Saltar para o conteúdo

Este “Ferrari SF90” é chinês e custa metade do preço

Carro desportivo vermelho Ferrari CN-SF90 em exposição com vidro e edifícios ao fundo.

A Great Wall Motor (GWM), construtor chinês reconhecido sobretudo pelos seus SUV, está prestes a entrar num território inédito para a marca: o dos superdesportivos. O lançamento do seu primeiro modelo deste tipo está apontado para o final de 2026, com um objectivo assumido - enfrentar o Ferrari SF90, mas com um posicionamento de preço muito mais acessível.

Segundo Wei Jianjun, presidente da GWM, este será “o primeiro desportivo chinês no sentido mais puro do termo”. De acordo com a Autohome News, o projecto já vem a ser desenvolvido há quatro a cinco anos, o que indica um esforço planeado e continuado, e não um exercício pontual de imagem.

As primeiras pistas públicas surgiram mais tarde, em julho de 2025, durante as celebrações do 35.º aniversário da marca, quando um automóvel com proporções e silhueta de superdesportivo, mas totalmente coberto, apareceu discretamente em segundo plano, alimentando a especulação em torno de um novo modelo.

Great Wall Motor (GWM): superdesportivo com o Ferrari SF90 como referência

De acordo com informação atribuída ao próprio fabricante, este novo supercarro terá como referência o Ferrari SF90. Os rumores apontam para um V8 biturbo de 4,0 litros, desenvolvido internamente, associado a um sistema híbrido de carregamento externo (híbrido com possibilidade de carregamento na tomada). Em conjunto, a potência deverá situar-se perto dos 1000 cv, com uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em menos de três segundos. A velocidade máxima esperada deverá ultrapassar os 350 km/h.

Cópia ou inspiração?

A discussão entre “cópia” e “inspiração” surge naturalmente sempre que um novo projecto declara uma referência directa num ícone como o Ferrari SF90. Ainda assim, a proposta da GWM parece procurar afirmar-se sobretudo pela combinação de números de topo com um custo mais racional, num segmento tradicionalmente reservado a marcas de luxo europeias.

Preço: o trunfo para democratizar as altas prestações

O ponto decisivo, porém, não deverá ser apenas o desempenho. A GWM quer colocar esta receita no mercado com um preço significativamente abaixo do praticado pela Ferrari. A estimativa aponta para cerca de 2 milhões de yuan (aproximadamente 240 mil euros, ao câmbio actual), o que representaria cerca de metade do preço do Ferrari SF90 na China.

Este posicionamento poderá atrair não só clientes que aspiram a um superdesportivo sem entrar no patamar financeiro das marcas tradicionais, mas também compradores interessados numa alternativa tecnológica recente, com aposta em electrificação e integração de sistemas.

Uma aposta que exige engenharia, validação e imagem de marca

Entrar no universo dos superdesportivos implica mais do que anunciar potência e tempos de aceleração. Para competir com referências como o Ferrari SF90, a GWM terá de mostrar maturidade em áreas como afinação de chassis, travagem, gestão térmica do conjunto híbrido, durabilidade em condução exigente e consistência de desempenho em pista, além de assegurar uma rede capaz de prestar assistência especializada.

Há ainda o desafio da percepção: uma marca conhecida por SUV precisa de construir credibilidade entre entusiastas e clientes deste segmento, onde o valor simbólico, a história e a exclusividade pesam tanto quanto as prestações puras.

Uma nova vaga de superdesportivos fabricados na China

Com este anúncio, a GWM junta-se a outras marcas chinesas que também estão a elevar a fasquia no capítulo das altas prestações, como a BYD, com o Yangwang U9, e a Xiaomi, com o SU7 Ultra. O movimento aponta para uma nova fase do sector, em que os superdesportivos fabricados na China deixam de ser apenas uma curiosidade para passarem a disputar atenção - e mercado - com propostas estabelecidas a nível global.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário