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Um Volkswagen Golf dos anos 80 sobrevive aos testes de colisão atuais?

Volkswagen Golf MK2 azul estacionado em showroom com janelas grandes ao fundo.

A DEKRA - organização global dedicada a testes, inspeção e certificação automóvel - decidiu medir a evolução dos sistemas de segurança passiva através de uma comparação direta entre dois ícones da mesma linhagem: um Volkswagen Golf Mk2 (produzido entre 1983 e 1992) e um Golf Mk8 (fabricado desde 2019).

Teste de colisão frontal (protocolo Euro NCAP) e diferenças entre o Volkswagen Golf Mk2 e o Golf Mk8

Para colocar ambos os modelos em igualdade de critérios, foi aplicado o mesmo procedimento que o Euro NCAP utilizou até 2020: uma colisão frontal a 64 km/h contra uma barreira equipada com um elemento deformável, concebida para reproduzir um embate entre dois veículos a cerca de 50–55 km/h. Os resultados dos testes de colisão podem ser comparados nas imagens da galeria indicada no artigo.

O contraste foi particularmente evidente no teste de colisão frontal. Segundo o especialista da DEKRA, Markus Egelhaaf, no modelo da década de 80 os ocupantes “teriam poucas possibilidades de sobreviver”. Já no caso do Golf mais recente, no mesmo cenário, “os ocupantes provavelmente teriam escapado com ferimentos leves”.

Além de evidenciar a evolução estrutural e de proteção dos ocupantes, esta comparação ajuda a perceber como a abordagem à segurança foi mudando ao longo das décadas: não se trata apenas de “aguentar o impacto”, mas de gerir a energia da colisão e reduzir cargas no corpo, preservando o espaço vital no habitáculo.

Mais testes

A avaliação não ficou por aqui. Para lá do embate frontal, a DEKRA realizou também ensaios a outros componentes essenciais para a prevenção do acidente e para a segurança global do veículo.

Sistema de travões

Nos testes ao sistema de travões, conduzidos em diferentes superfícies e condições, a conclusão foi clara: o Golf de 2019 necessita de aproximadamente menos 30% de distância para imobilizar do que o Golf da década de 80.

Estabilidade em curva (manobras evasivas)

Houve ainda um ensaio de estabilidade em curva, pensado para replicar manobras evasivas rápidas, como uma mudança brusca de trajetória. Os especialistas mediram a velocidade máxima a que um piloto de testes profissional conseguiu executar com segurança uma mudança de faixa dupla, sem provocar derrapagem: 65 km/h no Golf Mk2 e 75 km/h no Golf Mk8.

Apesar da melhoria, Egelhaaf sublinhou que “este teste deixou claro que mesmo a tecnologia moderna tem os seus limites”.

Iluminação: halogéneo vs LED e terceira luz de travagem

Como seria expectável, também a iluminação revela avanços relevantes. O Golf Mk2 utiliza faróis de halogéneo, enquanto o Mk8 recorre a tecnologia LED, que proporciona um feixe mais homogéneo e, em condução noturna, tende a ser menos cansativo.

Na traseira, a inclusão da terceira luz de travagem contribui para uma melhor perceção por parte de quem circula atrás, aumentando a visibilidade do veículo e reforçando a segurança do tráfego envolvente.

O que estes resultados dizem sobre a segurança rodoviária

No conjunto, a DEKRA considera que os ensaios ilustram de forma inequívoca o salto registado na segurança rodoviária ao longo dos últimos 35 anos, tanto na capacidade de proteção em colisão como na eficácia dos sistemas que ajudam a evitar situações críticas.

Vale ainda lembrar que, na utilização quotidiana, fatores como o estado dos pneus, a manutenção do sistema de travagem e a correta regulação dos faróis continuam a ter impacto direto no desempenho real - mesmo em modelos modernos -, ajudando a aproximar o comportamento em estrada dos resultados obtidos em ambiente de teste controlado.

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