Ontem, o Estado-Maior Conjunto do Ministério da Defesa do Japão comunicou que caças da Força Aérea de Auto-Defesa interceptaram um Y-9FQ - actualmente considerado o aparelho de guerra antissubmarino e patrulha marítima mais avançado ao serviço da Marinha da China. De acordo com a nota oficial, a aeronave voava sobre o Mar da China Oriental, assinalando a primeira intercepção japonesa deste modelo desde a sua apresentação pública no Dia da Vitória, em 2025.
Comunicado do Estado-Maior Conjunto do Ministério da Defesa do Japão sobre o Y-9 no Mar da China Oriental
A declaração divulgada inclui, entre outros, os seguintes excertos:
“No sábado, 28 de março, caças da Força Aérea de Defesa do Sudoeste das Forças de Auto-Defesa realizaram operações em resposta a uma aeronave de patrulha militar chinesa (Y-9) sobrevoando o Mar da China Oriental. A respeito da aeronave de patrulha militar chinesa (Y-9), voos no espaço aéreo ao redor do Mar da China Oriental e outras áreas já haviam sido confirmados anteriormente, mas a aeronave confirmada nesta ocasião possui um formato de nariz diferente em comparação com aeronaves anteriores, e esta é a primeira vez que as Forças de Auto-Defesa confirmam e anunciam uma aeronave deste tipo.”
Fotografia aproximada e identificação do Y-9FQ e de um Y-8
Em simultâneo com a informação, as Forças de Auto-Defesa divulgaram também uma fotografia nítida do aparelho, captada a curta distância por pilotos japoneses e a partir de um dos lados. A partir desse ângulo, o nariz característico do Y-9FQ é facilmente distinguível.
No mesmo contexto, foi igualmente detectada uma aeronave mais antiga do tipo Y-8, que também seria empregue em missões de guerra antissubmarino e vigilância marítima. Em ambos os casos, destaca-se uma antena alongada na secção traseira - um sistema de detecção de anomalias magnéticas, utilizado para apoiar a procura de submarinos.
O que se sabe sobre o Y-9FQ: radar AESA, radar de abertura sintética e novos sensores
Recapitulando o que é conhecido até ao momento sobre o Y-9FQ, importa notar que analistas no gigante asiático têm vindo, há vários anos, a apontar para um novo desenvolvimento da Shaanxi Aircraft Corporation (SAC), orientado para criar uma aeronave de guerra antissubmarino de nova geração.
Além da já referida antena estendida, esta plataforma integraria um novo radar AESA capaz de localizar alvos terrestres e aéreos, complementado por um radar de abertura sintética. O conjunto de modernizações incluiria ainda sensores MAWS na parte frontal e traseira, uma antena SATCOM na zona superior e antenas ESM nas asas, entre outras soluções.
Trajectória junto à Zona Económica Exclusiva do Japão e intercepção com F-15J
Quanto ao perfil de voo do aparelho chinês interceptado pelas Forças de Auto-Defesa do Japão, foi indicado que se aproximou do limite da Zona Económica Exclusiva do Japão, seguindo uma rota de voo sinuosa. Segundo relatos de meios especializados, este padrão poderá sugerir uma aproximação deliberada para rastrear um submarino japonês a operar naquelas águas, mesmo antecipando que seriam interceptados por aeronaves japonesas.
Neste cenário, presume-se que caças F-15J tenham sido destacados para acompanhar o Y-9FQ, por serem os meios baseados mais próximos da área - concretamente, na Base Aérea de Nyutabaru.
Contexto operacional: o que está em causa nas missões de guerra antissubmarino no Mar da China Oriental
Em missões de guerra antissubmarino, plataformas de patrulha marítima combinam sensores de detecção (como o detetor de anomalias magnéticas) com perfis de voo que maximizam a probabilidade de encontrar e seguir contactos submersos. Rotas irregulares e variações de trajectória podem, por isso, estar associadas a procedimentos de pesquisa e acompanhamento, sobretudo em áreas onde se presume actividade de submarinos.
Também vale recordar que intercepções aéreas deste tipo, ainda que ocorram fora do espaço aéreo soberano, são uma ferramenta comum de monitorização e dissuasão. Na prática, servem para identificar visualmente a aeronave, registar configuração e sensores aparentes, e sinalizar presença, reduzindo a margem de ambiguidade em zonas de elevada sensibilidade estratégica.
Créditos da imagem: @jointstaffpa no X
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