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Mitsubishi explica porque vai acabar com o seu modelo mais vendido na Europa

SUV branco da Mitsubishi estacionado numa sala de exposição moderna com janelas grandes.

A Mitsubishi vai deixar de comercializar o Colt na Europa, encerrando o ciclo do modelo que foi o mais vendido da marca no continente nos primeiros oito meses de 2025.

Entre janeiro e agosto, o Colt somou 9728 unidades (fonte: DataForce). Ainda assim, não haverá um sucessor direto: o fabricante já confirmou que não vai utilizar a nova geração do Renault Clio - apresentada em setembro, em Munique - como base para manter o nome Colt em produção.

À Automotive News Europe, Frank Krol, diretor-executivo da Mitsubishi na Europa, explicou a mudança de rumo: “Estamos a eliminar o Colt para nos concentrarmos em tipos de carroçaria onde a imagem e a herança da nossa marca estão presentes.” As declarações foram feitas à margem da apresentação do novo Eclipse Cross elétrico, modelo que recorre ao Renault Scenic E-Tech elétrico como base.

Segundo o responsável, a decisão acompanha aquilo que a Mitsubishi identifica como preferência do seu público: “carroçarias práticas”, com maior afinidade ao universo SUV.

Porque é que a Mitsubishi retira o Colt e reforça a estratégia SUV na Europa

A saída do Colt insere-se numa estratégia mais ampla de concentração em SUV, sustentada por vários fatores.

Por um lado, a Mitsubishi pretende recuperar traços ligados à sua tradição no mercado europeu, com destaque para a tração integral associada à experiência em ralis e à reputação construída por modelos como o Outlander. Por outro, a marca procura aumentar a rentabilidade por unidade, privilegiando segmentos, mercados e tipos de carroçaria onde as margens tendem a ser mais favoráveis.

Krol reforçou essa ambição ao afirmar: “Queremos apostar mais em modelos originais da Mitsubishi e recuperar algumas características que atualmente não temos, como o 4×4.”

A busca por melhores resultados também deverá traduzir-se num foco acrescido em mercados com maior poder de compra e onde existe maior procura por 4×4, como Suíça, Suécia e Noruega.

Num plano mais operacional, esta estratégia ajuda a clarificar o posicionamento da marca: em vez de competir no segmento dos citadinos e utilitários com margens reduzidas e elevada pressão regulatória, a Mitsubishi tenta reforçar a sua presença em categorias onde a perceção de valor e a diferenciação (incluindo capacidades fora de estrada) têm mais peso na decisão de compra.

Ao mesmo tempo, a transição para gamas mais altas tende a alterar a experiência do cliente: quem antes encontrava no Colt um ponto de entrada acessível na marca, passará a ser direcionado para propostas com preços médios superiores e, tipicamente, níveis de equipamento mais completos.

Meta de vendas na Europa mantém-se

Apesar da reconfiguração da gama, a Mitsubishi mantém o objetivo de 75 mil a 80 mil vendas anuais na Europa. É uma fasquia exigente tendo em conta que, até agosto, foram registadas 33 378 unidades, o que corresponde a uma queda de 24,2% face a 2023 (fonte: ACEA), em grande medida devido ao fim do Space Star.

O acordo de fornecimento com a Renault assegura à Mitsubishi uma oferta consistente de SUV: ASX, Grandis (baseado no Renault Symbioz) e Eclipse Cross (assente no Renault Scenic). No entanto, esta gama não disponibiliza tração integral.

Na oferta europeia, o único modelo que continua a oferecer tração integral é o Outlander, desenvolvido internamente pelo construtor japonês, sem recorrer a plataformas partilhadas da Aliança.

Quando acontece o fim do Colt?

O abandono do Colt marca a saída definitiva da Mitsubishi do segmento dos pequenos automóveis no mercado europeu. A marca já tinha retirado de cena o Space Star (conhecido como Mirage noutros mercados), por não cumprir as novas normas de segurança da União Europeia.

Em termos práticos, esta opção deverá refletir-se no posicionamento comercial da Mitsubishi, com um aumento do preço médio de entrada na gama. O Colt com base no Renault Clio deverá deixar de ser produzido no próximo ano, e o nome Colt não tem, para já, qualquer data prevista para regressar.

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