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A400M espanhol recebe o InShield: novo salto na autoprotecção da aviação de transporte estratégica

Dois técnicos em uniforme junto a equipamento no solo à frente de avião militar cinzento estacionado em pista.

A aviação de transporte estratégico do Exército do Ar e do Espaço de Espanha assenta, hoje, de forma decisiva no Airbus A400M. Precisamente por ser uma plataforma central para missões dentro da Europa e em destacamentos em teatros de elevada ameaça, o reforço das suas capacidades de autoprotecção tornou-se um requisito incontornável. Neste contexto, a Indra confirmou que foi oficialmente entregue à força o primeiro avião de transporte equipado com o novo sistema antimisseis InShield.

Entrega do A400M (MSN120) com o sistema de autoprotecção InShield (DIRCM)

A 12 de fevereiro, a empresa espanhola indicou que a Airbus - responsável pelas modificações estruturais - concluiu os trabalhos na sua Linha de Montagem Final de San Pablo, em Sevilha, e entregou ao Exército do Ar e do Espaço um A400M, o aparelho com o numeral MSN120, já integrado com o sistema de autoprotecção InShield.

Esta integração representa um marco relevante para a frota nacional de A400M, que conta com 14 aeronaves, concentradas na Ala 31 da Base Aérea de Saragoça.

O que é o InShield e que ameaças pretende neutralizar (MANPADS)

Em termos gerais, o InShield é um sistema de contramedidas infravermelhas dirigidas (DIRCM, pelas suas siglas em inglês). A sua função é detectar e contrariar ameaças aéreas, recorrendo a tecnologia no espectro do infravermelho para enfrentar, em particular, mísseis portáteis do tipo MANPADS.

A relevância desta capacidade cresce quando se considera a diversidade de cenários operacionais onde os A400M espanhóis poderão ser chamados a actuar: desde rotas e operações no espaço europeu até compromissos em regiões do mundo com elevada perigosidade e com conflitos activos, onde a ameaça de sistemas portáteis antiaéreos pode ser significativa, sobretudo em fases críticas do voo como descolagem, aproximação e aterragem.

Ensaios e maturidade do InShield em plataformas das Forças Armadas espanholas (CH-47 Chinook, NH90)

Antes da certificação e da instalação no primeiro A400M, o InShield já tinha sido testado e demonstrado noutras plataformas ao serviço das Forças Armadas espanholas. Entre estas, incluem-se os helicópteros CH-47 Chinook do Exército de Terra, tendo o sistema sido também experimentado no exercício EMBOW XVI da OTAN.

Além disso, o sistema encontra-se preparado para equipar os helicópteros tácticos NH90, actualmente em serviço em todos os ramos militares espanhóis, alargando o potencial de padronização de capacidades de autoprotecção entre diferentes meios aéreos.

Impacto operacional e implicações para a frota de A400M

A introdução de um DIRCM como o InShield no A400M tende a reforçar a margem de sobrevivência da aeronave em missões de transporte, evacuação e apoio logístico em ambientes contestados. Na prática, a existência de uma camada adicional de autoprotecção pode ampliar opções de planeamento, reduzir vulnerabilidades em corredores aéreos mais expostos e contribuir para uma maior flexibilidade na resposta a crises.

Do ponto de vista de sustentação, a integração deste tipo de tecnologia implica, normalmente, ajustamentos em rotinas de manutenção, procedimentos operacionais e formação de tripulações e equipas técnicas. A criação de doutrina e práticas comuns para o emprego do sistema é, por isso, um factor relevante para assegurar que a capacidade é explorada de forma consistente ao longo da vida útil da frota.

Declarações da Indra sobre soberania e autonomia estratégica

A propósito deste novo marco, o director de Air Dominance da Indra, Miguel García Moreno, afirmou que “o sistema de contramedidas infravermelhas dirigidas (DIRCM, pelas suas siglas em inglês) da Indra é uma tecnologia extremamente avançada, ao alcance de muito poucas empresas e países no mundo”. Sublinhou ainda “o acerto do Ministério da Defesa ao apoiar o desenvolvimento de um sistema crítico como este por uma empresa espanhola, contribuindo para reforçar a soberania e a autonomia estratégica”.

Fotografias utilizadas apenas a título ilustrativo.

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