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Programa F/A-XX: a Marinha dos EUA estreita opções entre Boeing e Northrop Grumman e garante mais de 750 milhões de dólares

Dois homens em uniforme militar discutem junto a um avião de caça num porta-aviões ao pôr do sol.

No âmbito do esforço de modernização da sua aviação naval, a Marinha dos EUA deu a entender que o programa de aeronaves de sexta geração F/A-XX está a entrar numa fase decisiva, com dois possíveis fabricantes a permanecerem na corrida: Boeing e Northrop Grumman. Esta sinalização surge na sequência da Lei de Reconciliação, aprovada no ano passado, que contemplou uma despesa total de 152 mil milhões de dólares e prepara o ramo naval para receber e aplicar mais de 750 milhões de dólares destinados a apoiar a selecção final e a impulsionar o projecto - apesar de o programa já acumular vários meses de atraso.

Financiamento do F/A-XX e o que a Lei de Reconciliação pretende viabilizar

Segundo o texto legal, os 750 milhões de dólares atribuídos à Marinha dos EUA “asseguram financiamento para apoiar a decisão crucial sobre o F/A-XX. Os fundos apoiarão iniciativas críticas de concepção, redução de riscos e desenvolvimento tecnológico para cumprir os requisitos operacionais”. Ainda assim, continua por clarificar quando a Marinha tomará essa decisão, um ponto relevante porque o montante tem de ser utilizado dentro do prazo definido por lei - até Setembro de 2029.

Obstáculos políticos e pressão sobre a indústria: F/A-XX vs. F-47 (Força Aérea dos EUA)

Importa recordar que o F/A-XX tem enfrentado entraves significativos associados à Casa Branca, sobretudo por preocupações relacionadas com a capacidade da indústria aeroespacial norte-americana para produzir, em paralelo, o F/A-XX e o F-47, aeronave que deverá equipar a Força Aérea dos EUA.

Em simultâneo, o Pentágono procura avançar com a aquisição de novas aeronaves de ataque de longo alcance, bem como de plataformas de combate não tripuladas colaborativas (capazes de operar em equipa com aeronaves tripuladas) para reforçar as capacidades dos futuros caças de sexta geração.

Concorrentes do F/A-XX: Lockheed Martin fica de fora; Boeing e Northrop Grumman continuam

Até ao momento, o processo de selecção eliminou de forma definitiva a Lockheed Martin como candidata a fabricar o futuro F/A-XX da Marinha dos EUA. Tal como foi noticiado em Março de 2025, a proposta da empresa não cumpriu os requisitos definidos para vencer o concurso do contrato de desenvolvimento do caça que deverá substituir os F/A-18 Super Hornets actualmente operados pelos Grupos de Ataque de Porta-Aviões da Marinha.

Esta exclusão representou um revés expressivo para uma empresa que, nos últimos anos, teve um papel dominante em aquisições recentes de aeronaves de combate nos EUA.

Alívio orçamental após desvios de verbas e limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal

A injecção financeira agora prevista constitui um alívio para o programa F/A-XX, sobretudo porque, no pedido orçamental para o ano fiscal de 2025, a Marinha decidiu redireccionar quase mil milhões de dólares que estavam inicialmente destinados ao desenvolvimento do F/A-XX para outros projectos em curso.

Este movimento tornou evidente o impacto da Lei de Responsabilidade Fiscal e das suas restrições sobre programas militares, bem como as elevadas exigências colocadas à Marinha dos EUA para conduzir, em simultâneo, o desenvolvimento de múltiplos programas de grande dimensão.

Requisitos operacionais do F/A-XX e implicações para a aviação embarcada

Sendo um caça destinado a operar a partir de porta-aviões, o F/A-XX deverá responder a requisitos operacionais específicos da aviação embarcada - desde a integração com o ambiente de operações do porta-aviões até às exigências de prontidão e sustentabilidade em missões prolongadas. Estas necessidades tendem a pressionar o desenho, a maturidade tecnológica e o calendário de desenvolvimento, factores que ajudam a explicar a ênfase na redução de riscos e na validação tecnológica antes da decisão final.

Em paralelo, a aposta do Pentágono em plataformas de combate não tripuladas colaborativas sugere que o F/A-XX será concebido para actuar em rede e coordenar efeitos com sistemas não tripulados, reforçando alcance, persistência e capacidade de sobrevivência - um elemento crítico num cenário em que a Marinha procura manter vantagem operacional com os seus futuros caças de sexta geração.

Imagens utilizadas para fins ilustrativos.

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