A Força Aérea Indonésia prepara-se para dar mais um passo decisivo no seu programa de modernização, com a incorporação dos três primeiros caças Rafale F4 provenientes de França. As aeronaves já iniciaram a deslocação para o Sudeste Asiático, tendo partido da zona de Mérignac, facto que ganhou visibilidade através de um breve vídeo partilhado nas redes sociais. Nas imagens, registadas nas imediações da pista, observam-se os três aparelhos já com as insígnias e a camuflagem da Força Aérea Indonésia, enquanto executam as manobras de descolagem.
Entregas do Rafale F4 da Força Aérea Indonésia: primeiros aparelhos a caminho
A saída deste primeiro lote ocorre menos de um mês depois de se ter confirmado que os primeiros pilotos indonésios concluíram a formação em França, com apoio de militares da Força Aérea e Espacial Francesa. A ambição para as fases seguintes não passa apenas por formar novos pilotos: pretende-se também preparar instrutores, de modo a permitir que a qualificação de futuros aviadores seja assegurada em bases locais na Indonésia.
Formação em França e preparação de técnicos
Para este propósito, o primeiro grupo de pilotos permaneceu destacado durante cerca de quatro meses na Base Aérea de Saint-Dizier. Aí, teve acesso a aeronaves Rafale, salas de aula e simuladores, combinando instrução teórica e treino prático. Em paralelo, foi replicado um percurso semelhante para futuros técnicos responsáveis pela manutenção e sustentação da plataforma, assegurando que a capacidade não depende exclusivamente de apoio externo no dia-a-dia.
Vale ainda recordar que, em novembro, decorreu a entrega formal das aeronaves à Força Aérea Indonésia, numa pequena cerimónia referida nas instalações da Dassault Aviation na região de Bordéus. Nessa ocasião, os aparelhos já exibiam as matrículas T-0301, T-0302 e T-0303, correspondentes à variante biplace do caça.
Encomenda de 42 aeronaves e papel de Dassault Aviation, Safran e Thales
Com este marco, França dá início oficial às entregas de uma frota total de 42 aeronaves encomendadas por Jakarta, repartida por 30 unidades monolugar e 12 unidades bilugar. No discurso assinalando o momento, o Marechal do Ar TNI Ir. Tedi Rizalihadi, Vice-Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, afirmou:
“A cerimónia de aceitação de hoje é um passo importante para reforçar o poder aéreo da Indonésia. Agradecemos o compromisso da Dassault Aviation, bem como o apoio da Safran e da Thales, em garantir a qualidade e a disponibilidade do Rafale, o que fortalecerá a Força Aérea Indonésia.”
Integração operacional, sustentação e impacto na capacidade aérea
A introdução do Rafale F4 implica, além da receção das aeronaves, a adaptação de infraestruturas, procedimentos e cadeias logísticas para assegurar níveis elevados de prontidão. Isto inclui a organização do apoio à manutenção, a gestão de sobressalentes e a consolidação de equipas técnicas capazes de sustentar o sistema ao longo do tempo, em linha com os objetivos de disponibilidade referidos no âmbito do programa.
Do ponto de vista operacional, a chegada de uma nova frota de caças deste segmento tende também a influenciar a forma como a Indonésia planeia a sua defesa aérea e a projeção de poder, ao mesmo tempo que reforça a cooperação com parceiros internacionais em treino, doutrina e apoio industrial.
Possível ampliação da frota e cooperação em defesa (Scorpène)
Importa ainda sublinhar que esta frota poderá vir a ser ampliada em até 24 aeronaves adicionais, reforçando ainda mais a componente aérea do país asiático - um número que duplica o total inicialmente previsto para esta expansão. Trata-se de um elemento relevante, sobretudo porque aprofundaria a relação bilateral, já existente noutros programas de defesa, incluindo, entre outros, a aquisição de novos submarinos da classe Scorpène para renovar as capacidades da Marinha Indonésia.
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