O Ferrari F40 ocupa um lugar cimeiro no imaginário dos entusiastas de Maranello, mas quando o tema é raridade e foco absoluto na competição, o nome a reter é Ferrari F40 LM.
Com homologação oficial da marca, foram construídas apenas 19 unidades do F40 LM, todas preparadas pela Michelotto Automobili. Em breve, a unidade n.º 14 será leiloada e tem tudo para se tornar no Ferrari F40 mais valioso de sempre.
Ferrari F40 LM: do último “sim” de Enzo Ferrari à pista
A base do projecto já era, por si só, material de lenda: o Ferrari F40 foi o derradeiro modelo aprovado pelo próprio Enzo Ferrari, tornando-se imediatamente um dos automóveis mais desejados de sempre. No caso do F40 LM, porém, a intenção nunca foi a estrada - desde o primeiro esboço que foi concebido como uma máquina de corrida sem compromissos.
A unidade que vai a leilão foi construída na especificação GTC, a mais extrema de todas. Aqui, o V8 biturbo sobe a fasquia até aos 760 cavalos de potência, acompanhado por um conjunto técnico à altura: travões Brembo reforçados e uma suspensão de competição pensada para extrair o máximo desempenho em circuito.
Aerodinâmica e detalhes técnicos do Ferrari F40 LM
À vista desarmada, o F40 LM distingue-se por uma presença ainda mais agressiva. Surgem as jantes OZ em magnésio, entradas de ar de maiores dimensões, um deflector (lâmina aerodinâmica) dianteiro e uma asa traseira não só maior como ajustável, sublinhando a prioridade dada à estabilidade e à eficiência aerodinâmica.
No habitáculo, a abordagem é igualmente radical: bancos desportivos equipados com arneses de seis pontos e a substituição do painel analógico “clássico” por um painel de instrumentos de competição, mais adequado ao contexto de pista.
F40 LM chassis #95448
Este exemplar, identificado pelo chassis #95448, foi entregue novo em 1993 a Walter Hagmann, reconhecido coleccionador suíço. Poucos meses após a entrega, durante um teste em Mugello, sofreu um toque ligeiro - e foi a própria Michelotto a tratar da reparação.
Em 2009, este F40 LM recebeu certificação Ferrari Classiche, com motor, caixa e carroçaria a apresentarem numeração coincidente. Cinco anos mais tarde, regressou às instalações da Michelotto para uma revisão completa de motor e transmissão. A intervenção mais recente ocorreu já em junho deste ano, com um investimento superior a 67 mil dólares (cerca de 61 mil euros) em manutenção.
O resultado é aquilo que se espera de um automóvel desta importância: um estado de conservação impecável e uma configuração fiel às origens. Entre os elementos que reforçam essa autenticidade estão a pintura Rosso Corsa, os bancos em tecido Vigogna e as janelas laterais em Plexiglass Lexan, mantendo-se a unidade alinhada com as especificações de fábrica.
Num mundo cada vez mais filtrado por assistências e camadas electrónicas, o F40 LM continua a representar o oposto: sem filtros, com uma entrega bruta ao acelerador e uma atitude agressiva, é frequentemente apontado como o derradeiro Ferrari de pista.
Além da mecânica e da estética, conta - e muito - o histórico. A combinação entre produção diminuta, preparação Michelotto Automobili, certificação Ferrari Classiche e registo de intervenções recentes cria um pacote especialmente atractivo para coleccionadores, porque reduz a incerteza e valoriza a proveniência.
Também pesa a componente cultural: o F40 LM não é apenas um F40 “mais forte”. É a leitura mais directa do que significa pegar num ícone e empurrá-lo para o seu ambiente natural - o circuito - preservando o carácter visceral que tornou o F40 uma referência.
O mais caro de sempre?
Por tudo isto, a RM Sotheby’s aponta para este leilão - agendado para a Semana Automóvel de Monterey em agosto - uma estimativa entre 8,5 e 9,5 milhões de dólares (aproximadamente 7,7 a 8,6 milhões de euros ao câmbio actual). Ainda assim, a expectativa generalizada é que o valor final ultrapasse com facilidade essa fasquia.
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