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Este é o primeiro Tesla sem volante em Portugal

Carro elétrico branco Tesla Cybercab com portas estilo asa de gaivota abertas em showroom moderno.

Se a ideia de conduzir não lhe diz nada, o Tesla Cybercab foi pensado precisamente para isso: não tem volante nem pedais. Em vez de assumir o controlo, limita-se a escolher o destino e a seguir viagem com conforto e (pelo menos na ambição da marca) com segurança. Aqui, a condução fica totalmente a cargo do próprio veículo.

E há mais: o Cybercab não se quer afirmar apenas como automóvel, mas como serviço - um táxi-robô concebido para transportar pessoas de forma autónoma. Ainda assim, segundo Elon Musk, o CEO da Tesla, também poderá ser comprado por clientes particulares, com um preço apontado abaixo dos 30 mil euros.

A Tesla e as suas previsões nem sempre coincidem com a realidade, mas não foi preciso esperar por 2026 para ver este projeto de perto. Na passagem por Portugal da digressão europeia do Tesla Cybercab, o Guilherme Costa esteve frente a frente com o modelo e mostra-lhe tudo no vídeo abaixo.

Tesla Cybercab e o futuro da mobilidade: promessa ou revolução?

Na apresentação de 2024, Elon Musk descreveu o Tesla Cybercab como uma peça-chave para uma mobilidade mais segura e eficiente - e, sobretudo, como uma forma de devolver às pessoas o tempo que hoje é consumido ao volante. A ideia é simples: se o carro conduz, o passageiro pode trabalhar, descansar ou simplesmente aproveitar o percurso.

Na visão da Tesla, esse futuro materializa-se num compacto coupé de dois lugares. O desenho faz lembrar um Cybertruck em ponto pequeno, com linhas mais suavizadas e um aspeto mais “limpo”. O minimalismo domina tanto por fora como por dentro, o que lhe dá um carácter bastante neutro e, para alguns, até algo genérico.

Como seria de esperar, é 100% elétrico. E um detalhe chama a atenção: a bateria anunciada é relativamente pequena para um veículo orientado para serviço de táxi - 35 kWh - com uma autonomia na ordem dos 300 km. Pode parecer pouco, mas a Tesla aponta para carregamento por indução, o que dispensaria cabos e poderia facilitar a operação contínua em zonas de elevada procura.

Potência e aceleração acabam por ser secundárias num táxi-robô. Para quem viaja, os critérios tendem a ser outros: conforto a bordo, suavidade na condução e, claro, a qualidade do sistema de som e do ambiente interior.

E é precisamente no habitáculo que o conceito se torna mais radical: não há volante, pedais nem uma profusão de botões. O essencial resume-se a dois bancos e a um ecrã tátil central de grandes dimensões. Se a proposta é sermos apenas passageiros, a Tesla defende que não é preciso mais - embora existam alguns pormenores adicionais que o Guilherme mostra no vídeo.

Um ponto que também merece atenção é a logística do serviço: para um veículo pensado para operar muitas horas por dia, será crucial garantir rotinas de manutenção, limpeza e gestão de frota eficientes. Num modelo deste tipo, a experiência do utilizador não depende apenas do carro, mas também da infraestrutura e do suporte que o rodeia.

Como é que o Tesla Cybercab “vê” para fazer condução autónoma?

A polémica acompanha a Tesla há muito, e o Cybercab não foge à regra. O objetivo declarado é um futuro de condução autónoma total, de Nível 5, mas a abordagem tecnológica mantém a mesma filosofia aplicada noutros modelos da marca: a Tesla não aposta em LiDAR (um sistema que utiliza feixes laser para medir distâncias e movimentos com elevada precisão).

Tal como acontece nos veículos de produção atuais, a empresa baseia-se sobretudo em câmaras. O problema é que esta solução tem limitações conhecidas, sobretudo em cenários de baixa luminosidade, nevoeiro, chuva intensa ou outras condições meteorológicas adversas.

É verdade que o software e o processamento continuam a evoluir, mas vários concorrentes seguem um caminho diferente. Empresas como a Waymo ou a chinesa Baidu tendem a combinar múltiplos sensores - incluindo câmaras e LiDAR, entre outros - para reforçar redundâncias e aumentar a robustez do sistema em diferentes contextos.

Há ainda um tema frequentemente discutido quando se fala de veículos altamente dependentes de câmaras: a privacidade e o tratamento de dados. Num serviço de táxi-robô, a forma como são geridas gravações, telemetria e informação do utilizador pode tornar-se tão relevante como a própria tecnologia de condução.

Quando chega o Tesla Cybercab?

As datas da Tesla devem ser lidas com cautela, mas o plano indicado aponta para o arranque de produção do Tesla Cybercab em 2026, caso tudo avance como previsto.

Até lá, e para validar o sistema de condução autónoma, a Tesla já colocou na estrada uma frota de testes composta por Model Y na cidade de Austin, no estado do Texas. A intenção passa por aumentar essa frota e alargar o serviço, à medida que o sistema for acumulando quilómetros e dados em condições reais de circulação.

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