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Ferrari Daytona SP3 atinge valor absurdo em leilão por um bom motivo

Carro desportivo amarelo Ferrari com placas SP-599+1 em exposição interior.

O facto é simples: este Ferrari Daytona SP3 único foi leiloado por 26 milhões de dólares (cerca de 22,3 milhões de euros). Foi, de longe, o automóvel mais caro a mudar de mãos em leilão durante a Monterey Car Week 2025, atingindo um valor próximo de 10 vezes o preço base quando era novo.

A venda ficou a cargo da RM Sotheby’s e, apesar de o número parecer extravagante, há um motivo que torna este resultado - dentro do possível - compreensível.

Ferrari Daytona SP3 599+1: a exceção dentro da série Icona de Maranello

Mesmo sem “extras”, o Ferrari Daytona SP3 já nasce especial. Integra a série Icona da marca de Maranello, uma linhagem que recupera inspiração em modelos históricos para criar máquinas de produção muito limitada. No caso do SP3, a produção estava fixada em 599 unidades.

Esses exemplares já foram todos construídos e entregues, mas o carro aqui em causa é diferente: é novo e recebeu uma numeração inédita, 599+1. Ou seja, a Ferrari decidiu, deliberadamente, fabricar mais um Daytona SP3 para lá do total inicialmente anunciado.

Porque é que a Ferrari produziu mais um Daytona SP3?

A decisão teve um objetivo direto: leiloar esta unidade adicional e doar a totalidade do montante arrecadado a causas solidárias, com foco em projetos educativos. Entre eles, esteve incluída a reconstrução de uma escola na Califórnia que foi afetada por incêndios.

Este enquadramento - uma unidade extra “oficial”, saída da própria Ferrari, criada para beneficência e com especificação irrepetível - ajuda a explicar por que razão o valor disparou num evento onde se concentram alguns dos colecionadores mais influentes do mundo.

Tailor Made e a estética irrepetível (incluindo Giallo Modena)

Para garantir que esta unidade 599+1 não era “apenas mais um SP3”, o carro passou pelo departamento Tailor Made, conhecido pela atenção minuciosa a materiais, acabamentos e combinações fora do catálogo.

O resultado está à vista na carroçaria bicolor: - de um lado, o cinzento criado pela fibra de carbono exposta; - do outro, um amarelo intenso Giallo Modena.

Ainda assim, o elemento que mais se destaca é outro: a inscrição Ferrari, aplicada na zona superior da carroçaria e ao longo de todo o comprimento do superdesportivo - um detalhe que, segundo a própria lógica do projeto, a marca nunca tinha executado desta forma.

Exclusividade também por dentro: Cavalino e fibra de carbono ao estilo Fórmula 1

A mesma filosofia prolonga-se no habitáculo. Os bancos são revestidos com um tecido inovador produzido a partir de pneus reciclados, com padrão Cavalino. Já o tabliê e a coluna de direção recorrem a fibra de carbono semelhante à utilizada na Fórmula 1, reforçando o lado técnico e de competição do modelo.

Num mercado onde a proveniência e a singularidade contam tanto quanto a performance, uma configuração Tailor Made com elementos exclusivos - somada ao caráter de “unidade extra” e ao propósito solidário - pode transformar um superdesportivo num objeto de coleção praticamente impossível de replicar.

Números do Daytona SP3

Apesar de toda a distinção desta unidade, a base mecânica mantém-se fiel ao que tornou o modelo tão desejado: sob o capô está o V12 atmosférico de 6,5 litros, derivado do utilizado no 812 Competizione.

Face ao 812 Competizione, o V12 do Ferrari Daytona SP3 entrega mais 10 cv e mais 5 Nm, ficando com: - 840 cv às 9250 rpm - 697 Nm às 7250 rpm

Com estes valores, o superdesportivo italiano cumpre: - 0–100 km/h em 2,85 s - 0–200 km/h em 7,4 s - velocidade máxima de 340 km/h

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