A transição para a mobilidade elétrica em Portugal continua a acelerar, embora os automóveis 100% elétricos - impulsionados sobretudo pelas compras empresariais - ainda estejam longe de assumir uma liderança clara. Os dados mais recentes foram publicados pela ACAP – Associação Automóvel de Portugal e confirmam um semestre particularmente dinâmico para os eletrificados.
No primeiro semestre de 2025, mais de metade dos automóveis novos vendidos no país já integra algum grau de eletrificação, mas a realidade é que muitos continuam a depender maioritariamente da gasolina. Neste grupo entram os híbridos, os mild-hybrid (híbridos ligeiros) e os híbridos plug-in.
No total, entre janeiro e junho, foram vendidos em Portugal 72 407 veículos eletrificados (somando ligeiros e pesados), o que equivale a um crescimento de 36,2% face ao mesmo período de 2024, segundo as estatísticas da ACAP.
Eletrificação do mercado automóvel português: eletrificados dominam nos ligeiros de passageiros
É nos ligeiros de passageiros que a eletrificação está a ganhar maior tração. Nos primeiros seis meses do ano, foram matriculados 70 783 veículos eletrificados, correspondendo a 65,5% de todas as unidades registadas neste segmento (124 026 no total). Em termos homólogos, isto traduz-se numa subida de 36,7%.
Dentro dos eletrificados, os híbridos (que não exigem carregamento externo e que incluem os mild-hybrid) lideraram as preferências. No semestre, totalizaram 29 762 unidades, com um crescimento muito expressivo de 62,4%. Atualmente, esta solução representa 23,9% do mercado de ligeiros de passageiros.
Ainda assim, convém ler estes números com alguma cautela: parte do aumento poderá estar inflacionado pelo facto de muitos mild-hybrid - essencialmente motores a gasolina assistidos por um pequeno sistema elétrico, com ganhos marginais em consumos e emissões - estarem a ser contabilizados no mesmo conjunto dos híbridos “plenos” (ou full hybrid), que têm capacidade real para circular parcialmente em modo elétrico.
Logo a seguir surgem os 100% elétricos, que já pesam 20,2% nas vendas de ligeiros de passageiros. Na prática, isto significa que um em cada cinco carros novos vendidos em Portugal é 100% elétrico. No acumulado do semestre, os elétricos cresceram 30,2%, com 25 017 unidades comercializadas.
Por fim, os híbridos plug-in, que tinham começado o ano com sinais de arrefecimento, terminaram o semestre a recuperar: registaram um aumento de 12,6% e atingiram 16 004 unidades matriculadas. A respetiva quota situa-se agora nos 12,9%.
Gasóleo cada vez menos relevante
Apesar do avanço dos eletrificados, os gasolina continuam a ser, por si só, a tecnologia mais vendida entre os ligeiros de passageiros. No primeiro semestre, foram registadas 35 979 unidades, o equivalente a 29% do mercado - uma descida de 3,9% em relação a 2024. Esta queda poderá estar relacionada com a disseminação de motores mild-hybrid (em substituição de motorizações convencionais) sobretudo nos segmentos intermédios.
Já o gasóleo mantém uma trajetória de recuo acentuado. Com apenas 6835 unidades vendidas, os modelos Diesel ficaram-se por 5,5% de quota, muito abaixo dos 8,8% observados no ano anterior. Entre as razões possíveis está a diminuição da oferta disponível, decorrente de decisões estratégicas das marcas.
Marcas preferidas
No universo dos automóveis 100% elétricos, a marca mais escolhida em Portugal no primeiro semestre de 2025 foi a Tesla. Ainda assim, a fabricante registou uma quebra de 25,3% face ao período homólogo, somando 4088 unidades vendidas.
Entre os híbridos convencionais, os dados da ACAP colocam a Peugeot no primeiro lugar, com 6336 unidades e um salto de 1137,5%. Já no segmento dos híbridos plug-in, a Mercedes-Benz destaca-se como a marca mais vendida, com 4122 unidades comercializadas entre janeiro e junho, o que representa um crescimento de 4,9%.
O que está por trás do crescimento dos eletrificados
A consolidação dos eletrificados resulta não só da procura dos consumidores, mas também da crescente aposta das marcas em versões eletrificadas nas gamas mais vendidas, tornando mais comum encontrar híbridos, mild-hybrid e híbridos plug-in em níveis de equipamento generalistas. Em paralelo, o peso das frotas - particularmente relevante nos 100% elétricos - continua a influenciar o ritmo de adoção, dado o foco empresarial na redução de custos de utilização e no cumprimento de políticas internas de sustentabilidade.
Outro fator determinante é a maturidade do ecossistema: a expansão da infraestrutura de carregamento e a maior familiaridade com a autonomia real ajudam a reduzir a hesitação na compra de um 100% elétrico, enquanto os híbridos plug-in tendem a ganhar terreno junto de quem consegue carregar regularmente e procura conciliar deslocações diárias elétricas com flexibilidade para viagens mais longas.
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