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Motores elétricos de fluxo axial: a Yasa apresenta um protótipo ultraleve de 550 kW

Automóvel desportivo elétrico Mercedes-Benz cinzento com iluminação azul em showroom moderno.

O potencial dos motores elétricos de fluxo axial continua a crescer - e a mais recente novidade da Yasa, empresa britânica detida pela Mercedes-Benz, é um exemplo claro disso. A marca, que já fornece esta tecnologia a alguns dos híbridos mais prestigiados da Ferrari e da Lamborghini, revelou um novo protótipo que combina valores de potência impressionantes com um peso invulgarmente baixo.

Um “monstro” de 13,1 kg com 550 kW (748 cv) e densidade de potência recorde

O motor tem apenas 13,1 kg e consegue debitar 550 kW, o equivalente a 748 cv. Estes números colocam-no num patamar histórico em densidade de potência: são 42 kW (57 cv) por quilograma.

Na prática, este valor fica quase três vezes acima do que é habitual nos motores elétricos atuais. Para perceber a dimensão do avanço, basta compará-lo com um motor a combustão: o G16E-GTS, o bloco de três cilindros do Toyota GR Corolla, pesa 110 kg (a seco) e atinge 304 cv, o que corresponde a cerca de 2,76 cv/kg.

O “segredo” está no fluxo axial (em contraste com o fluxo radial)

A diferença fundamental está na arquitetura. O motor da Yasa recorre à tecnologia de fluxo axial, distinta da abordagem mais comum dos motores elétricos de fluxo radial. Esta solução permite reduzir de forma muito significativa o volume e o peso do conjunto motriz, sem abdicar - e, neste caso, até ultrapassando - os níveis de potência normalmente associados a motores mais volumosos e pesados.

De forma simplificada, nos motores de fluxo axial a configuração favorece um desenho mais compacto e “plano”, o que pode facilitar a integração em diferentes zonas do veículo e contribuir para otimizar a distribuição de massas. Esta característica é especialmente relevante quando o objetivo é maximizar desempenho sem penalizar o peso total do automóvel.

Ainda é um protótipo, mas com foco na produção

Para já, este motor ultraleve é apenas um protótipo. Ainda assim, a Yasa sublinha um ponto decisivo: o desenvolvimento não depende de materiais exóticos nem de processos como a fabricação aditiva (impressão 3D). Isto poderá tornar mais simples a passagem do laboratório para a produção, reduzindo barreiras industriais e aumentando a viabilidade de fabrico em série.

Um aspeto que continuará a ser determinante, porém, é a gestão térmica: à medida que a densidade de potência aumenta, torna-se crítico dissipar calor de forma eficaz e consistente, sobretudo em utilização intensa. É precisamente aqui que soluções de arrefecimento e integração estrutural podem fazer a diferença no caminho para a industrialização.

Supercarros e luxo deverão continuar a ser os principais destinatários

Tal como já acontece hoje, os destinatários preferenciais destes motores elétricos de fluxo axial deverão manter-se no universo dos supercarros e dos automóveis de luxo. A razão é sobretudo económica: custos de desenvolvimento, materiais, e a escala de produção tornam esta tecnologia mais fácil de justificar em segmentos onde desempenho e exclusividade têm prioridade.

Com o tempo, e caso a produção se torne mais eficiente, é plausível que soluções de fluxo axial se comecem a aproximar de segmentos mais amplos - sobretudo em modelos onde a redução de peso e o empacotamento compacto tragam vantagens claras em autonomia, dinâmica e eficiência.

Motores elétricos de fluxo axial da Yasa e Mercedes-Benz já estão a mudar a eletrificação

A Yasa já equipa vários modelos de estrada, incluindo o Koenigsegg Regera, os Ferrari SF90 e 296 GTB, além dos mais recentes Lamborghini Revuelto e Temerario. Também o novo veículo de conceito AMG GT XX com 1360 cv recorre a esta tecnologia, o que faz sentido tendo em conta que a Yasa foi adquirida pela Mercedes-Benz em 2021.

A marca destaca ainda a possibilidade de os seus motores elétricos de fluxo axial serem integrados nas transmissões, mantendo o foco na leveza e no desempenho. Em termos práticos, esta compacidade pode vir a redefinir a arquitetura e o aproveitamento de espaço em automóveis híbridos e elétricos, abrindo novas possibilidades para disposição de componentes, posicionamento de baterias e desenho de plataformas.

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