A Lockheed Martin, empresa norte-americana, anunciou em comunicado que deu início à montagem final do primeiro dos 35 novos caças furtivos F-35 destinados à Força Aérea da Alemanha, depois de a aeronave ter avançado na linha de produção da fábrica de Fort Worth, no Texas. O F-35A Lightning II foi içado por uma grua aérea até à estação onde a montagem será concluída - um marco relevante para o programa com que Berlim pretende modernizar as suas capacidades aéreas e substituir os seus aviões Panavia Tornado.
Montagem final do F-35A Lightning II: estrutura, alinhamento e integração de sistemas
A célula entrou nesta etapa com o peso já assente no trem de aterragem e com as quatro secções principais - as asas e as partes dianteira, central e traseira da fuselagem - previamente montadas. Estes elementos foram unidos através de um sistema electrónico de alinhamento com tecnologia laser, concebido para garantir elevada precisão estrutural.
Durante esta fase serão integrados o motor, as superfícies de controlo e os sistemas finais. Seguem-se afinações e verificações que antecedem o arranque dos ensaios do conjunto.
Marcos do programa em Fort Worth e produção de componentes em Marietta
Este progresso surge após a visita do secretário de Estado alemão, Nils Hilmer, que, em Novembro do ano passado, assinou simbolicamente a antepara da fuselagem dianteira durante uma cerimónia na mesma unidade de Fort Worth. Esta aeronave integra o primeiro lote de oito unidades a ser construído nesta instalação.
Entretanto, a produção de componentes de maior dimensão para a frota alemã arrancou em Dezembro de 2024 na fábrica de Marietta, no estado da Geórgia. Segundo a Lockheed Martin, os trabalhos continuam a evoluir dentro dos prazos planeados.
Pintura, revestimento furtivo e calendário até ao primeiro voo
Após a conclusão da montagem principal, o caça seguirá para pintura e acabamento final, incluindo a aplicação do revestimento furtivo - um passo indispensável antes do primeiro voo, que a empresa estima ocorrer também ao longo de 2026. Está igualmente prevista, para este ano, uma cerimónia oficial de apresentação.
No total, a Alemanha tem 35 aeronaves F-35A comprometidas. As primeiras oito serão destacadas para a Base da Guarda Nacional Aérea de Ebbing, em Fort Smith, no Arkansas, onde será realizada a formação inicial de pilotos. Este percurso integra o modelo de cooperação operacional estabelecido com os Estados Unidos.
Capacidades de quinta geração e interoperabilidade na Europa com o F-35A
A entrada do F-35A ao serviço dotará a Força Aérea da Alemanha de capacidades avançadas típicas da quinta geração, incluindo furtividade, sensores melhorados e fusão de informação em rede. De acordo com a Lockheed Martin, estas valências reforçam a segurança nacional e asseguram a interoperabilidade com parceiros-chave, num contexto europeu em que a presença do F-35A continua a aumentar.
O fabricante defende ainda que o sistema proporcionará um nível de dissuasão ajustado a ameaças emergentes no ambiente estratégico europeu, alinhando-se com necessidades operacionais crescentes e com a cooperação entre aliados.
Para além do avião em si, a adopção do F-35A implica normalmente um esforço paralelo de preparação: actualização de infra-estruturas, rotinas de manutenção e qualificação técnica, bem como a adaptação de processos para operar um sistema altamente dependente de integração de sensores e de partilha segura de dados. Estes elementos tendem a ser decisivos para transformar a entrega de aeronaves em capacidade operacional efectiva.
A expansão do F-35A na Europa também tem efeitos práticos na cooperação: maior convergência em treino, tácticas e procedimentos, e mais facilidade em operar em conjunto em missões combinadas. Em termos estratégicos, a uniformização parcial de plataformas pode simplificar a coordenação, embora aumente a importância de garantir resiliência logística e disponibilidade sustentada ao longo do ciclo de vida.
FCAS e debate interno na Alemanha sobre compras adicionais
O programa alemão decorre igualmente num quadro marcado por discussões internas sobre o futuro do FCAS, a iniciativa franco-alemã orientada para o desenvolvimento de um caça de sexta geração. Em Fevereiro de 2026, fontes citadas pela Reuters indicaram que Berlim estaria a ponderar a aquisição de F-35A adicionais. Contudo, um porta-voz do governo afirmou: “Não há planos e não há qualquer decisão”, enquanto o Ministério da Defesa declarou não existirem “planos concretos nem decisões políticas” para uma compra extra.
Estas posições ilustram como o avanço do F-35A continua a influenciar escolhas estratégicas e orçamentais da Alemanha com vista à próxima década, num equilíbrio entre necessidades imediatas de modernização e investimentos em programas futuros.
Imagens obtidas a partir de Lockheed Martin.
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