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Procura pelo Citroën mais barato muito acima do esperado

Automóvel Citroën C3 branco com tejadilho vermelho estacionado em showroom com reflexo em espelho.

A Stellantis decidiu reforçar a produção do Citroën C3 em Kragujevac, na Sérvia, depois de a procura ter ultrapassado claramente o que estava previsto. A partir de 2026, a unidade sérvia deverá acrescentar mais 40 mil carros por ano ao volume anual, aliviando a pressão sobre a capacidade atualmente disponível.

Este ajuste surge num contexto em que o Citroën C3 vinha a ser montado apenas na Eslováquia, mas a linha de produção está no limite, o que tem dificultado a resposta atempada às encomendas. “A fábrica está completamente saturada, estamos a receber mais encomendas do que aquilo que conseguimos produzir”, afirmou Xavier Chardon, diretor-executivo da Citroën, ao justificar a necessidade de reforçar a capacidade.

Os números recentes ajudam a explicar a decisão. Em outubro, as vendas do C3 cresceram 40%, atingindo 12 771 unidades. Já o C3 Aircross registou um salto ainda mais expressivo: 519%, com 8 030 unidades vendidas, segundo dados da DataForce divulgados pela Bloomberg. O desempenho destes dois modelos na Europa é apontado como o principal motor para a redistribuição da produção.

Para acompanhar esta dinâmica, a Stellantis está também a contratar 400 novos funcionários para a fábrica de Rennes, no oeste de França, que passou recentemente a participar na produção do novo Citroën C5 Aircross. A intenção é reforçar a capacidade industrial onde a procura exige maior ritmo e reduzir estrangulamentos na cadeia de montagem.

Este aumento de produção envolve, igualmente, um trabalho de bastidores com impacto direto na operação: mais turnos, maior coordenação logística e um esforço acrescido junto de fornecedores para assegurar componentes e entregas dentro dos prazos. Num setor cada vez mais sensível a interrupções, a estabilidade do aprovisionamento torna-se decisiva para transformar encomendas em entregas.

Nos últimos anos, a Citroën tem vindo a perder quota de mercado, penalizada por problemas de qualidade e por atrasos no lançamento de novos modelos. O reforço industrial agora anunciado surge, assim, como uma tentativa de capitalizar a atual tração comercial e, ao mesmo tempo, recuperar consistência operacional.

Produção do Citroën C3 na Europa: crescimento e limites de capacidade

Apesar do sinal positivo dado pela procura, a Stellantis enfrenta uma realidade mais complexa no continente, com várias fábricas europeias a abrandarem devido a produção acima das necessidades do mercado. Em França, por exemplo, o grupo mantém 12 unidades industriais, e algumas têm registado redução de atividade para ajustar volumes ao nível de procura efetiva.

O outro lado da produção na Citroën

Do ponto de vista da gestão do grupo, o diretor-executivo Antonio Filosa está a preparar uma reorganização profunda, com prioridade ao mercado norte-americano. Nesse mercado, estão previstos investimentos de vários milhares de milhões de euros, enquanto na Europa a orientação passa por equilibrar produção e oferta para reduzir excedentes e tornar a operação mais eficiente.

A capacidade adicional em Kragujevac, combinada com reforços como o de Rennes, encaixa nesta lógica de afinação: aumentar onde há procura comprovada e ajustar onde a atividade industrial excede o que o mercado europeu consegue absorver, procurando melhorar margens e reduzir pressão sobre as fábricas.

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