A noite passada ficou marcada pela 98.ª cerimónia dos Óscares. Afinal, quem saiu verdadeiramente por cima nesta gala de excelência?
Ano após ano, os Óscares afirmam-se como o momento mais aguardado pelos amantes de cinema: uma celebração da indústria que distingue áreas tão diversas como a realização, a escrita, a interpretação, os efeitos visuais, os figurinos, a montagem e muito mais.
À entrada para os Óscares 2026, alguns títulos destacavam-se logo no anúncio das nomeações. Sinners liderava com 16 nomeações, um número histórico para o filme de Ryan Coogler protagonizado por Michael B. Jordan. Logo a seguir, com 13 nomeações, Uma Batalha Após a Outra surgia como outro grande favorito, enquanto Frankenstein, Valor Sentimental e Marty Supreme acumulavam 9 nomeações cada. Faltava apenas descobrir quem transformaria expectativas em estatuetas.
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O que fica na memória dos Óscares 2026?
O grande dominante da noite foi, sem margem para dúvidas, Uma Batalha Após a Outra. Dos 13 reconhecimentos possíveis, o filme de Paul Thomas Anderson converteu seis em vitórias: melhor filme, melhor realizador, melhor actor secundário (Sean Penn), melhor argumento adaptado, melhor montagem e melhor casting. Depois de já ter brilhado nos BAFTA, o título confirma-se como o principal vencedor desta edição.
Na história, acompanhamos Bob, um ex-revolucionário desencantado e desconfiado, que vive afastado do mundo com a filha Willa, uma jovem autónoma e engenhosa. Quando um inimigo do passado volta a aparecer e Willa desaparece sem deixar rasto, Bob é empurrado para uma corrida desesperada - e, pelo caminho, vê-se obrigado a encarar, pela primeira vez, as consequências concretas do que foi e do que fez.
E o que dizer de Sinners? Um dos nossos favoritos de 2025 e dono do recorde de 16 nomeações (superando até referências como La La Land e Titanic), acabou por levar para casa “apenas” quatro Óscares. Ainda assim, não foram vitórias menores: Michael B. Jordan conquistou a estatueta de melhor actor pelo seu duplo desempenho como os gémeos Smoke e Stack, e o filme venceu ainda melhor argumento original, melhor fotografia e melhor banda sonora.
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A noite foi bem mais amarga para Timothée Chalamet, que parecia estar muito perto de alcançar o seu primeiro Óscar graças ao papel de Marty Mauser em Marty Supreme. Porém, a força da dupla interpretação de Michael B. Jordan acabou por inclinar a balança - e o “Santo Graal” terá de esperar mais um pouco.
Já Jessie Buckley saiu em grande: a actriz venceu o Óscar de melhor actriz pela sua prestação arrebatadora em Hamnet. Uma distinção mais do que justificada, numa abordagem imaginada e intensa ao universo de William e Agnes Shakespeare após a morte do filho do casal - um retrato que deixou muitos espectadores genuinamente inquietos.
Também Frankenstein não ficou de mãos vazias. A visão de Guillermo del Toro arrecadou o prémio de melhor criação de figurinos e o de melhor maquilhagem e penteados. De forma mais discreta, Avatar: de Fogo e Cinzas somou o Óscar de melhores efeitos visuais.
No campo da animação, o fenómeno KPop Demon Hunters saiu reforçado com duas estatuetas: melhor filme de animação e melhor canção original, graças a Golden. Ainda assim, não escondemos que teríamos gostado de ver o poético Arco reconhecido com o prémio máximo da animação.
Para lá das vitórias, esta edição dos Óscares 2026 voltou a sublinhar um padrão claro: filmes com forte identidade autoral e um trabalho técnico apurado (montagem, som, fotografia e música) estão cada vez mais presentes no topo do palmarés, aproximando o grande público de propostas mais exigentes.
Vale também a pena notar como o “efeito Óscar” tende a prolongar a vida destes filmes nas salas e nas plataformas: as vitórias em categorias de topo, como melhor filme e melhor actor, costumam traduzir-se em novas reposições, maior visibilidade e uma segunda vaga de discussão - ideal para quem gosta de (re)ver com outros olhos.
Palmarés completo dos Óscares 2026
- Melhor filme: Uma Batalha Após a Outra
- Melhor realizador: Paul Thomas Anderson por Uma Batalha Após a Outra
- Melhor actor: Michael B. Jordan em Sinners
- Melhor actor secundário: Sean Penn em Uma Batalha Após a Outra
- Melhor actriz: Jessie Buckley em Hamnet
- Melhor actriz secundária: Amy Madigan em Desvanecidos
- Melhor argumento adaptado: Uma Batalha Após a Outra
- Melhor argumento original: Sinners
- Melhor fotografia: Sinners
- Melhor criação de figurinos: Frankenstein
- Melhores cenários: Frankenstein
- Melhores efeitos visuais: Avatar: de Fogo e Cinzas
- Melhor maquilhagem e penteados: Frankenstein
- Melhor montagem: Uma Batalha Após a Outra
- Melhor som: F1
- Melhor banda sonora: Sinners (Ludwig Goransson)
- Melhor canção original: Golden em K-Pop Demon Hunters
- Melhor filme em língua estrangeira: Valor Sentimental (Noruega)
- Melhor filme de animação: KPop Demon Hunters, de Maggie Kang e Chris Appelhans
- Melhor curta-metragem (animação): A Rapariga que Chorou Pérolas
- Melhor curta-metragem (imagem real): Os Cantores
- Melhor curta-metragem (documentário): Todos os Quartos Vazios
- Melhor documentário: O Sr. Ninguém contra Putin
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