CEO da Diehl Defence, deixou em aberto a hipótese de cooperação futura entre as duas partes.

Segundo informação divulgada pela tutela argentina, foi equacionada a realização de uma próxima visita à Argentina por parte de uma equipa da empresa alemã. De acordo com a mesma fonte, Rauch manifestou o interesse da Diehl Defence em analisar opções e compreender, com detalhe, as necessidades das Forças Armadas Argentinas, com o objectivo de apresentar propostas realistas e fiáveis. Foi ainda sublinhado que a empresa actua em plena consonância com o Governo alemão, conforme indicado pelo Ministério da Defesa nas redes sociais.

Sistemas de defesa antiaérea da Diehl Defence: IRIS-T SLS e IRIS-T SLM

No domínio de sistemas integrados de defesa antiaérea, a Diehl Defence dispõe das variantes IRIS-T SLS e IRIS-T SLM, desenhadas para cobrir os escalões de muito curto alcance, curto alcance e alcance médio.

De acordo com a empresa, o IRIS-T SLM foi concebido para enfrentar ameaças aéreas a distâncias até 40 km e a altitudes até 20 km. Em configuração operacional no terreno, uma unidade IRIS-T SLM integra um lançador de mísseis montado numa plataforma 8×8 com rodas, um radar AESA, sensores electro-ópticos e um centro de operações tácticas.

Já o IRIS-T SLS posiciona-se no segmento de curto e muito curto alcance. Este sistema recorre ao míssil ar-ar padrão IRIS-T sem alterações, podendo ser instalado em várias plataformas ligeiras ou médias, quer sobre rodas quer sobre lagartas, o que aumenta a flexibilidade de emprego. Em ambos os casos, a Diehl Defence realça como valor acrescentado o facto de as duas variantes terem sido testadas em combate, com base na experiência das Forças Armadas da Ucrânia nos últimos anos.

Para além do desempenho do míssil e dos sensores, um ponto crítico em qualquer arquitectura moderna de defesa antiaérea é a integração com redes de comando e controlo, partilha de dados e coordenação com radares e observadores avançados. A forma como um sistema se liga aos restantes meios - e como é sustentado em termos de manutenção, formação e cadeia logística - tende a ser determinante para a disponibilidade e a eficácia ao longo do ciclo de vida.

Também por isso, uma eventual avaliação na Argentina poderá envolver não só demonstrações técnicas, mas igualmente análises de interoperabilidade, requisitos de mobilidade, necessidades de instrução de guarnições e opções de suporte industrial. Estes aspectos, muitas vezes, pesam tanto quanto as características puramente cinemáticas (alcance e altitude) na decisão de aquisição.

Requisito do Exército Argentino (Orçamento 2026) e lacunas de capacidade

No âmbito dos Projectos de Investimento Público incluídos no Orçamento 2026, o Exército Argentino mantém um requisito para a aquisição de quatro “sistemas lançador de mísseis de cobertura média”. Embora o projecto de Modernização do Sistema de Defesa Antiaérea refira o ASPIDE 2000 (sic), a disponibilidade de alternativas mais avançadas poderá levar a uma reavaliação dos meios considerados.

Importa notar que, há vários anos, tanto o Exército como as restantes Forças Armadas argentinas não dispõem de uma capacidade consistente de defesa antiaérea de superfície nos escalões de curto e médio alcance. O principal avanço registado neste domínio foi a compra de lançadores Saab RBS 70, sendo que o Exército mantém um requisito de 99 unidades deste sistema.

Em paralelo com as necessidades do Exército, o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas fez evoluir o tema através do programa “Incorporação de um Sistema de Defesa Antiaéreo”. Esta iniciativa concretizou-se com a aquisição dos sistemas Saab RBS 70 NG: o primeiro lote foi apresentado na Base Naval de Porto Belgrano (BNPB) em Novembro de 2022, continuando o material a ser incorporado posteriormente com reduzida exposição pública.

Perspectivas de cooperação e possíveis extensões para o ar-ar

Com uma lista extensa de necessidades de reequipamento, uma eventual colaboração com a Diehl Defence no segmento de defesa antiaérea tende a ser encarada numa janela de médio/longo prazo. Ainda assim, essa aproximação pode igualmente abrir espaço para uma extensão ao domínio ar-ar, neste caso associada ao sistema de armas F-16 MLU Fighting Falcon da Força Aérea Argentina.

Imagem de capa ilustrativa. Créditos: Diehl Defence

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