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Exercício de Operações Especiais **Atlantic Dagger** (*Daga Atlântica*) pode ser alterado devido à crise entre os Estados Unidos e o Irão

Soldados americanos em uniforme camuflado planeiam estratégia com mapas e miniaturas de navios e aviões numa sala.

A escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão está a introduzir incerteza no Exercício de Operações Especiais Atlantic Dagger, inicialmente projectado como uma das principais iniciativas de cooperação militar entre forças argentinas e norte‑americanas em 2026. O Governo argentino reconhece que o planeamento de base terá de ser revisto e não afasta a hipótese de cancelamento, ficando a decisão final dependente das opções de Washington no actual contexto de instabilidade no Médio Oriente.

Córdoba mantém-se como local previsto, mas o formato ainda está em aberto

Para já, o cenário de referência mantém a província de Córdoba como palco do exercício, embora a concretização - e até a configuração operacional - possa sofrer alterações. Chegou a ser ponderada a participação do Presidente Javier Milei e do Ministro da Defesa, Tenente‑General Presti, em algumas actividades, mas a agenda permanece por fechar.

Segundo fontes oficiais, o desenho final da operação continua em avaliação e será condicionado tanto pela disponibilidade de meios (aéreos, terrestres e de apoio) como pela evolução da situação internacional nas próximas semanas.

Negociações apontam para uma versão reduzida do Atlantic Dagger (Daga Atlântica)

Nos bastidores, as conversações já reflectem um quadro mais limitado do que o previsto no conceito inicial. Os Estados Unidos terão reduzido parte do financiamento planeado e, nesta fase, a presença norte‑americana em território argentino poderá ficar abaixo de 160 militares, um número significativamente inferior às estimativas preliminares. Este ajuste responde, em grande medida, à necessidade de priorizar recursos noutros teatros e áreas estratégicas, impactando directamente a dimensão e a ambição do exercício combinado.

Para a Argentina, esta eventual redução implica repensar a distribuição de tarefas, as janelas de treino e a integração de capacidades, garantindo que os objectivos essenciais - treino conjunto e validação de procedimentos - se mantêm, ainda que com menor escala.

Enquadramento de cooperação e objectivos de interoperabilidade

O Atlantic Dagger, também referido como Daga Atlântica, integra um quadro de cooperação formalizado em Março de 2025, através de um memorando de entendimento entre o Comando Conjunto de Operações Especiais da Argentina e a estrutura homóloga dos Estados Unidos. A iniciativa procura:

  • Reforçar a interoperabilidade entre as duas forças;
  • Promover a troca de especialistas e de experiência operacional;
  • Consolidar procedimentos comuns em operações especiais, alinhados com padrões internacionais.

Além do treino táctico, exercícios desta natureza têm frequentemente um efeito de padronização em áreas menos visíveis, como comunicações, evacuação médica, coordenação inter‑ramos e regras de segurança, factores que tendem a determinar o sucesso (ou fracasso) de operações complexas.

Conceito original: meios, unidades e capacidades previstas

Na concepção inicial, estava previsto um destacamento expressivo de pessoal e meios. Do lado dos Estados Unidos, foi considerada a participação de unidades de elite, incluindo:

  • Boinas Verdes do Exército;
  • O Comando de Operações Especiais da Força Aérea;
  • Elementos do Comando de Operações Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais.

Em termos de plataformas, foram avaliados meios como:

  • Aviões de transporte estratégico C‑17 Globemaster III e C‑130 Hercules;
  • Helicópteros UH‑60 Black Hawk;
  • Viaturas tácticas Oshkosh JLTV;
  • Sistemas não tripulados.

Também chegou a ser referida a possível presença do avião de apoio de fogo AC‑130J “Cavaleiro Fantasma”, o que representaria um marco por poder constituir a sua primeira deslocação ao país.

Do lado argentino, era antecipada a participação de:

  • Companhias de comandos do Exército;
  • Unidades de operações especiais da Força Aérea;
  • Elementos anfíbios da Marinha.

Reconfiguração do exercício e alinhamento político-militar Argentina–Estados Unidos

A provável reconfiguração do Atlantic Dagger insere-se num processo mais amplo de alinhamento político e militar entre a Argentina e os Estados Unidos, reforçado recentemente por encontros bilaterais em Washington liderados pelo Ministro Presti, com foco na cooperação em defesa.

Para além do treino em si, a forma final do exercício - seja plena, reduzida ou cancelada - funcionará também como um indicador do grau de prioridade que ambos os países atribuem, no curto prazo, à agenda de cooperação em operações especiais face a outras exigências estratégicas.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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