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Os helicópteros AH-1Z Viper dos Fuzileiros vão ser equipados com o míssil de cruzeiro Red Wolf da L3Harris.

Helicóptero militar a disparar sobre o mar com navio de guerra ao fundo perto da costa.

Os helicópteros de ataque AH-1Z Viper do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) vão passar a contar com o míssil de cruzeiro Red Wolf da L3Harris, no âmbito de um novo contrato atribuído pelo Departamento da Marinha dos EUA (U.S. Department of the Navy). Com esta integração, pretende-se reforçar a capacidade de ataque e a sobrevivência das aeronaves de asa rotativa em cenários terrestres e marítimos, aumentando o alcance e a precisão contra ameaças avançadas.

Contrato PASM: Red Wolf nos AH-1Z Viper para aumentar alcance e precisão

A 30 de janeiro, o Departamento da Marinha comunicou a adjudicação de um contrato de 86,2 milhões de dólares à L3Harris Technologies para a Munição de Ataque de Precisão (Precision Attack Strike Munition, PASM), elemento central desta iniciativa. O programa visa dotar o USMC de uma arma com maior alcance e maior precisão, capaz de produzir efeitos cinéticos e não cinéticos a partir de helicópteros AH-1Z, tanto em operações terrestres como em operações embarcadas.

Resultados da JCTD e a Munição de Ataque de Longo Alcance (LRAM)

Nos últimos anos, o Corpo de Fuzileiros Navais conduziu uma Demonstração Conjunta de Tecnologia de Capacidades (Joint Capability Technology Demonstration, JCTD) associada à Munição de Ataque de Longo Alcance (Long-Range Attack Munition, LRAM). Os ensaios confirmaram que aeronaves de asa rotativa, a operar a baixa altitude, conseguem executar missões ofensivas de guerra anti-superfície e de ataque marítimo. Estas conclusões tiveram peso na decisão de avançar para a formalização do contrato agora anunciado.

PEO (U&W), PMA-242 e o modelo OTA para acelerar protótipos

Segundo o contra-almirante Tony Rossi, responsável pela Program Executive Office for Unmanned Aviation and Strike Weapons (PEO (U&W)), “temos orgulho em estabelecer parceria com a L3Harris Technologies para disponibilizar um sistema que dará uma vantagem decisiva aos pilotos do Corpo de Fuzileiros Navais e apoiará as suas missões em todo o mundo”.

O contrato foi atribuído pela equipa de Armas de Ataque Directo e Sensível ao Tempo (PMA-242) ao abrigo de um Other Transaction Agreement/Authority (OTA), um mecanismo contratual frequentemente usado para reduzir prazos e agilizar o desenvolvimento e a incorporação de protótipos.

A capitã Lindsey Buzzell, gestora do programa PMA-242, sublinhou que “o uso de um contrato OTA é uma parte fundamental desta estratégia, concebida para prototipar e colocar rapidamente no terreno uma capacidade essencial para operações em ambientes contestados e contra adversários avançados”. De acordo com o plano definido, a L3Harris terá de fornecer todas as unidades, bem como manuais, sistemas de treino, equipamentos de apoio e equipamentos de teste para os AH-1Z até ao final do ano fiscal de 2027.

Integração operacional e implicações para operações terrestres e embarcadas

A introdução do Red Wolf nos AH-1Z Viper tende a alterar a forma como estas plataformas contribuem para a manobra conjunta: ao permitir engajamentos a maior distância, o helicóptero pode actuar com menor exposição a defesas aéreas e a fogos de contra-bateria no litoral e em profundidade. Em paralelo, a disponibilidade de efeitos cinéticos e não cinéticos alarga o leque de respostas, desde a neutralização directa até à criação de janelas de oportunidade para forças amigas através de efeitos sobre sensores, comunicações ou coordenação inimiga.

Do ponto de vista prático, a incorporação de uma nova munição implica também ajustes em procedimentos e sustentação: qualificação de tripulações, pacotes de treino, rotinas de manutenção, equipamentos de teste e validação de integração com sistemas já existentes a bordo. Estes aspectos, explicitamente incluídos nas entregas previstas, são determinantes para que a capacidade não se limite a uma demonstração tecnológica, mas se traduza em emprego consistente em missão.

Esforços paralelos da L3Harris: OA-1K Skyraider II, AFSOC e USAF

Em complemento, a L3Harris tem igualmente promovido a integração de capacidades semelhantes noutras plataformas, incluindo o OA-1K Skyraider II, destinado ao Air Force Special Operations Command (AFSOC). Ao longo de 2025, esta aeronave foi alvo de críticas quanto à sua utilidade em conflitos de alta intensidade, num contexto em que a Força Aérea dos EUA (USAF) reduziu encomendas e prevê incorporar seis unidades no ano fiscal de 2026. Perante este enquadramento, a empresa intensificou esforços para reforçar as perspectivas operacionais do Skyraider II, incluindo a possível integração de mísseis como o Red Wolf, procurando aumentar a sua relevância em cenários actuais.

Imagens meramente ilustrativas.

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