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Quanto custa reparar um Bugatti Chiron acidentado

Carro desportivo azul e preto estacionado dentro de um showroom moderno com paredes de vidro.

A recuperação de superdesportivos “de sonho” depois de um acidente infeliz tem ganho cada vez mais visibilidade em várias plataformas. Ainda assim, faltava um protagonista de peso nesta tendência: um Bugatti Chiron.

Saído de Molsheim, este modelo é, para muitos, uma peça de arte sobre rodas - e um privilégio reservado a apenas 500 proprietários. Há um requisito implícito que todos partilham: não ter de olhar duas vezes para o saldo bancário.

Convém lembrar, antes de tudo, que a produção do Bugatti Chiron já foi concluída e não há unidades novas por encomenda. Quando era vendido novo, o preço base (sem impostos e sem extras) rondava 2,5 milhões de euros; a partir daí, era sempre a somar.

E a fatura não termina na compra. Afinal, não chega levar o hipercarro de Molsheim para casa e achar que o resto é “normal”. Uma pesquisa rápida na internet indica que uma revisão “básica” dificilmente fica abaixo dos 10 mil euros, um jogo de pneus pode aproximar-se dos 40 mil euros, e até a substituição de uma chave pode andar por volta dos 15 mil euros.

A pergunta que realmente baralha tudo é outra: e quando é preciso reparar um Bugatti Chiron acidentado? Aí, o cenário muda por completo - tanto pelos valores envolvidos como pela própria viabilidade de se fazer (ou não) qualquer intervenção.

Num dos seus vídeos mais recentes, o criador de conteúdos do YouTube Mat Armstrong mostra, na prática, quão dura pode ser a maratona de tentar comprar e recuperar um Bugatti Chiron sinistrado. Alerta de spoiler: não é simples…

Bugatti Chiron Pur Sport: um processo de custos absurdos

Para Mat Armstrong, a história arrancou quando soube que um Bugatti Chiron Pur Sport - uma edição limitada a 60 exemplares - tinha sofrido um acidente em Miami. O convite partiu do próprio dono do Chiron: viajar até aos EUA para ver o carro ao vivo antes de este seguir para leilão na Copart.

O que Armstrong encontrou combinava deslumbramento com aflição. A dianteira estava severamente danificada: os dois faróis partidos, o capô destruído, o para-choques dianteiro sem qualquer hipótese de recuperação e os sistemas de segurança acionados (incluindo os sacos insufláveis).

Apesar de o W16 de 8,0 litros ter ficado intacto, a estimativa para colocar este Bugatti Chiron novamente a circular é, no mínimo, esmagadora. Com muita fibra de carbono à mistura, só o par de faróis dianteiros pode atingir cerca de 150 mil euros - praticamente o preço de um Porsche 911 novo em Portugal - e cada guarda-lamas anda na mesma ordem de grandeza.

A lista continua: um capô novo pode custar 50 mil euros, e a emblemática moldura da grelha em ferradura da Bugatti tem um preço de 80 mil euros. E isto está longe de ser o fim. Segundo a seguradora, o total das peças necessárias para a reparação deste Bugatti Chiron Pur Sport ultrapassa 1,5 milhões de euros.

O verdadeiro entrave nem são as peças

Curiosamente, comprar componentes - por muito caros que sejam - até parece a parte menos complicada quando se percebe o que vem a seguir. Depois da visita de Mat Armstrong a Miami, a própria Bugatti enviou um especialista às instalações norte-americanas onde o carro estava, para o avaliar ao detalhe. O veredito do relatório foi categórico: perda total.

Ainda assim, por vias pouco transparentes nesse vasto ecossistema que é a internet, o Chiron acabou por aparecer em leilão na Copart. E, como seria de esperar, Armstrong colocou-se na linha da frente dos interessados. Só que, antes de dar um passo desta dimensão, é obrigatório pesar todos os riscos - e o maior deles chama-se Bugatti.

Depois de ter conhecimento do sucedido e de ter associado o número de identificação do veículo (VIN) a este caso, a marca francesa garante que não vende os componentes necessários à sua reparação. Mesmo tendo classificado esta unidade como perda total, se o proprietário quiser avançar com o restauro, a marca impõe uma condição: o trabalho terá de ser feito em Molsheim, pela própria Bugatti - quase como um renascimento - e, naturalmente, com custos elevadíssimos associados.

Vale ainda considerar um ponto frequentemente ignorado neste tipo de “projetos”: para além das peças, existe a questão do acesso a procedimentos, calibrações e validações. Num automóvel desta categoria, a segurança e a geometria estrutural dependem de tolerâncias e processos que nem sempre são replicáveis fora da rede oficial, sobretudo quando entram em jogo materiais como a fibra de carbono e componentes de integração complexa.

Do lado prático, há também implicações logísticas e legais: transporte internacional, seguros, documentação e inspeções (consoante o país) podem acrescentar tempo e custos. Em modelos exclusivos como o Bugatti Chiron, qualquer detalhe pode significar semanas - ou meses - de espera, mesmo que o orçamento pareça “simplesmente” alto.

Curiosidades deste Pur Sport (VIN e histórico)

Para lá do impacto financeiro, esta pesquisa revelou alguns detalhes curiosos - não diretamente ligados aos custos de reparar um Bugatti Chiron, mas suficientemente interessantes para merecerem destaque.

O Bugatti Chiron Pur Sport em causa ( VIN#VF9SC3V34MM795021 ) é um dos 60 Pur Sport produzidos e foi entregue ao primeiro proprietário, nos Estados Unidos, em 2021. O preço em novo foi de 3,6 milhões de dólares (cerca de 3,25 milhões de euros). A cor original - escondida sob a película violeta - era azul-marinho, com vários elementos em bronze.

O proprietário atual comprou o Bugatti Chiron no início deste ano com 3289 milhas ( 5293 km ) no odómetro, pagando seis milhões de dólares (aproximadamente 5,43 milhões de euros, ao câmbio atual). Em pouco mais de dois meses, conseguiu partir a asa traseira em carbono ao colocar-se em cima dela e, pouco depois, não evitou uma colisão na traseira de um mini-camião Suzuki de 1987, deixando o Chiron no estado em que se encontra hoje.

E agora: desistência ou “dador” de peças?

Para fechar, importa dizer que Mat Armstrong ainda não deitou a toalha ao chão nesta missão gigantesca de comprar e reparar um Bugatti Chiron. Mesmo que a marca de Molsheim não disponibilize os componentes necessários, existe uma alternativa que está a ser ponderada.

Em algum lugar, há outro Bugatti Chiron a precisar de reparações (vítima de vandalismo), e poderá servir como excelente dador de peças. Caso contrário, este Pur Sport pode estar condenado a um desfecho igualmente titânico - não muito distante do fim do navio com um nome bastante semelhante. Mais novidades em breve.

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