As os termómetros descem, a carteira sente o efeito inverso: o preço dos combustíveis prepara-se para subir. A entrada em novembro traz um agravamento para quem conduz um automóvel a gasolina, mas o impacto deverá ser ainda mais pesado para quem abastece a gasóleo.
Segundo as projeções do setor, a partir do início da próxima semana (3 de novembro), o gasóleo simples deverá encarecer 4,5 cêntimos por litro, enquanto a gasolina simples deverá aumentar 2 cêntimos por litro (fonte: ACP).
Esta subida mais acentuada não se explica, de forma direta, por uma valorização do Brent (referência no mercado europeu), uma vez que essa cotação tem vindo a recuar. O fator apontado é a apreciação do dólar, que se encontra perto de máximos de cerca de três meses. Como as matérias-primas - incluindo o petróleo - são negociadas em dólares, um dólar mais forte torna a compra mais cara, mesmo quando o preço da matéria-prima não está a subir.
Se estas estimativas se confirmarem, a partir de segunda-feira o preço médio do gasóleo simples deverá ficar em torno de 1,59 €/l, e o preço médio da gasolina simples deverá avançar para 1,705 €/l.
Os cálculos que suportam estas previsões baseiam-se nos valores publicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) - neste caso, os dados referentes a quinta-feira, 30 de outubro. Importa ainda sublinhar que os números divulgados pela DGEG já refletem os descontos aplicados pelas gasolineiras e também as medidas do Governo atualmente em vigor.
Ainda assim, estes montantes não correspondem necessariamente ao valor que encontrará em cada posto de abastecimento: tratam-se de médias indicativas. Na prática, os revendedores dispõem de autonomia para definirem os preços que considerarem.
Um ponto útil a reter é que o preço final ao público resulta de vários componentes - custo da matéria-prima, logística e distribuição, margens comerciais e, sobretudo, impostos. Por isso, pequenas alterações no câmbio ou na fiscalidade podem ter um efeito imediato no valor por litro, mesmo quando a cotação do petróleo não acompanha a mesma direção.
Também por esta razão, comparar postos pode fazer diferença: a variação entre marcas, localizações e campanhas é frequente. Sempre que possível, planear abastecimentos (por exemplo, evitando “encher” o depósito quando há uma atualização anunciada) pode ajudar a reduzir o impacto destas oscilações semanais.
Preço dos combustíveis: medidas do Governo em vigor
Mantêm-se ativas, desde 2022, as medidas do Governo destinadas a atenuar o aumento do preço dos combustíveis, incidindo sobretudo sobre o ISP.
Ao longo deste ano, o ISP aumentou 3 cêntimos por litro; contudo, devido à redução do valor da taxa de carbono, não se verificou um acréscimo da carga fiscal global aplicada aos combustíveis.
Deste modo, a soma dos chamados “descontos fiscais” representa uma redução de 17,6 cêntimos por litro no gasóleo e de 19,2 cêntimos por litro na gasolina.
Para o próximo ano, é apontada a possibilidade de nova pressão em alta no preço dos combustíveis, depois de Bruxelas ter solicitado a Portugal o fim do “bónus” no ISP. Esse efeito poderá traduzir-se num impacto até 8 euros por depósito. Até ao momento, não foram comunicadas alterações.
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