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MSI Prestige 14 AI+: um concorrente à altura do Samsung Galaxy Book6 Pro?

Pessoa a usar portátil numa mesa de madeira com mochila, carregador, auricular e telemóvel ao lado.

O MSI Prestige 14 AI+ é a mais recente aposta da marca num ultrabook verdadeiramente portátil: junta um ecrã OLED de 14 polegadas, uma bateria de grande capacidade e, acima de tudo, o novo processador Intel Core Ultra X7. No papel, a receita promete desempenho, boa qualidade de imagem e autonomia sólida num chassis compacto e leve. A questão é simples: na prática, o resultado corresponde?

Embora a MSI seja mais associada a portáteis para jogos, à consola portátil MSI Claw e a periféricos “gaming” (motherboards, placas gráficas, monitores, etc.), a marca tem também uma linha mais discreta e orientada para produtividade e multimédia: a família Prestige.

Os modelos mais recentes desta gama, já com processadores Intel Core Ultra de 3.ª geração (Panther Lake), foram apresentados no CES de Las Vegas no início do ano, com destaque para o muito compacto Prestige 13 AI+. O equipamento aqui analisado, MSI Prestige 14 AI+ (D3MG-042FR), é o “irmão mais velho” em formato de 14".

Para ser um ultrabook a sério - e um bom companheiro de viagem - há critérios que não podem falhar:

  • Portabilidade: dimensões contidas e peso reduzido para caber facilmente numa mochila.
  • Facilidade de utilização: teclado e touchpad eficazes e equipamento completo.
  • Autonomia elevada: bateria generosa e carregamento rápido.
  • Desempenho consistente: CPU competente, boa quantidade de RAM e SSD amplo.
  • Qualidade de ecrã: a melhor possível para trabalhar e consumir conteúdos.
  • Design apelativo, idealmente com acabamento “premium”.

Para perceber onde o MSI se posiciona, a comparação natural é com uma das referências do segmento: o Samsung Galaxy Book6 Pro, na variante de 14" (ver também o nosso teste ao Samsung Galaxy Book6 Ultra).

Design do MSI Prestige 14 AI+: sobriedade com ar premium

Tal como acontece com automóveis ou smartphones, o design pesa mais do que parece - sobretudo num produto que se usa todos os dias em público. No MSI Prestige 14 AI+, a linha é claramente minimalista, mas com um toque sofisticado: o único detalhe no tampo é o nome da marca, discreto e em prateado.

O portátil existe num único tom de cinzento, resultado do uso de uma liga de alumínio e magnésio, pensada para suportar melhor o desgaste do uso diário.

Ao contrário do Galaxy Book6 Pro, com arestas mais marcadas, o MSI aposta em bordas arredondadas e suaves, o que melhora bastante a sensação ao pegar e transportar. No conjunto, MSI e Samsung acabam por ficar muito próximos: ambos seguem uma estética contida e bem executada.

Portabilidade: compacto, leve e pronto para mochila

O MSI Prestige 14 AI+ mede 31,5 × 22,2 cm e tem uma espessura entre 1,2 cm (frente) e 1,4 cm (traseira). É um perfil muito fino, praticamente ao nível do Galaxy Book6 Pro, que fica nos 1,2 cm.

No dia a dia, “desaparece” facilmente na mochila, até porque pesa 1,32 kg (contra 1,24 kg no Galaxy Book6 Pro de 14"). A diferença existe, mas é pequena.

Há, no entanto, um pormenor que alguns utilizadores podem valorizar: ao contrário do Samsung, cujo ecrã é protegido por um vidro tipo Gorilla Glass, o MSI não anuncia esse tipo de cobertura. Não é algo que, por si só, invalide a compra (raramente se transporta um portátil aberto…), mas é uma nota relevante num equipamento pensado para andar de um lado para o outro.

Ergonomia, segurança e conectividade: bons argumentos - com um touchpad diferente

O teclado do Prestige 14 AI+ é confortável: as teclas têm bom espaçamento e existe retroiluminação com três níveis de intensidade, útil para trabalhar em ambientes com pouca luz. Como seria de esperar num 14", não há teclado numérico.

No topo das funções, existe uma tecla (F7) para alternar rapidamente entre perfis de funcionamento: Desempenho, Equilibrado e Eco, mais um quarto modo chamado AI Engine (porque a “IA” tem de estar presente em todo o lado). Estas opções também podem ser geridas na aplicação MSI Center S, que adicionalmente permite ajustar definições do ecrã (por exemplo, o perfil de cor) e parâmetros do touchpad.

Action touchpad: ideia excelente, mas exige habituação

O touchpad, chamado Action touchpad, é uma das particularidades deste portátil - e um potencial ponto de vantagem face à Samsung.

A lógica é invulgar: um duplo toque nos cantos superiores abre a Calculadora ou o MSI Center S. Além disso, pode deslizar o dedo ao longo dos quatro lados para controlar ações como:

  • ajustar o brilho do ecrã;
  • alterar o volume;
  • avançar/recuar num vídeo;
  • voltar/avançar numa página da Web.

Estas ações específicas não são editáveis. Em compensação, existem três gestos adicionais personalizáveis, feitos ao deslizar o dedo do meio de uma das laterais para o centro do touchpad. Aqui, já é possível configurar tarefas como abrir uma aplicação, fazer captura de ecrã, aceder a definições rápidas, regressar ao ecrã de bloqueio do Windows, entre outras.

Convém, contudo, ter atenção: durante o teste, algumas ações foram ativadas sem intenção, apenas ao tentar mover o cursor. Ou seja, as interações com as margens podem atrapalhar até ganhar rotina - e é aqui que um touchpad maior ajuda.

Segurança e câmara: completo para Windows 11

Na segurança, o MSI não fica atrás:

  • leitor de impressões digitais integrado no botão de ligar;
  • desbloqueio facial via webcam com sensor infravermelho, compatível com Windows 11;
  • obturador físico de privacidade para tapar a câmara com um simples gesto;
  • tecla dedicada para desativar o microfone, para evitar ser ouvido.

A webcam grava em 1080p, suficiente para videoconferência.

Portas e sem fios: um pouco melhor do que a Samsung

Na conectividade, o Prestige 14 AI+ surge ligeiramente mais completo do que o Galaxy Book6 Pro:

  • Lado esquerdo: 2× USB‑C Thunderbolt 4 e HDMI 2.1
  • Lado direito: 2× USB‑A (mais um do que no Samsung) e jack 3,5 mm (auscultadores/microfone)

Em redes, há suporte para Wi‑Fi 7 e Bluetooth 6, o que garante folga para vários anos, sobretudo em ambientes com routers mais recentes.

Som: quatro altifalantes com resultados convincentes

O portátil integra quatro altifalantes de 2 W, com dois dedicados aos graves. Mesmo sem auscultadores Bluetooth, o som é competente: volume elevado, boa separação espacial e desempenho agradável para filmes e séries - apesar de os altifalantes estarem posicionados na parte inferior do chassis.

Para música, a experiência também é positiva, especialmente com a app DTS, que permite reforçar graves, agudos e médios (vozes), além de incluir um equalizador para afinação ao gosto de cada um.

Desempenho (Intel Core Ultra X7 358H): potência para produtividade e criação

Com o seu processador Intel, o MSI Prestige 14 AI+ tem músculo para tarefas exigentes e executa-as rapidamente - desde edição de vídeo e tratamento de fotografia até fluxos de trabalho com geração de imagens por inteligência artificial.

O Intel Core Ultra X7 358H, com 16 núcleos, entrega um nível de desempenho muito elevado, só ultrapassado atualmente pelo Core Ultra 9 388H. Do lado da AMD, o Ryzen AI Max+ 395 (por exemplo, no Asus ProArt GoPro Edition, que testámos recentemente) oferece uma potência de CPU comparável e destaca-se também pela gráfica integrada Radeon 8060S.

No MSI, a gráfica integrada é a Intel Arc B390. Mesmo ficando um degrau abaixo da Radeon 8060S, o resultado é bastante convincente e permite jogar ocasionalmente com boa qualidade, desde que se mantenham expectativas realistas.

Para IA, o NPU do processador Intel anuncia 50 TOPS, aos quais se soma a capacidade do GPU Arc, totalizando 122 TOPS.

Na comparação direta, MSI e Samsung estão muito equilibrados em desempenho (o Galaxy Book6 Pro também usa o Core Ultra X7 358H). Ainda assim, o MSI ganha uma pequena vantagem prática por oferecer, nesta configuração, 32 GB de RAM e SSD de 1 TB - opções que a Samsung não disponibiliza no modelo de 14".

Autonomia e carregamento: muito boa, com um “senão” em streaming

Para o tamanho do equipamento, a bateria é generosa: 81 Wh, contra 67 Wh no Galaxy Book6 Pro de 14". À partida, isto indica boa autonomia - e os testes confirmam, com nuances.

No teste de autonomia do PCMark, o Prestige 14 AI+ aguentou 17 horas e 13 minutos, um resultado excelente. Como estes testes nem sempre reproduzem o mundo real, fizemos também cenários mais próximos do uso quotidiano.

Streaming de vídeo: abaixo do esperado

Aqui surgiu a surpresa: em streaming por Wi‑Fi, bastou reproduzir três vezes um filme de 2 horas para a bateria descer um pouco menos de 50%. Isto aponta para menos de 12 horas de streaming com 100% de carga, o que não é brilhante para um ultraportátil deste nível.

Ainda assim, continua a ser suficiente para ver vários filmes ou uma temporada de episódios em viagem - e, em avião ou comboio, pode sempre descarregar os ficheiros localmente para reduzir dependências e variações.

Trabalho “normal”: perto de um dia inteiro

Num uso misto de produtividade e multimédia, o comportamento foi bem mais sólido. Durante 5 horas, alternámos entre:

  • e-mail e mensagens WhatsApp;
  • edição de fotografias;
  • navegação na Web (com música no Spotify);
  • vídeos curtos no YouTube;
  • escrita em Word;
  • e, no fim, 1 hora de episódio na Netflix,

com pausas pelo meio. No total, a bateria perdeu 40%. Projetando este ritmo, é plausível contar com cerca de 12 horas de utilização relativamente intensa - o que pode equivaler a um dia inteiro ou até dois dias mais leves, dependendo do tipo de tarefas.

Jogos na bateria: não esperar milagres

A diversão ocasional é possível, mas o impacto é alto: 30 minutos de Fortnite foram suficientes para a bateria cair 40%.

Carregamento: USB‑C até 100 W

Outro ponto a favor do MSI é suportar carregamento por USB‑C até 100 W (a Samsung fica nos 65 W). Na prática, com o carregador adequado, foi possível chegar a:

  • 53% em 30 minutos
  • 95% em 1 hora

Ou seja, o conjunto autonomia + recarga é convincente - e, pelo menos “no papel”, mais apelativo do que o do Galaxy Book6 Pro.

Ecrã OLED de 14": excelente em cor e contraste, limitado em brilho e reflexos

O MSI escolhe uma fórmula clássica para agradar visualmente: um ecrã OLED de 14". As vantagens são conhecidas: pretos perfeitos, contraste praticamente infinito e cores vibrantes - ótimo para fotografia e vídeo.

Há dois pontos a reter desde já:

  • O ecrã não é tátil (no Galaxy Book6 Pro é).
  • Quem quer toque deve olhar para a versão Prestige 14 Flip AI+, com ecrã tátil que roda 360° para modo tablet.

O problema típico do OLED… e aqui é mais evidente

Um dos limites do OLED é, muitas vezes, a luminosidade. Soma-se outro fator frequente: o revestimento tende a ser muito refletivo. No Prestige 14 AI+, o painel é brilhante, o que penaliza bastante a utilização fora de casa ou mesmo perto de janelas, porque o ambiente se espelha com facilidade.

Foi uma dificuldade semelhante à que encontrámos no Asus ProArt GoPro Edition. Mais recentemente, começaram a surgir painéis OLED com tratamentos que reduzem reflexos de forma agressiva (como no Asus Zenbook Duo) ou quase os eliminam (como no Samsung Galaxy Book6 Pro), aproximando-se de um acabamento mate - uma vantagem clara em mobilidade.

Mesmo em casa, a questão dos reflexos pode incomodar: para ver vídeo no sofá, por vezes compensa escurecer a divisão para evitar que as zonas escuras fiquem “contaminadas” (e, já agora, o modo escuro do Windows não ajuda nestas circunstâncias).

Resolução, taxa de atualização e brilho: abaixo do que a concorrência já oferece

Além disso, este OLED do MSI trabalha numa resolução que hoje pode soar modesta: 1920 × 1200 píxeis, quando muitos rivais (incluindo a Samsung) sobem para 2880 × 1800 píxeis.

A taxa de atualização máxima fica-se pelos 60 Hz, ao passo que o Galaxy Book6 Pro chega aos 120 Hz. Não é um fator decisivo para todos, mas é mais um ponto para a Samsung.

Nas medições, o maior travão foi a luminosidade: em OLED é comum ver 400 a 500 nits, mas aqui registámos apenas 280 nits no máximo. Para escritório e casa, chega perfeitamente. Já para trabalhar no exterior num dia de sol, será quase obrigatório encontrar sombra.

Em perfis, o MSI Center S disponibiliza modos como Filme, sRGB, Adobe RGB e DCI‑P3. No DCI‑P3, a calibração mostrou-se competente, com Delta E de 2,1 (boa fidelidade) e uma temperatura média de ~6300 K, próxima do alvo de 6500 K para neutralidade.

No balanço final, o ecrã faz o MSI brilhar em contraste e cor (como seria de esperar de um OLED), mas o Galaxy Book6 Pro leva vantagem global por oferecer um painel mais sofisticado e mais fácil de usar em qualquer ambiente, sobretudo devido ao controlo de reflexos e a especificações superiores.

Dois aspetos adicionais a considerar antes da compra

Em ultraportáteis deste segmento, vale a pena pensar também na logística do dia a dia. O suporte a USB‑C até 100 W é especialmente útil porque abre a porta a carregadores universais USB‑C PD (incluindo docks e carregadores compactos de viagem), reduzindo a dependência do adaptador de origem - algo muito relevante para quem trabalha entre casa, escritório e deslocações.

Outro ponto que convém ponderar é a adaptação ao Action touchpad: a ideia é interessante e pode acelerar rotinas, mas se o seu uso for maioritariamente “tradicional” (movimento de cursor e gestos padrão), pode preferir desativar ou limitar algumas ações para evitar ativações acidentais, sobretudo nas primeiras semanas.

Vale a pena comprar?

No conjunto, o MSI Prestige 14 AI+ apresenta uma relação qualidade/preço (ou desempenho/preço) bastante competitiva. Pontua alto em construção, ergonomia, desempenho, autonomia, portabilidade e design. O calcanhar de Aquiles é o ecrã: apesar de ser OLED e oferecer imagens excelentes quando tudo ajuda, é um painel com resolução e frequência limitadas, muito reflexivo e com brilho baixo, o que condiciona a mobilidade em ambientes luminosos.

A configuração testada custa 1900 €, com 32 GB de RAM e SSD de 1 TB.

O Samsung Galaxy Book6 Pro 14" custa 2000 €, mas com 16 GB de RAM e SSD de 512 GB, sem opção mais equipada no site da marca. Para ter 32 GB/1 TB num Galaxy Book6 Pro, é preciso subir para 16" (2300 €).

Se o orçamento for determinante, o MSI acaba por ser uma escolha muito racional. Se o preço não for o principal fator, o Galaxy Book6 Pro torna-se mais apelativo sobretudo por causa do ecrã, claramente superior.

Nota adicional: no site da MSI, o Prestige 14 Flip AI+ (ecrã tátil 360°) aparece por 1700 € (também com 32 GB e 1 TB). Este modelo corrige dois pontos do Prestige 14 AI+: passa a ter ecrã tátil (com Nano Pen incluída) e proteção Gorilla Glass. Ainda assim, tudo indica que resolução, frequência e brilho permanecem limitados.

Para um salto real no ecrã (alta definição 2800 × 1800, até 120 Hz e muito mais brilho com VESA DisplayHDR True Black 1000, isto é, até 1000 nits em teoria), a solução é olhar para 16": o MSI Prestige 16 Flip AI+ custa 2200 € (com Core Ultra 9 386H, 32 GB, 1 TB).


MSI Prestige 14 AI+ - resumo e pontuações

Preço (configuração testada): 1900 €

Pontuação global: 8,8

Critério Nota
Design e ergonomia 9,5/10
Desempenho 9,5/10
Ecrã 7,0/10
Autonomia 9,0/10
Relação qualidade/preço 9,0/10

Pontos fortes

  • Formato compacto e peso reduzido
  • Desempenho excelente
  • Ecrã OLED (contraste e cores de topo)
  • Boa autonomia e carregamento rápido
  • Touchpad original com gestos adicionais

Pontos fracos

  • Brilho máximo do ecrã baixo
  • Painel muito refletivo (brilhante)
  • Resolução e taxa de atualização limitadas
  • Autonomia em streaming de vídeo abaixo do esperado

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