Ola Källenius, líder máximo da Mercedes-Benz, foi reconduzido à presidência da Associação Europeia de Construtores de Automóveis (ACEA) para 2026, iniciando assim um segundo mandato à frente da organização que congrega os principais fabricantes automóveis europeus.
No momento do anúncio, Källenius defendeu que a descarbonização do setor automóvel só será efetiva se assentar numa orientação estratégica consistente. Para o responsável, as metas climáticas exigem simultaneamente uma visão industrial: “Estamos convictos de que os objetivos de descarbonização só podem ser alcançados quando combinados com uma agenda forte de competitividade global e resiliência da cadeia de valor”, afirmou.
A mensagem traduz o equilíbrio complexo que a indústria europeia procura alcançar entre objetivos ambientais exigentes e a necessidade de preservar fábricas, investimento e postos de trabalho no continente. Na perspetiva do executivo, 2026 será particularmente determinante para a validação do chamado pacote automóvel da União Europeia (UE), que contempla, entre outros dossiers, a revisão das metas de emissões de dióxido de carbono (CO₂) para carros e furgões.
Prioridades de Ola Källenius na ACEA: descarbonização, competitividade global e resiliência da cadeia de valor
O CEO da Mercedes-Benz acrescentou que a transição só será compatível com a competitividade industrial europeia se incluir flexibilidade, abertura tecnológica e políticas adaptadas a diferentes tipologias - desde veículos ligeiros de passageiros e de mercadorias até pesados, em ambas as categorias. “Temos grandes expectativas, pois há muito em jogo”, alertou.
A recondução de Källenius surge numa fase em que os fabricantes europeus enfrentam forte pressão para acelerar a passagem para veículos de emissão zero, enquanto disputam quota de mercado e capacidade produtiva num contexto de concorrência global, com particular destaque para construtores chineses e norte-americanos.
Em paralelo, a evolução desta transição depende também de fatores que extravasam o produto final. A expansão de uma rede de carregamento fiável e homogénea, a capacidade industrial para baterias e matérias-primas críticas, bem como a estabilidade do custo da energia, continuam a ser peças-chave para que a ambição regulatória se traduza em adoção real por parte de famílias e empresas.
Outro eixo incontornável prende-se com a dimensão social e laboral da transformação. A requalificação de trabalhadores, a adaptação de competências na cadeia de fornecimento e a previsibilidade regulatória influenciam diretamente o ritmo de investimento e a permanência de produção em território europeu, sobretudo num período em que a competição internacional se intensifica.
Atraso nas ajudas
Entretanto, Apostolos Tzitzikostas, Comissário Europeu para os Transportes, indicou recentemente que o pacote de medidas de apoio à indústria automóvel - inicialmente previsto para 10 de dezembro - poderá ser adiado por “algumas semanas”.
De acordo com o comissário, apesar de a União Europeia (UE) estar a trabalhar “com muita dedicação” no documento, existe a possibilidade de o processo só ficar concluído no início de janeiro. “Ainda estamos a trabalhar nas propostas. Queremos apresentar um pacote automóvel que seja verdadeiramente abrangente e que cubra todos os aspetos necessários”, explicou.
A ACEA, que integra os diretores-executivos dos principais 16 construtores europeus de veículos, tem assumido um papel determinante no diálogo e nas negociações com a Comissão Europeia, procurando influenciar as decisões que irão definir o futuro do setor automóvel na Europa.
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