A zona de exclusão de Chernobyl voltou a dar que falar depois de terem sido vistos três cães a correr pela área com uma coloração invulgar no pelo: em vez do tom habitual, apresentavam um matiz azul vivo.
Uma área interditada desde 1986: Chernobyl e Pripyat
A zona de exclusão permanece praticamente sem habitantes humanos desde 1986, ano em que um reactor explodiu na central nuclear nas proximidades da cidade de Pripyat, na Ucrânia. Desde então, uma vasta área contaminada em redor da central - incluindo Pripyat - ficou fora de acesso ao público, sendo permitida a entrada apenas com autorização governamental adequada.
Quando a população de Pripyat foi evacuada nesse mesmo ano, muitas famílias foram obrigadas a deixar para trás os seus animais de estimação. Com o passar do tempo, os descendentes desses animais - juntamente com fauna selvagem - passaram a ocupar a região e, ao que tudo indica, adaptaram-se e prosperam naquele território.
As imagens e a tentativa de captura dos animais
A situação foi divulgada por uma organização sem fins lucrativos, a Clean Futures Fund, através de duas publicações numa rede social: uma sequência de fotografias e um vídeo. Nesses registos, os animais aparecem com o pelo manchado por uma tonalidade azul intensa, contrastando com a cor natural anterior.
A própria organização explicou que não conhece ainda a causa exacta e que está a tentar capturar os cães para perceber o que se passa. A hipótese mais provável, segundo a equipa, é que os animais tenham entrado em contacto com algum produto químico.
A explicação mais provável: um químico pouco glamoroso
Apesar de a cor chamar a atenção, a explicação apontada não tem nada de “misterioso” - apenas é algo desagradável. De acordo com a Clean Futures Fund, a suspeita é que os cães tenham rebolado numa substância viscosa que estaria a verter de uma sanita química portátil (daquelas usadas em obras ou eventos) existente nas imediações.
Projecto Cães de Chernobyl: acompanhamento, alimentação e esterilização
A Clean Futures Fund trabalha no projecto Cães de Chernobyl desde 2017, com o objectivo de apoiar os animais que vagueiam pela zona. No âmbito deste trabalho, a equipa actua sobretudo em três frentes:
- alimentação e apoio básico aos animais;
- monitorização de cães e gatos que circulam pela área;
- captura e esterilização, sempre que possível, para ajudar a manter as populações assilvestradas sob controlo.
Os três cães com coloração azul foram detectados no início de Outubro, precisamente durante estas actividades no terreno.
Não é “azul por radiação”: o esclarecimento sobre a radiação
A organização fez questão de sublinhar um ponto: não está a afirmar que os cães tenham ficado azuis devido à radiação. Pelo contrário, reforçou que se trata, muito provavelmente, de animais que simplesmente se sujaram com uma substância azul, e que a prioridade é capturá-los para que possam ser esterilizados.
Uma veterinária do projecto Cães de Chernobyl, Jennifer Betz, acrescentou ainda que, desde que os animais não lambam a maior parte da substância do pelo, é expectável que o episódio seja maioritariamente inofensivo.
Porque a cor no pelo pode ser um problema (mesmo sem radiação)
Ainda que a origem seja apenas um derrame químico, situações deste tipo podem criar riscos adicionais: irritações cutâneas, ingestão acidental durante a higiene natural do animal e até contaminação de feridas. Por isso, a tentativa de captura não serve apenas para esterilizar - permite também avaliar o estado da pele e do pelo, remover resíduos e garantir que não há efeitos secundários.
O desafio contínuo de proteger animais numa zona remota
Cuidar de cães e gatos numa área extensa, com acessos condicionados e infra-estruturas degradadas, implica dificuldades logísticas constantes: localizar animais em movimento, capturá-los de forma segura e regressar para acompanhamento posterior. Mesmo assim, o trabalho continuado de monitorização e esterilização é uma das poucas ferramentas eficazes para reduzir sofrimento, evitar ninhadas sucessivas e melhorar, a médio prazo, as condições de vida dos animais que chamam a zona de exclusão de Chernobyl de casa.
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