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Novos indícios confirmam que a Força Aérea argelina já opera os primeiros Su-57E fornecidos pela Rússia.

Piloto militar de pé na pista com fato de voo e capacete, com jato de combate estacionado atrás.

A divulgação recente de material multimédia nas redes sociais trouxe novos indícios que apontam para a entrega, por parte da Rússia, dos primeiros caças furtivos Su-57E à Força Aérea Argelina, que assim se afirmaria como o primeiro cliente internacional desta plataforma. Trata-se de um vídeo curto, com cerca de 22 segundos, no qual se observam pelo menos duas destas aeronaves a voar em pleno dia. Embora não seja possível distinguir com nitidez os marcadores que transportam, tanto a descrição associada como um breve texto sobreposto nas imagens indicam que a gravação terá sido feita em território argelino.

Se a autenticidade das imagens vier a ser confirmada, o conteúdo reforçará o que já tinha sido noticiado em fevereiro, quando foi publicada outra gravação de um Su-57E em voo, captada por observadores locais na Argélia. Esta nova vaga de sinais surgiu poucos dias depois de os Estados Unidos terem voltado a levantar a hipótese de sanções caso a Argélia avançasse com a compra destas aeronaves, no âmbito da lei destinada a contrariar adversários dos Estados Unidos através de sanções (CAATSA).

Nessa linha, foram igualmente retomadas declarações atribuídas a Robert Palladino, chefe do Gabinete de Assuntos do Próximo Oriente, nas quais enquadra a posição norte-americana:

“Trabalhamos de perto com o governo argelino em temas em que temos pontos em comum. Mas, sem dúvida, divergimos em muitos aspetos, e o acordo de armamento é um exemplo do que os Estados Unidos consideram problemático. Recorremos às ferramentas diplomáticas de que dispomos, muitas vezes em privado, para proteger os nossos interesses e pôr termo ao que consideramos inaceitável.”

Su-57E na Força Aérea Argelina: contexto, números e modernização

Importa recordar que as preocupações em Washington passaram para o espaço público pouco depois de a Força Aérea Argelina ter sinalizado que aguardava a incorporação de cerca de 12 caças furtivos Su-57E de origem russa. O objetivo declarado seria dar um salto qualitativo na modernização das capacidades de combate e, simultaneamente, diferenciar-se de outros países vizinhos do norte de África.

Em paralelo com a chegada dos Su-57E, o país estará também a avançar para a aquisição de novos Su-35S e de caças-bombardeiros Su-34, com a intenção de reforçar as suas frotas e criar um conjunto alargado de capacidades complementares em coordenação com Moscovo.

Implicações operacionais e integração na frota

A concretizar-se a introdução de uma aeronave de quinta geração, a Argélia enfrentará desafios típicos de qualquer transição tecnológica desta escala: formação de tripulações e técnicos, criação de cadeias de manutenção e sobressalentes, adaptação de doutrina e procedimentos, e integração com meios já existentes. Além disso, a convivência de diferentes modelos (Su-57E, Su-35S e Su-34) tende a exigir uma gestão cuidada de logística, planeamento e disponibilidade operacional para que o ganho de capacidade se traduza, de facto, em maior prontidão.

Do ponto de vista regional, a eventual presença do Su-57E pode influenciar perceções de equilíbrio militar no norte de África, não apenas pelo valor simbólico de operar um caça furtivo, mas também pelos efeitos que essa decisão pode ter em relações externas, aquisições futuras e exercícios combinados.

Su-57E vs F-35 e o mercado internacional da UAC

Para a Rússia, é igualmente relevante ter conseguido ver a plataforma furtiva escolhida no processo de seleção argelino face ao F-35 de origem norte-americana. Este resultado é apresentado como um primeiro passo para consolidar aeronaves produzidas pela United Aircraft Corporation (UAC) como alternativa no mercado internacional, sobretudo junto de países geopoliticamente mais afastados de Washington.

Até ao momento, fora destas duas origens, a outra opção no segmento de aeronaves de quinta geração encontra-se na China, com os modelos J-20 e J-35.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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