A Excalibur Army revelou, através de uma breve nota publicada nas suas redes sociais, que uma comissão do Exército dos Estados Unidos se deslocou à República Checa para avaliar o obus autopropulsado Morana de 155 mm e, em paralelo, analisar possíveis vias de cooperação com a empresa na área do fabrico de munições. De acordo com a informação disponível, o pessoal norte-americano visitou as linhas de produção e teve contacto directo com uma unidade do sistema, de modo a observar as suas características de forma imediata e detalhada.
Visita industrial e demonstração no terreno do obus autopropulsado Morana de 155 mm
Segundo foi indicado, a delegação do Exército dos EUA aproveitou a deslocação para acompanhar o funcionamento da linha de montagem e para conhecer outros produtos do portefólio da Excalibur Army. O programa incluiu ainda uma demonstração em ambiente de campo das capacidades do obus autopropulsado Morana de 155 mm, com a realização de disparos reais num campo de provas da própria empresa, o que permitiu verificar o desempenho em condições operacionais.
Contexto: substituição dos M777 e o fim do programa ERCA
Este tipo de avaliação ganha particular relevância num momento em que o Exército dos Estados Unidos está a estudar potenciais substitutos para os seus actuais obuses M777. O plano de substituição directa ficou condicionado após o cancelamento do programa Extended Range Cannon Artillery (ERCA), o que levou a força a intensificar a procura e a avaliação de alternativas já testadas e disponíveis no mercado, bem como de alguns modelos ainda em desenvolvimento, com o objectivo de avançar posteriormente para uma aquisição.
Do lado norte-americano, analistas referem que o US Army poderá atribuir os primeiros contratos antes do próximo mês de Julho, embora continue a não existir, até ao momento, uma lista oficial de concorrentes divulgada pelo Pentágono.
Concorrência internacional e alternativas em análise
Conforme noticiado em 2024, a proposta promovida pela Excalibur Army enfrenta a concorrência de vários sistemas. Entre eles, destaca-se o Archer de 155 mm impulsionado pela BAE Systems. Informações mais recentes indicam igualmente movimentações por parte da empresa alemã Rheinmetall, do grupo europeu KNDS, da subsidiária Elbit Systems USA e da sul-coreana Hanwha Systems, cada uma a posicionar os seus próprios modelos no mesmo espaço competitivo.
Características principais do Morana
Enquanto se aguardam detalhes adicionais, é útil rever alguns pontos-chave do obus autopropulsado Morana de 155 mm. O seu elemento central é o canhão de 155 mm, instalado na secção traseira de um chassis, solução que visa combinar mobilidade táctica com capacidade de fogo.
Um aspecto particularmente relevante é a presença de um sistema de carregamento totalmente automático, que reduz o esforço e simplifica o trabalho dos três militares necessários para operar a plataforma: condutor, comandante e artilheiro. Na variante padrão, o sistema dispõe ainda de uma cabina de quatro portas, com protecção balística e anti-minas de nível 2, integrando os sistemas necessários para que a guarnição consiga operar o canhão sem necessidade de sair da cabina.
Cooperação em munições e impactos na prontidão
A vertente de cooperação no fabrico de munições, mencionada no âmbito da visita, poderá ser decisiva num contexto em que a disponibilidade de munições de artilharia se tornou um factor crítico de prontidão. Parcerias industriais que reforcem capacidade produtiva, prazos de entrega e estabilidade de fornecimento tendem a pesar na avaliação global de qualquer sistema, a par do desempenho do próprio obus.
Além disso, sendo o calibre 155 mm amplamente utilizado no espaço NATO, soluções que facilitem a integração logística, a manutenção e a formação de equipas - incluindo a adaptação a doutrinas e procedimentos já consolidados - podem representar vantagens práticas na adopção e na entrada ao serviço.
Créditos das imagens: Excalibur Army
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