As intenções internacionais da Xiaomi são inequívocas: a marca quer competir diretamente com a BYD e a Tesla no mercado dos carros elétricos. E a primeira grande aposta fora da China já está definida: a Europa, o chamado «velho continente».
A confirmação surgiu durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre, realizada na passada terça-feira, 19 de agosto, pela voz de Lu Weibing, presidente da tecnológica chinesa.
O objetivo é começar a vender automóveis elétricos na Europa a partir de 2027.
Expansão da Xiaomi na Europa: o que já está no terreno na China
Por enquanto, a Xiaomi limita a sua oferta automóvel ao mercado chinês, onde comercializa dois modelos: SU7 e YU7. A rede de distribuição já é significativa, com mais de 335 concessionários distribuídos por 92 cidades, e o ritmo de crescimento tem sido rápido.
Este avanço é particularmente relevante se tivermos em conta que a entrada da Xiaomi no setor automóvel é recente: foi apenas no ano passado que a marca iniciou as vendas do seu primeiro modelo, a berlina SU7.
Os números da Xiaomi no negócio automóvel
Entre abril e junho deste ano, a Xiaomi entregou 81 302 automóveis, um volume que representa quase o triplo do registado no mesmo período de 2024 (27 307 unidades).
O aumento de entregas refletiu-se nas receitas da divisão automóvel, que mais do que triplicaram: cresceram 233,9%, alcançando 20,6 mil milhões de yuan (aproximadamente 2,4 mil milhões de euros, ao câmbio atual).
Apesar desta trajetória de crescimento, a operação automóvel continua no vermelho. No segundo trimestre, a Xiaomi registou perdas operacionais de 300 milhões de yuan (cerca de 36 milhões de euros). Em 2024, essas perdas tinham sido de 1,8 mil milhões de yuan (aproximadamente 216 milhões de euros), o que correspondeu, em média, a uma perda de cerca de 7000 euros por unidade vendida.
Ainda assim, Lei Jun, cofundador da Xiaomi, mantém-se confiante e garante que a divisão automóvel deverá atingir a rentabilidade já no segundo semestre deste ano.
Resultados do Grupo Xiaomi no segundo trimestre
O desempenho do grupo como um todo também foi positivo. No segundo trimestre, o Grupo Xiaomi reportou receitas de 116 mil milhões de yuan (cerca de 13,9 mil milhões de euros), um crescimento de 22,5% face ao mesmo período de 2024.
Vem para Portugal?
Sabendo-se que a chegada à Europa está apontada para 2027, a pergunta seguinte é inevitável: a Xiaomi também vem para Portugal?
Para já, não existe importador confirmado no nosso mercado. Ainda assim, há sinais de interesse: há vários grupos a ponderar representar a marca, o que poderá acelerar a entrada caso a Xiaomi avance com uma estratégia europeia apoiada em parceiros locais.
Se a marca se instalar em Portugal, há ainda fatores práticos a ter em conta, como a criação de uma rede de assistência pós-venda, disponibilidade de peças, formação técnica e capacidade de resposta em garantia - aspetos que tendem a pesar tanto quanto o preço na decisão de compra, sobretudo num segmento em que a confiança no serviço é determinante.
Preços na China e o que esperar na Europa (e em Portugal)
Outro ponto quase certo na transição para o mercado europeu é a subida de preços face aos valores praticados na China. No mercado chinês, o SU7 começa nos 215 900 yuan (cerca de 26 mil euros) e o YU7 nos 253 500 yuan (aproximadamente 30 mil euros).
No entanto, é pouco provável que estes valores se repliquem por cá. Entre impostos, custos logísticos, margens de distribuição, eventuais adaptações e requisitos de homologação, dificilmente veremos em Portugal preços ao mesmo nível dos praticados na China.
Além disso, a competição na Europa é intensa e obriga a um posicionamento claro: para se destacar frente a BYD, Tesla e marcas europeias já estabelecidas, a Xiaomi terá de equilibrar preço, equipamento, autonomia, software e ecossistema de carregamento - sem descurar a disponibilidade de entregas, que pode ser decisiva numa fase inicial de expansão.
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