A Koenigsegg não deixou o Rimac Nevera R saborear os seus recordes durante muito tempo: depois de o hipercarro croata ter feito manchetes, a marca sueca respondeu em força e somou 24 recordes num só dia - e, na prática, bastou cerca de um mês para devolver a pressão ao rival.
O protagonista do contra-ataque foi novamente o Koenigsegg Jesko Absolut, que recuperou o estatuto de referência na prova 0-400-0 - isto é, acelerar dos 0 aos 400 km/h e travar de volta até 0 km/h - depois de o Rimac Nevera R ter superado esta marca em julho.
Para o conseguir, o “monstro” sueco regressou à pista de aviação de Örebro, na Suécia, e cravou 25,21 s. O resultado bate por pouco mais de meio segundo os 25,79 s do “monstro” croata e, mais impressionante ainda, melhora em mais de 2,5 s o registo que o próprio Jesko Absolut tinha feito em 2024 (27,83 s).
O feito ganha ainda mais peso quando se olha para a receita técnica: o Koenigsegg Jesko Absolut é 100% a combustão, utiliza apenas tração traseira e debita “só” 1600 cv (com E85).
Dizemos “só” porque, no papel, o Rimac Nevera R, 100% elétrico, joga numa liga de potência diferente: 2107 cv, gerados por quatro motores elétricos (um por roda), com tração integral. Ainda assim, há um dado que ajuda a explicar o equilíbrio em linha reta: o Rimac é muito mais pesado - 2115 kg contra 1390 kg.
Entretanto, Mate Rimac já reagiu nas redes sociais, reconhecendo o resultado obtido pela Koenigsegg e por Christian von Koenigsegg, e deixando a promessa de que haverá resposta.
Um ponto extra a ter em conta é o que esta disputa está a demonstrar: a métrica 0-400-0 não mede apenas aceleração pura; coloca também em jogo gestão de tração, entrega de binário, estabilidade a alta velocidade e, sobretudo, capacidade de travagem. É precisamente por isso que diferenças de massa, pneus e afinação eletrónica podem valer décimas (ou segundos) num recorde.
O que mudou no Koenigsegg Jesko Absolut (0-400-0)?
Apesar da melhoria expressiva face a 2024 - e de ter ultrapassado o Rimac Nevera R - a Koenigsegg garante que não mexeu em nada “físico” no carro. Segundo a marca, trata-se da mesma unidade que estabeleceu o recorde no ano passado.
A evolução veio do lado do software que comanda o motor e a transmissão. Christian von Koenigsegg explicou que a equipa tem vindo a refinar a gestão do conjunto motriz e da LST (Light Speed Transmission), introduzindo também um novo sistema de controlo de binário para gerir a aderência do Absolut “como nunca”.
A estas alterações, o construtor deu o nome de “Absolut Overdrive” - e a Koenigsegg afirma que esta atualização será disponibilizada a todos os Jesko Absolut já entregues.
“O facto de termos atingido este nível de performance com um carro de produção com motor de combustão e apenas tração traseira, batendo todos os elétricos de tração às quatro rodas em linha reta, é quase mágico e mostra que as ‘verdades’ podem ser reescritas.”
Christian von Koenigsegg, fundador e CEO da Koenigsegg
Este tipo de atualização também ilustra uma tendência cada vez mais clara nos hiperdesportivos atuais: a performance já não depende apenas de hardware. Em muitos casos, um ajuste fino de software - na forma como o binário é libertado e como a transmissão responde - pode transformar a eficácia do carro, sobretudo quando a tração disponível é limitada (como acontece num modelo de tração traseira).
Ainda é possível melhorar?
Segundo a própria Koenigsegg, sim: o Koenigsegg Jesko Absolut ainda tem margem para baixar este tempo. A marca refere que, no dia do recorde, as condições estavam longe do ideal, porque tinha chovido e a pista ainda não estava totalmente seca.
O registo completo, conseguido pelo piloto do construtor Markus Lundh, inclui também medições em milhas por hora (nota: 250 mph são 402 km/h, o que explica pequenas discrepâncias):
- 0-400-0 km/h – 25,21 s
- 0-400 km/h – 16,77 s
- 400-0 km/h – 8,44 s
- 0-250-0 mph – 25,67 s
- 0-250 mph – 17,18 s
- 250-0 mph – 8,49 s
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