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Os 50 carros mais vendidos na Europa no primeiro semestre 2025

Carro Volkswagen branco em exibição em plataforma circular numa sala moderna de exposição automóvel.

Os números do mercado automóvel europeu relativos ao primeiro semestre de 2025 já ficaram fechados. Depois de observarmos a trajetória global do mercado e as marcas que mais cresceram e recuaram, faz sentido aprofundar agora os carros mais vendidos entre janeiro e junho de 2025.

Tal como aconteceu no ranking das marcas, a fotografia do mercado é de ligeira contração: a Europa registou uma descida de 0,9% face ao primeiro semestre de 2024. Ainda assim, dentro do universo dos carros mais vendidos na Europa, há modelos a ganhar terreno e outros a perder força - mesmo no topo da tabela.

Compilámos o Top 50 e a conclusão é imediata: o Dacia Sandero volta a destacar-se. Depois de ter terminado 2024 na liderança, o modelo da marca romena mantém-se como o carro mais vendido da Europa no primeiro semestre deste ano.

Veja o Top 50 dos modelos mais vendidos na Europa, de janeiro a junho de 2025, e os movimentos mais relevantes.

Top 50 dos carros mais vendidos na Europa (janeiro a junho de 2025): quem sobe e quem desce

Apesar de continuar no 1.º lugar, o Dacia Sandero não está imune à travagem do mercado. As suas matrículas recuaram 9,4%, fixando-se em 130 713 unidades quando comparado com o mesmo período de 2024.

No sentido oposto surge o seu “primo” francês, o Renault Clio, que está a acelerar: somou uma subida de 8,1%, totalizando 123 225 unidades.

Mais do que isso, o Renault Clio tem sido o modelo mais vendido na Europa nos últimos três meses, encostando-se cada vez mais ao líder. A diferença está agora em menos de 7500 unidades; se o padrão se mantiver no segundo semestre, 2025 pode terminar com uma mudança no topo.

A fechar o pódio aparece outro francês, o Peugeot 208. O rival direto do Clio também cresce, embora a um ritmo mais moderado: +2,1%, com pouco acima das 108 mil unidades.

Logo a seguir, o Top 10 fica marcado por uma forte presença da Volkswagen - é a marca com mais modelos entre os dez primeiros: T-Roc (4.º), Golf (5.º) e Tiguan (6.º). Nem tudo, porém, são boas notícias: o Golf protagoniza a maior queda dentro do Top 10, com -17,4%, descendo para 103 964 unidades.

O “nosso” Volkswagen T-Roc continua a ser o Volkswagen mais vendido, mas também perde volume: -5,4%, para 105 629 matrículas. Ainda assim, é um resultado expressivo, sobretudo quando estamos prestes a conhecer a segunda geração do SUV - novamente produzida em Palmela. Em contraciclo, surge o Tiguan: beneficiando do impacto de uma geração recente, cresceu 11,4% e já ultrapassa as 102 mil unidades.

A Dacia volta a colocar um modelo no Top 10 com o Duster (3.ª geração), que ocupa a 7.ª posição e aumenta as vendas em 6,5% face ao primeiro semestre de 2024.

Já a Toyota aparece no Top 10 com apenas um representante, o Yaris Cross (8.º), que recua 4,9%, atingindo 94 763 unidades. Imediatamente atrás, em recuperação (+2,3%) e separado por apenas 10 unidades, está outro Peugeot: o 2008 - que, recorde-se, foi o carro mais vendido em Portugal no primeiro semestre.

A lista dos dez primeiros fecha com o Citroën C3. Apesar de ser um modelo recente e de já ter reunido mais de 130 mil encomendas, registou uma quebra de vendas de quase 10%.

Top 10 (resumo) - carros mais vendidos na Europa no 1.º semestre de 2025

  • 1.º Dacia Sandero - 130 713 un. (-9,4%)
  • 2.º Renault Clio - 123 225 un. (+8,1%)
  • 3.º Peugeot 208 - pouco acima de 108 mil un. (+2,1%)
  • 4.º Volkswagen T-Roc - 105 629 un. (-5,4%)
  • 5.º Volkswagen Golf - 103 964 un. (-17,4%)
  • 6.º Volkswagen Tiguan - mais de 102 mil un. (+11,4%)
  • 7.º Dacia Duster (3.ª geração) - (+6,5%)
  • 8.º Toyota Yaris Cross - 94 763 un. (-4,9%)
  • 9.º Peugeot 2008 - (+2,3%, a 10 un. do Yaris Cross)
  • 10.º Citroën C3 - quebra de quase 10%

Citroën C3: porque caiu apesar da forte procura

A quebra do Citroën C3 explica-se sobretudo por constrangimentos industriais. O utilitário francês tem sido afetado por vários entraves na produção, com especial incidência na versão híbrida.

O principal “gargalo” tem sido a caixa ë-DCS6, a transmissão eletrificada utilizada em vários modelos do universo Stellantis. A produção deste componente não tem acompanhado o volume necessário, embora a Stellantis tenha avançado, desde o início do ano, com medidas para normalizar o fornecimento.

Por essa razão, é expectável que o segundo semestre seja substancialmente mais forte para o C3 - até porque, em abril, foi ativada uma nova linha de produção na Sérvia, que vem reforçar a capacidade existente na Eslováquia.

As variações mais expressivas no Top 50

Dentro dos 50 carros mais vendidos na Europa no primeiro semestre de 2025, o crescimento mais impressionante pertence ao Renault Symbioz. O modelo, ainda muito recente, disparou 12 622,5%, somando 41 348 unidades - algo que se compreende facilmente por ter chegado ao mercado há cerca de um ano.

Entre modelos já bem estabelecidos, sobressaem as subidas de: - Peugeot 3008 - +42,3% - Volkswagen ID.4 - +40,4% - Jeep Avenger - +34,8%

Do lado das quedas mais acentuadas, destacam-se: - Tesla Model Y - -32,4% - Tesla Model 3 - -32,3% - Skoda Octavia - -21,3% - Dacia Jogger - -20% (a encerrar o Top 50)

Elétricos no Top 50 e o que observar no próximo semestre

No Top 50 surgem apenas três modelos 100% elétricos: Tesla Model Y, Tesla Model 3 e Volkswagen ID.4. Mesmo com as descidas referidas, a Tesla mantém os elétricos mais vendidos no mercado europeu, com 68 206 unidades (Model Y) e 40 222 unidades (Model 3).

Já o Volkswagen ID.4 está em clara recuperação: termina o semestre com +40,4% e 39 809 unidades matriculadas.

Ainda assim, o elétrico que merece atenção na próxima metade do ano é o Skoda Elroq. Nos últimos meses, tem sido o terceiro elétrico mais vendido, logo atrás dos Tesla. Se esta dinâmica continuar, não será surpresa vê-lo entrar no Top 50 dos carros mais vendidos na Europa durante o próximo semestre.

O que pode mexer com o ranking na segunda metade do ano

Para lá dos números de matrículas, a segunda metade do ano costuma ser influenciada por fatores como campanhas de retoma, ajustamentos de preço e disponibilidade de versões mais procuradas (por exemplo, motorizações híbridas ou níveis de equipamento específicos). Em segmentos muito competitivos - como os utilitários e os SUV compactos - pequenas variações de produção podem ter impacto direto no posicionamento mensal.

Também vale a pena acompanhar o efeito “novidade” das gerações recentes (como no caso do Tiguan) e a normalização das cadeias de fornecimento (crítica no Citroën C3). Num mercado em ligeira retração, a capacidade de entregar rapidamente - e em volumes consistentes - pode ser tão decisiva quanto a procura.

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