A proposta soa irrecusável: baixar a factura da reparação, reduzir a pegada ambiental e, ainda assim, manter um nível de qualidade que dê confiança ao condutor.
No pós-venda automóvel em Portugal, as chamadas Peças Verdes têm vindo a ganhar terreno e, com esse crescimento, multiplicam-se as curiosidades e as reservas: podem realmente substituir uma peça nova com fiabilidade? E o que está por trás deste mercado que não pára de aumentar?
Para esclarecer o tema, o Auto Talks recebeu Vítor Pereira, Presidente da ANCAV (Associação Nacional dos Centros de Abate de Veículos), num episódio integrado na 2.ª edição do formato, apresentado durante a 36.ª Convenção Anual da ANECRA, com o apoio do Banco Credibom.
Portugal na linha da frente das Peças Verdes (ANCAV)
As Peças Verdes são componentes automóveis usados, removidos de veículos em fim de vida, mas que não regressam ao mercado “tal como saíram”: passam por um processo exigente de triagem, verificação e certificação desenvolvido pela ANCAV. De acordo com Vítor Pereira, existe ainda validação por uma entidade externa, assegurando que cada peça cumpre requisitos de segurança e qualidade antes de poder voltar a ser utilizada.
Portugal destacou-se como um dos países mais avançados na utilização e certificação de Peças Verdes, ao consolidar uma abordagem que combina sustentabilidade, economia circular e rigor técnico - tornando-se, por isso, uma referência para outros mercados europeus.
Como funciona o sistema e onde surgem os desafios
No episódio, foi sublinhado o papel central dos centros de abate na disponibilidade destas peças e a forma como a certificação ajuda a reforçar a confiança do consumidor. Ainda assim, a implementação do conceito tem obstáculos: desde a logística (localização e abastecimento consistente) até à necessidade de as oficinas se adaptarem a novos procedimentos de pesquisa, encomenda e montagem.
Segundo Pereira, estas limitações estão a ser trabalhadas para que, gradualmente, as Peças Verdes passem a fazer parte do quotidiano da manutenção automóvel de forma natural, sem abdicar de padrões elevados de controlo e de credibilidade.
O que muda para condutores e oficinas
Para o cliente final, a decisão tende a equilibrar três factores: preço, prazo de reparação e confiança no componente instalado. A certificação surge aqui como um elemento decisivo, ao reduzir incertezas e ao criar um enquadramento mais transparente para o uso de peças recuperadas.
Do lado das oficinas, além da componente técnica, ganha importância a capacidade de explicar ao cliente o que é uma Peça Verde, porque foi seleccionada, e como a certificação e os testes associados contribuem para um resultado final consistente.
Perspectivas: um mercado em crescimento
Neste Auto Talks, também se analisou o potencial do sector das Peças Verdes, actualmente estimado em cerca de 100 milhões de euros. A expectativa apresentada aponta para que, dentro de cinco anos, aproximadamente 25% dos automóveis já integrem Peças Verdes, reflectindo a maturação do mercado e a expansão da oportunidade de negócio.
Próximo encontro no Auto Talks
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