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Novo Lexus LFA não tem motor nem faz barulho como antigamente

Carro desportivo branco Lexus New LFA apresentado em exposição interior com faróis acesos.

Alguns modelos carregam um peso quase injusto: acabam por ser reféns do próprio êxito. O Lexus LFA é um desses casos e, para muita gente, continua a representar o auge da engenharia japonesa aplicada a um superdesportivo.

O original distinguia-se por um chassis totalmente em carbono e, acima de tudo, por um motor V10 capaz de subir até às 9500 rpm. Aqui, “cantar” não é um exagero: a sonoridade do escape, afinada pela Yamaha, tinha uma nota que lembrava um Fórmula 1. Ainda assim, a Lexus limitou a produção a apenas 500 unidades do Lexus LFA.

Passados treze anos sobre o fim da produção, o nome LFA regressa - mas não da forma que muitos imaginavam. Desta vez, não há lugar para um motor térmico. Ou, pelo menos, para o motor que muitos esperavam ver voltar.

Lexus LFA: o regresso do nome LFA

O Lexus LFA Concept é o primeiro Lexus a recuperar esta designação desde 2012 e chega com uma aposta tecnológica que promete dividir opiniões. Debaixo do capot não está um atmosférico, não está um V10 e não está sequer um motor de combustão: há apenas baterias e motores elétricos - ainda sem sabermos em que configuração.

Para já, a Lexus não revelou potência, capacidade, aceleração ou qualquer outra ficha técnica do novo LFA, mantendo o projecto envolto em incerteza.

A marca procura enquadrar esta mudança com um argumento claro: para a Lexus, LFA já não tem de ser sinónimo de motor térmico. Segundo a própria, estas três letras passam a representar “tecnologias que os engenheiros devem preservar e transmitir à próxima geração”.

Plataforma partilhada com a Gazoo Racing e o Toyota GR GT

Do ponto de vista técnico, o novo LFA Concept assenta na mesma base que estreou no Toyota GR GT, nascida no universo da Gazoo Racing. A ideia central é um chassis leve e rígido, construído em alumínio e desenvolvido de raiz para aguentar um ritmo de «corrida». A grande diferença está na forma como essa plataforma é alimentada.

Enquanto o Toyota recorre a um V8 biturbo híbrido a gasolina, o Lexus segue por um caminho totalmente elétrico, sustentado por baterias e por motores elétricos. Duas estratégias distintas a partir de uma arquitetura comum.

Apesar da relevância do regresso, continuam a existir mais perguntas do que respostas: não há dados sobre autonomia, potência, peso ou sequer uma data de chegada. O que é certo é que o Lexus LFA voltou - mas o lendário motor de combustão que o definiu, não.

O que pode (ou não) mudar num LFA sem V10

Num automóvel com estatuto de ícone, o desafio não é apenas técnico - é também emocional. No caso do LFA, o V10 e as 9500 rpm eram parte da identidade, tanto quanto o carbono, a precisão do chassis ou a afinação do som pela Yamaha. Sem esse elemento, a Lexus terá de provar que o novo LFA consegue oferecer uma experiência igualmente memorável, ainda que por vias diferentes.

Também há um tema inevitável: num elétrico de alto desempenho, a gestão de massa e temperatura torna-se determinante para manter consistência em condução exigente. Se o LFA Concept pretende ser, de facto, uma montra de “tecnologias a preservar e transmitir”, espera-se que traga soluções de referência ao nível de arrefecimento, resistência ao uso em pista e repetibilidade de performance - precisamente onde muitos elétricos ainda são postos à prova.

Resta a questão final, que paira sobre todo este regresso: será possível um símbolo renascer sem o som, as rotações e o motor V10 que o tornaram inesquecível? A resposta deverá ficar clara quando for revelada a versão definitiva.

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