Num comunicado divulgado pelo Quartel-General da Armada Espanhola, foi sublinhado que, à data, a força naval tem a totalidade das suas fragatas F-80 da classe Santa María empenhada em diferentes cenários operacionais, dentro e fora do país. A decisão evidencia a capacidade de projecção e de sustentação naval, com as seis unidades da 41.ª Esquadrilha de Escoltas a operar em simultâneo em exercícios da NATO, missões reais de segurança marítima e fases avançadas de certificação para combate, cobrindo áreas estratégicas que se estendem do oceano Índico ao mar do Norte.
De acordo com o Quartel-General da Armada, trata-se de um quadro operacional pouco comum para esta esquadrilha, por exigir geração de força sustentada em vários teatros ao mesmo tempo. No total, mais de 1.200 militares integram as guarnições das seis fragatas, depois de cumprirem períodos de aprontamento, treino individual e colectivo e certificações que asseguram o nível máximo de prontidão antes de cada destacamento.
Seis fragatas F-80 classe Santa María em teatros distintos: NATO, UE e certificação para combate
Atlântico Norte: “Santa María” no exercício “Dynamic Mariner–Joint Warrior 26”
No Atlântico Norte, a fragata Santa María navega para se integrar no exercício “Dynamic Mariner–Joint Warrior 26”, considerado um dos cenários mais exigentes do calendário aliado. A força envolvida inclui 25 navios de superfície, três submarinos e três aeronaves de patrulha marítima, além de outros meios embarcados.
Para a unidade, o exercício assinalará um marco relevante: a primeira travessia do Círculo Polar Árctico, depois de uma preparação técnica específica destinada a garantir operação em condições de frio extremo.
Mediterrâneo central: “Navarra” em “Dynamic Manta” e “Reina Sofía” no MARFIBEX-26
No Mediterrâneo central, a fragata Navarra participa no exercício “Dynamic Manta”, referência aliada em guerra anti-submarina. Em paralelo, a Reina Sofía integra o treino MARFIBEX-26, em conjunto com o Grupo Anfíbio e de Projecção da Esquadra, reforçando a componente expedicionária e a coordenação entre meios de superfície e forças anfíbias.
Oceano Índico: “Canarias” mantém-se na operação “Atalanta” da União Europeia
Estas actividades decorrem em simultâneo com operações reais. A fragata Canarias continua destacada na operação “Atalanta” da União Europeia, orientada para o combate à pirataria no oceano Índico e para a protecção do tráfego marítimo em rotas críticas.
Regresso ao Mediterrâneo: “Victoria” liga “Atalanta” às missões NATO “Sea Guardian” e “Noble Shield”
A fragata Victoria, por seu lado, regressou recentemente ao Mediterrâneo após mais de quatro meses no oceano Índico. Durante a sua integração na operação “Atalanta”, teve intervenção na libertação das tripulações do mercante Hellas Aphrodite e do dhow usado por piratas como navio-mãe. No total, 47 pessoas foram libertadas ou resgatadas.
No trânsito de regresso, e após uma escala técnica em La Valeta, o navio passou a integrar as operações da NATO “Sea Guardian” e “Noble Shield”, estabelecendo uma ponte directa entre a missão europeia de segurança marítima e o quadro de defesa colectiva aliado.
Certificação: “Numancia” em Calificação Operativa para o Combate
O quadro de empenhamento simultâneo completa-se com a fragata Numancia, que se encontra actualmente em processo de Calificação Operativa para o Combate, a fase final antes de alcançar a plena disponibilidade operacional.
“É um feito muito significativo conseguir destacar as seis fragatas em simultâneo, em cenários e localizações tão diferentes”, afirmou o capitão-de-mar-e-guerra Rafael Mira Calvo, comandante da 41.ª Esquadrilha de Escoltas, acrescentando que esta realidade constitui um sinal claro da capacidade da Armada para assegurar a preparação da força.
Capacidades, interoperabilidade e o desafio do sustentamento
Com mais de três décadas de serviço, as fragatas F-80 preservam valências em guerra de superfície e anti-submarina, missões de interdição marítima e defesa face a drones. Estas capacidades complementam as fragatas F-100, optimizadas para a defesa aérea da força, que também se encontram totalmente destacadas, conforme foi noticiado em fevereiro.
A manutenção de toda a classe em operações ao mesmo tempo representa um teste exigente à planificação, ao apoio logístico e à disponibilidade de sobressalentes. Este esforço enquadra-se no Plano Logístico iniciado em 2022, com horizonte em 2027, concebido para reforçar o sustentamento e a modernização destas unidades na fase final do seu ciclo de vida operacional.
A dispersão geográfica - do Árctico ao Índico - exige ainda elevados níveis de interoperabilidade, comunicações seguras e rotinas de coordenação com parceiros da NATO e da União Europeia, sobretudo quando exercícios avançados decorrem em paralelo com missões reais. Nestes contextos, a certificação e o treino colectivo assumem um papel determinante para garantir procedimentos comuns, resposta rápida a incidentes e integração eficaz em forças multinacionais.
Do ponto de vista humano, a geração sustentada de força assenta também na gestão de guarnições e no equilíbrio entre tempos de mar e períodos de recuperação, especialmente em navios com grande rotação operacional. A prontidão alcançada reflecte, por isso, tanto a preparação técnica e táctica como a capacidade de manter equipas coesas e operacionais ao longo de destacamentos prolongados.
Imagens obtidas da Armada Espanhola.
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