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Itália prepara doação do porta-aviões Garibaldi à Marinha da Indonésia para desbloquear contratos de 1 530 milhões de euros

Cinco oficiais navais a analisar mapas numa doca com navio militar e helicóptero ao fundo.

O governo italiano deu mais um passo para viabilizar a transferência do porta-aviões Garibaldi para a Marinha da Indonésia, ao remeter ao Parlamento um decreto destinado a facilitar a operação. A iniciativa está desenhada sob a forma de doação, sem custos directos para o país do Sudeste Asiático.

Na perspectiva de Roma, esta decisão poderá abrir caminho para um pacote de encomendas por parte de Jacarta superior a 1 530 milhões de euros, ligado à compra de novas aeronaves e submarinos integrados nos planos de modernização de capacidades em curso na Indonésia.

Cooperação industrial Itália–Indonésia após as fragatas PPA

O documento citado pelo Governo sublinha a dimensão industrial e económica da aproximação entre os dois países, recordando que a recente venda à Indonésia de duas unidades navais da classe PPA, por um valor total aproximado de 1 250 milhões de dólares, criou uma linha de cooperação industrial considerada particularmente relevante - e passível de ser reforçada com a transferência do Garibaldi, gerando benefícios para o tecido industrial italiano.

“Do ponto de vista industrial e económico, a recente venda à Indonésia de duas unidades navais da classe PPA, por um valor total aproximado de 1 250 milhões de dólares, abriu uma via de cooperação industrial especialmente significativa. Isto poderia reforçar-se ainda mais com a transferência do navio Garibaldi, com potenciais benefícios económicos para o sistema industrial nacional.”

Submarinos classe DGK, aeronaves Leonardo M-346 e patrulha marítima: as encomendas em cima da mesa

Seguindo essa lógica, o decreto aponta para várias possibilidades de contratos associados:

  • Até seis novos submarinos da classe DGK, a fabricar pela DRASS em Livorno, exigindo um investimento superior a 480 milhões de euros.
  • No domínio da aviação, encomendas até 600 milhões de euros adicionais para o fornecimento de aeronaves Leonardo M-346.
  • Ainda no sector aeronáutico, a produção de aviões de patrulha marítima poderia acrescentar mais 450 milhões de euros.

Em paralelo, o Garibaldi exigiria trabalhos de preparação e actualização antes de entrar ao serviço, uma intervenção que poderia ser realizada pela Fincantieri, empresa que desde 2025 tem vindo a impulsionar a sua candidatura para executar esse processo.

Vida útil do porta-aviões Garibaldi e proposta de reconversão em porta-drones (Fincantieri)

Sobre o estado do navio, o responsável comercial da Unidade de Negócios Navais, Mauro Manzini, já tinha indicado que o Garibaldi ainda dispõe de uma vida útil passível de se estender por mais 15 a 20 anos, encontrando-se em bom estado, apesar do reacondicionamento necessário.

A Fincantieri avançou também com a hipótese de reconverter a plataforma num porta-drones, proposta que ajudaria a enquadrar a maqueta apresentada durante a exposição Indodefence, realizada em Jacarta em 2025.

Emprego humanitário do Garibaldi e limitações operacionais para uso ofensivo

Apesar do potencial associado à plataforma, o Ministério da Defesa da Indonésia afirmou recentemente que não pretende utilizar o porta-aviões Garibaldi em operações ofensivas. Em vez disso, a prioridade seria empregá-lo como plataforma de assistência de emergência em cenários de catástrofes naturais e noutras missões humanitárias de natureza semelhante.

Esta orientação remete para limitações práticas que a Marinha do país poderá enfrentar, tanto na capacidade de operar o navio de forma contínua como na integração de aeronaves de combate que lhe conferissem uma capacidade ofensiva relevante - ainda que, mesmo assim, a Indonésia passasse a integrar o grupo restrito de países da região com um activo deste tipo.

Desafios de integração: tripulações, doutrina e sustentabilidade

Para além das decisões políticas e dos contratos industriais, a incorporação de um navio com a dimensão e complexidade do Garibaldi exige investimento prolongado em formação de tripulações, doutrina de emprego, manutenção e cadeia logística. Isto inclui a adaptação de procedimentos de operações aéreas, segurança de voo, gestão de sobressalentes e ciclos de disponibilidade em doca, factores que influenciam directamente a capacidade de manter o navio operacional ao longo do tempo.

Outro ponto crítico é a compatibilização do navio com as prioridades estratégicas indonésias, incluindo a coordenação com meios anfíbios, navios de escolta e capacidades de busca e salvamento. Num perfil centrado em ajuda humanitária, a plataforma pode ganhar valor ao actuar como centro de comando, hospital de campanha e base de helicópteros e drones para reconhecimento e apoio a populações afectadas.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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