As contas do mercado automóvel nacional relativas aos primeiros nove meses de 2025 já ficaram fechadas. Depois de termos olhado para as marcas com mais matrículas, importa agora perceber que tipo de motorização está a conquistar os compradores em Portugal.
A eletrificação do parque automóvel continua a ganhar força no nosso país. Entre janeiro e setembro, foram vendidos 104 310 veículos eletrificados (ligeiros e pesados) - ou seja, elétricos, híbridos e híbridos com carregamento externo - o que representa uma subida expressiva de 34,5% face ao mesmo período de 2024, de acordo com os números da ACAP (Associação Automóvel de Portugal).
No total, os ligeiros e pesados eletrificados já somam 52,2% de todos os automóveis novos vendidos em Portugal. Para enquadramento, no acumulado do ano foram matriculados 199 714 automóveis (ligeiros e pesados).
Eletrificados dominam nos ligeiros de passageiros em Portugal
Focando apenas os ligeiros de passageiros, a liderança das motorizações eletrificadas é ainda mais evidente: 59,2% das matrículas (ou 101 679 unidades) correspondem a veículos eletrificados, num total de 171 547 ligeiros de passageiros vendidos. Em termos homólogos, isto traduz-se num crescimento de mais de 34,3%.
Dentro deste universo, os híbridos (que não necessitam de ligação à corrente e incluem os híbridos ligeiros) foram a opção mais escolhida, com 40 048 unidades matriculadas - um avanço de 53,7% face a 2024. Neste momento, representam 23,3% do mercado de ligeiros de passageiros.
A seguir surgem os 100% elétricos, que já valem 21,4% do mercado nacional, com 36 707 unidades vendidas. O aumento foi de 26,3% em comparação com o ano passado - na prática, um em cada cinco carros novos vendidos em Portugal é totalmente elétrico.
Também os híbridos com carregamento externo têm mostrado dinamismo, ao crescerem 21,1% face ao mesmo período do ano anterior. Em números, isto corresponde a 24 924 unidades, equivalentes a 14,5% do mercado nacional.
Por sua vez, os ligeiros de passageiros a GPL (Gás de Petróleo Liquefeito) totalizaram 14 383 matrículas até setembro, atingindo uma quota de 8,4% no mercado nacional.
A par destes resultados, há fatores práticos que ajudam a explicar a evolução: a disponibilidade de soluções de carregamento (em casa e na via pública), a previsibilidade de custos de utilização em percursos urbanos e, em muitos casos, a preferência por motorizações mais silenciosas e com resposta imediata em condução citadina.
Também a composição da oferta tem sido determinante. À medida que os construtores lançam mais versões eletrificadas e ajustam gamas (sobretudo nos segmentos mais vendidos), o comprador encontra mais alternativas em híbridos e elétricos do que há poucos anos, o que acaba por acelerar a mudança do mix de motorizações no mercado.
E a gasolina e o gasóleo?
Apesar do avanço das soluções eletrificadas, a gasolina mantém-se como a motorização mais vendida em Portugal no segmento de ligeiros de passageiros. Nos primeiros nove meses do ano, representou 26,7% do mercado, com 45 729 unidades comercializadas. Ainda assim, este valor tem vindo a recuar - basta comparar com as 40 048 unidades de híbridos vendidas no mesmo período.
Já os automóveis com motores a gasóleo são os que estão a perder terreno mais rapidamente. Entre janeiro e setembro, foram vendidos apenas 9 773 ligeiros de passageiros a gasóleo, o que corresponde a uma quota de 5,7%. Esta queda explica-se também pela diminuição da oferta disponível neste tipo de motorização.
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