A Tesla poderá estar muito próxima de começar a disponibilizar Apple CarPlay em toda a sua gama. A notícia é avançada pela Bloomberg, que - com base numa fonte anónima - indica que a marca já se encontra a testar internamente a integração desta funcionalidade e que o lançamento público poderá acontecer em breve.
Desde que foi apresentado em 2014, o Apple CarPlay tornou-se praticamente um “padrão” nos automóveis novos e, para muitos condutores, é um fator decisivo na compra. Um estudo da McKinsey & Company, divulgado em 2023, concluía que quase metade dos compradores de automóveis novos, à escala global, não compraria um carro sem Apple CarPlay ou Android Auto.
Apesar dessa popularidade, a Tesla sempre evitou que os clientes pudessem espelhar o telemóvel no ecrã do carro, defendendo que a sua plataforma consegue entregar uma experiência de utilização superior sem recorrer a soluções externas. Ainda assim, basta uma visita a fóruns e páginas dedicadas à marca para perceber que muitos proprietários têm sido particularmente insistentes a pedir uma mudança de rumo - e, ao que tudo indica, a Tesla poderá finalmente estar a responder a essa pressão.
Tesla e Apple CarPlay: o que pode mudar para os utilizadores
Se esta integração se confirmar, é expectável que venha a aumentar a flexibilidade no uso diário, sobretudo para quem depende de aplicações específicas no iPhone (como navegação, música, podcasts ou mensagens) e prefere uma experiência consistente entre veículos. Também poderá ter impacto na perceção de valor para potenciais compradores que hoje colocam o CarPlay como requisito.
É igualmente provável que a disponibilização seja feita através de uma atualização remota, à semelhança do que a Tesla já faz com outras funcionalidades. Ainda assim, até existir confirmação oficial, ficam por esclarecer detalhes como eventuais limitações por modelo/ano, requisitos do iPhone e quais as aplicações e permissões suportadas na implementação final.
Porque é que só agora?
É do conhecimento público que a relação de Elon Musk com a Apple tem sido, no mínimo, turbulenta. Em várias ocasiões, o empresário criticou as regras e políticas associadas à App Store e terá também ficado incomodado com o facto de a Apple ter atraído - e, em alguns casos, contratado - engenheiros da Tesla para o projeto do Apple Car, que acabou por não avançar.
Ao mesmo tempo, há um contexto comercial impossível de ignorar: a Tesla está novamente focada em acelerar volumes de vendas, nomeadamente com o lançamento das versões Standard do Model Y e do Model 3 nos EUA. Segundo a Bloomberg, a adoção do Apple CarPlay poderá ser apenas uma entre várias medidas para captar a atenção de novos clientes e reduzir fricções na decisão de compra.
Como deverá funcionar a integração?
Tudo aponta para que a Tesla implemente o Apple CarPlay à sua maneira, alinhando-o com as regras e a filosofia do seu próprio sistema. De acordo com as informações partilhadas pela Bloomberg, o CarPlay surgirá numa janela integrada no software da Tesla - em vez de ocupar todo o ecrã, como acontece na maioria dos fabricantes.
A opção faz sentido, sobretudo porque no Model 3 e no Model Y não existe um painel de instrumentos tradicional. Elementos como velocidade e consumos são apresentados no ecrã central e, nestes dois modelos, esse mesmo ecrã agrega também funções críticas, como o seletor da caixa de velocidades e a função de imobilização do automóvel. Ou seja, dar ao CarPlay o controlo total do ecrã poderia comprometer a lógica de operação base do veículo.
A mesma fonte refere ainda que a Tesla estará a trabalhar apenas com a versão mais “clássica” do CarPlay, deixando de fora o novo CarPlay Ultra (mais envolvente e profundo na integração com o veículo). Esse CarPlay Ultra foi, por exemplo, testado por Diogo Teixeira no novo Aston Martin DBX S.
E as outras marcas que abandonaram o CarPlay?
A Tesla não é a única a ter optado por afastar o CarPlay da sua estratégia. Também a Rivian e a General Motors - incluindo Chevrolet, GMC, Buick e Cadillac - decidiram deixar de oferecer Apple CarPlay nos seus modelos. Fica a dúvida se, tal como poderá acontecer com a marca liderada por Elon Musk, também estas fabricantes poderão vir a reverter essa decisão no futuro.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário