O risco ligado aos airbags Takata está longe de ser um tema recente: os primeiros incidentes conhecidos têm mais de uma década. Desde essa altura, foram lançadas campanhas de recolha em vários países, e Portugal também foi abrangido por essas ações.
Em junho, o assunto voltou a ganhar destaque após um acidente mortal em França, que levou as autoridades francesas a avançarem com medidas particularmente severas para responder ao problema.
O automóvel envolvido era um Citroën C3, modelo que já tinha sido alvo de uma campanha de recolha promovida pela Stellantis no ano passado, incluindo no mercado português.
Em maio de 2024, o grupo avançou ainda com uma campanha do tipo “stop-drive”, na qual alertou os proprietários para não conduzirem o veículo até a intervenção estar concluída. Para além do Citroën C3, a recolha incluiu também o Citroën DS3, com unidades produzidas entre 2009 e 2019.
A origem do problema nos airbags da empresa japonesa - que encerrou atividade em 2018, precisamente devido a este escândalo - está no composto à base de nitrato de amónio usado para acionar o airbag. Com o passar do tempo, este químico mostrou ser instável, sobretudo em ambientes quentes e húmidos, o que acelera a degradação dos componentes internos.
Quando o sistema é acionado, o insuflador pode rebentar com força superior ao previsto, lançando fragmentos metálicos para dentro do habitáculo e convertendo um equipamento de segurança numa ameaça direta para o condutor.
Em Portugal, a Stellantis informou a Razão Automóvel que já substituiu os airbags em 17 123 veículos, de um total de 22 mil automóveis afetados. Este total supera o que estava previsto em maio de 2024, uma vez que passa a considerar também viaturas importadas de outros mercados para Portugal.
Se tem um destes modelos, a forma mais simples de confirmar se o seu automóvel está abrangido por uma campanha técnica é consultar o site da Citroën e verificar a informação através dos dados do veículo: siga esta ligação.
Também é recomendável ter presente que, em campanhas como a “stop-drive”, a prioridade deve ser a segurança: se o fabricante indicar para não circular até à reparação, a melhor prática é imobilizar o carro e contactar de imediato a rede oficial para agendar a substituição.
Por fim, vale a pena guardar o registo da marcação e da intervenção efetuada (por exemplo, e-mails, SMS ou fatura/ordem de reparação), pois estes comprovativos podem ser úteis para histórico do veículo e para futuras transações.
Airbags Takata: outras marcas envolvidas
A Citroën não é a única marca afetada pelos airbags Takata. Existem outros construtores com campanhas de recolha ativas. Para confirmar se a sua viatura está na lista das que necessitam de substituir o airbag, verifique as ligações das respetivas marcas: Audi, BMW, Honda, Mazda, Mercedes-Benz, SEAT, Skoda, Toyota e Volkswagen.
Estima-se que mais de 100 milhões de veículos em todo o mundo tenham sido afetados por estes airbags defeituosos da Takata, situação que já terá provocado dezenas de mortes e centenas de feridos.
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