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Itália pondera enviar sistemas antiaéreos **SIDAM 25** para reforçar a defesa aérea da Ucrânia

Dois soldados em uniforme de camuflagem junto a tanque militar e mesa com mapa e equipamento de radar.

A Itália estará a avaliar a possibilidade de transferir para a Ucrânia sistemas antiaéreos SIDAM 25, o que representaria um novo reforço na rede de defesa aérea ucraniana, sobretudo contra ameaças de curto alcance. O sistema é instalado num veículo blindado M113. De acordo com informações de fonte aberta (OSINT), a quantidade potencialmente disponibilizada poderá ser suficiente para equipar até três baterias, embora continue por esclarecer quantas unidades acabariam, de facto, por ser entregues às Forças Armadas da Ucrânia.

O que está em causa: sistemas completos ou componentes do SIDAM 25?

Segundo meios de comunicação ucranianos, a Itália já tinha enviado anteriormente veículos M113 para Kyiv no âmbito de pacotes de assistência militar. Contudo, esses exemplares teriam sido adaptados para funcionarem apenas como transporte de tropas, sem o conjunto antiaéreo instalado. Esta circunstância alimentou dúvidas sobre a intenção italiana: transferir SIDAM 25 completos ou, em alternativa, apenas componentes que tinham sido removidos nesses M113.

Disponibilidade e estado dos SIDAM 25: números e incertezas

Convém recordar que a Itália fabricou cerca de 275 sistemas SIDAM 25, com início de produção na década de 1980. O período de utilização em serviço italiano foi relativamente curto e, segundo informações divulgadas, uma parte muito significativa - aproximadamente 200 unidades - foi transferida para as Forças Armadas da Bélgica. Isto reduz substancialmente o número que poderia estar disponível para a Ucrânia, sobretudo se se tiver em conta a eventual remoção prévia de componentes.

Acresce que existem incógnitas relevantes quanto ao estado actual dos sistemas remanescentes, atendendo à idade do material - um ponto que não é clarificado pelas fontes que tornaram pública esta possibilidade de transferência.

Capacidades técnicas do SIDAM 25 (M113) na defesa aérea de curto alcance

Do ponto de vista técnico, cada SIDAM 25 integra uma torre antiaérea com quatro canhões Oerlikon KBA de 25 mm, montados no chassis M113. Cada peça pode transportar até 150 munições antes de necessitar de recarregamento. O sistema inclui sensores electro-ópticos e um telêmetro laser para melhorar a precisão do tiro.

Em contrapartida, não dispõe de radar integrado para detecção de alvos. Por essa razão, o SIDAM 25 adequa-se mais a defesa de ponto - por exemplo, protecção de infra-estruturas críticas ou de posições específicas na linha da frente - do que a uma cobertura alargada do espaço aéreo.

Um factor adicional a considerar é a integração operacional: para tirar melhor partido de um sistema sem radar orgânico, torna-se particularmente importante a ligação a redes de vigilância e alerta existentes (sensores externos e partilha de pistas), bem como procedimentos bem definidos de identificação e atribuição de alvos em ambiente de elevada densidade de drones e munições de ataque.

Modernização em Itália: Skynex da Rheinmetall substitui capacidades mais antigas

No caso italiano, importa também notar que estas capacidades estão a ser modernizadas através da aquisição de sistemas de defesa aérea Skynex, fornecidos pela Rheinmetall e destinados ao Exército Italiano. O Skynex utiliza um canhão Revolver Mk.3 de 35 mm, com cadência até 1 000 disparos por minuto, capaz de empenhar alvos a distâncias até 4 km.

Conforme noticiado anteriormente, o sistema foi concebido para operar em conjunto com radares XTAR 3D da Rheinmetall, permitindo detecção de ameaças a distâncias que podem chegar aos 50 km.

Ucrânia: o SIDAM 25 somar-se-ia a novos reforços, incluindo o Tridon Mk2

Voltando ao contexto ucraniano, importa sublinhar que o SIDAM 25 não seria o único sistema de defesa aérea de curto alcance esperado num futuro próximo. A Suécia e a Dinamarca já anunciaram planos para doar novos sistemas Tridon Mk2, com o objectivo de reforçar a capacidade da Ucrânia para contrariar ataques de drones russos, com um número de unidades suficiente para equipar um batalhão.

A plataforma, fabricada pela BAE Systems, recorre a um canhão de 40 mm com alcance aproximado de 12 km e pode ser instalada na caixa de um camião, aumentando a mobilidade.

Em paralelo com a entrega de sistemas, a eficácia no terreno depende também de aspectos práticos como a formação de guarnições, a disponibilidade de munições compatíveis, a manutenção de componentes e a criação de uma cadeia de abastecimento robusta para manter as unidades operacionais durante períodos prolongados de emprego intensivo.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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