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Será desta? Elon Musk volta a prometer Tesla Roadster

Carro desportivo elétrico Tesla Roadster 2.0 vermelho num showroom moderno com piso cinzento.

Depois de anos de promessas, especulação e datas apontadas (e adiadas), o facto é que estamos perto de completar oito anos desde que Elon Musk apresentou a segunda geração do Tesla Roadster 2.0. Ainda assim, e apesar de todo o mediatismo, continua sem existir um único exemplar a circular na estrada.

Ao longo deste período, os atrasos têm sido tão frequentes quanto as afirmações ambiciosas de Musk sobre o seu supercarro elétrico. Entre as mais recentes, voltou a repetir que será “o melhor carro desportivo de sempre” e, em simultâneo, “o último grande automóvel para quem gosta de conduzir”.

Na rede social X, Musk regressou ao tema para insistir que o novo Tesla Roadster entrará em produção ainda este ano. E acrescentou uma promessa vaga: até ao final do ano haverá “a demonstração mais épica de sempre”, sem esclarecer se se referia diretamente ao modelo.

“Acabei de sair do estúdio de design da @Tesla.
A demonstração mais épica de sempre até ao fim do ano.
De sempre.”
- Elon Musk (@elonmusk), 14 de julho de 2025

Como noutras ocasiões, estas declarações não vieram acompanhadas de dados verificáveis: nem um calendário concreto, nem especificações técnicas, nem preços.

Tesla Roadster 2.0: o desenvolvimento continua

Para perceber melhor em que ponto está o Tesla Roadster 2.0 - para lá das publicações de Musk - surgiram agora declarações de Lars Moravy, vice-presidente de engenharia de veículos da Tesla, feitas durante o evento X Tomada.

Moravy começou por garantir que o Roadster continua em desenvolvimento e descreveu-o como o “último e melhor dos carros para conduzir” antes de os computadores assumirem o protagonismo, numa altura em que a Tesla mantém a condução autónoma como prioridade estratégica.

Tendo em conta o tempo que já passou desde o anúncio, o responsável explicou que a equipa tem investido anos a reavaliar o projeto, com um objetivo claro: repensar “o que fizemos, porquê” e, sobretudo, o que pode tornar “um último grande carro para conduzir” verdadeiramente entusiasmante.

“Temos vindo a melhorá-lo continuamente e, na verdade, é até um pouco mais do que um carro. Mostrámos ao Elon algumas demonstrações impressionantes (…) e tecnologia em que temos estado a trabalhar, e ele ficou bastante entusiasmado.”
- Lars Moravy, vice-presidente de engenharia de veículos da Tesla

Vale a pena recordar que, há alguns anos, chegou a ser avançado que o Tesla Roadster 2.0 poderia incluir “foguetes” - pequenos propulsores de ar comprimido - com tecnologia da SpaceX, para permitir acelerações sem precedentes num automóvel de produção. Musk chegou mesmo a sugerir, na altura, que o carro poderia “voar” graças a esse sistema, justificando a ideia de que este seria “algo que não voltará a repetir-se”.

Última tentativa antes de um futuro inevitável

As promessas acumulam-se, mas os adiamentos e a escassez de informação concreta continuam a alimentar dúvidas: o Roadster 2.0 chegará mesmo a ver a luz do dia? E, se avançar para produção, será que manterá os contornos inicialmente apontados? Ainda assim, permanece a possibilidade de pré-reservar o novo modelo.

Há aqui também um ponto histórico relevante: a confirmar-se o lançamento, este será o primeiro desportivo da Tesla desde o Roadster original, que chegou ao mercado em 2008. Para Musk, poderá igualmente ser “o último automóvel com um foco tão grande na condução pura”.

O contexto ajuda a enquadrar esta leitura. Com o avanço da inteligência artificial e a evolução dos sistemas de condução autónoma, a visão da Tesla passa por reduzir progressivamente o papel do condutor - até, em teoria, o eliminar. Nesse cenário, sobra pouco espaço para automóveis concebidos sobretudo para a experiência de condução.

Há ainda um ângulo pouco discutido, mas inevitável: quanto mais “fora da caixa” for a tecnologia prometida (como sistemas inspirados na SpaceX), maior tende a ser o desafio de integração em produto final - não apenas ao nível de engenharia e fiabilidade, mas também em termos de validação, segurança e requisitos para colocação no mercado. Tudo isto pode ajudar a explicar por que razão o projeto se arrasta no tempo, mesmo com grande visibilidade pública.

Por outro lado, a própria estratégia industrial da Tesla pode influenciar o calendário: num construtor com foco em volumes, margens e plataformas de grande escala, um superdesportivo de baixa produção compete internamente por recursos, atenção e prioridades. Mesmo que o Roadster sirva de montra tecnológica e de imagem, isso não garante que avance rapidamente para entregas.

Entre expectativas e incertezas, uma conclusão parece difícil de evitar: se o novo Tesla Roadster 2.0 chegar ao mercado, será mais um capítulo imprevisível - e altamente simbólico - na história da Tesla.

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