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O Paquistão procura fechar um acordo com o Sudão para fornecer aviões, drones e armas às Forças Armadas sudanesas, num valor de cerca de 1,5 mil milhões de dólares.

Dois militares em uniforme discutem mapa estratégico numa sala com janelas para pista de jatos de combate.

O Paquistão está a entrar na recta final para concluir um acordo de defesa avaliado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares norte-americanos com o Sudão, no âmbito do qual forneceria às Forças Armadas sudanesas aeronaves, drones e sistemas de defesa aérea. De acordo com informação divulgada recentemente, este pacote de armamento teria como objectivo reforçar as capacidades militares sudanesas no contexto da guerra civil que opõe o governo às Forças de Apoio Rápido (RSF).

Segundo fontes próximas do processo, o entendimento prevê a entrega de mais de 200 drones destinados a missões de reconhecimento e a ataques com munições vagantes (loitering munitions), além de 10 aeronaves ligeiras de ataque K-8 Karakoram. O lote incluiria também sistemas avançados de defesa aérea, embora não tenham sido indicadas especificações técnicas. A proposta contemplaria ainda aeronaves de instrução PAC MFI-395 Super Mushshak e poderá abranger caças JF-17 Thunder, desenvolvidos em conjunto pelo Paquistão e pela China, apesar de, por enquanto, não existirem quantidades nem calendários de entrega definidos.

O marechal-do-ar paquistanês na reforma Aamir Masood, que continua a receber briefings relacionados com a Força Aérea, descreveu o negócio como estando “fechado”. Por sua vez, o governo em Islamabad não respondeu a pedidos de comentário, enquanto um porta-voz do Exército sudanês também recusou prestar declarações.

As fontes não esclareceram de que forma seria estruturado o financiamento do acordo. A este respeito, Masood indicou que a Arábia Saudita poderá desempenhar um papel, embora existam versões divergentes sobre se Riade actuaria como financiador directo ou apenas como facilitador da operação.

O papel da Força Aérea Sudanesa no conflito interno

Desde o início da guerra civil, em Abril de 2023, a Força Aérea Sudanesa tornou-se um elemento-chave para sustentar a estrutura militar do Estado face ao avanço das RSF. Vários analistas concordam que, sem a utilização de meios aéreos, diversas bases militares de referência em Cartum teriam sido capturadas por forças paramilitares nas fases iniciais do conflito.

Neste enquadramento, a aviação sudanesa tem recorrido repetidamente a caças MiG-29 em missões de interdição a baixa altitude, bem como a uma combinação de ataques aéreos e terrestres em regiões como Darfur e Kordofão, com o propósito de perturbar as linhas logísticas das RSF - em particular as que chegam do sul da Líbia. No final de 2025, as Forças Armadas Sudanesa reportaram que ataques aéreos em Kordofão permitiram destruir 240 viaturas de combate das RSF e neutralizar meios de drones posicionados no aeroporto de Nyala.

O inventário da Força Aérea Sudanesa é maioritariamente composto por plataformas de origem russa e chinesa, incluindo MiG-21, MiG-23, MiG-29, Su-24 e Su-25, além de aeronaves chinesas como o Nanchang Q-5, o Shenyang J-6 e o Chengdu J-7. A estas capacidades somam-se os treinadores avançados FTC-2000 Shanying, adquiridos à China em 2016, que acrescentam uma componente adicional de combate ligeiro.

Um eventual reforço com drones, aeronaves de treino e, possivelmente, caças JF-17 Thunder insere-se numa lógica de modernização e diversificação de meios, com impacto directo tanto na vigilância como na capacidade de ataque. Ao mesmo tempo, a integração de novas plataformas implica desafios de manutenção, formação de pilotos e operadores, e estabelecimento de cadeias de abastecimento - aspectos que tendem a ser determinantes para a eficácia operacional em conflitos prolongados.

Intensificação do uso de drones pelas RSF

A possível assinatura com o Paquistão surge num momento em que se observa um aumento do uso de drones por parte das RSF. Esta semana, forças paramilitares lançaram um ataque com drones contra uma base do Exército na cidade de Singa, no sudeste do país, provocando 27 mortos e 73 feridos, segundo fontes militares e de saúde citadas pela agência AFP.

Um responsável militar indicou que os drones das RSF “atacaram o quartel-general da 17.ª Divisão de Infantaria do Exército”, enquanto o ministro da Saúde do estado de Sennar, Ibrahim al-Awad, confirmou o número de vítimas. O ataque ocorreu um dia depois de o governo alinhado com o Exército ter anunciado o seu regresso a Cartum, após quase três anos a operar a partir de Port Sudan.

Desde Abril de 2023, o conflito provocou dezenas de milhares de mortos, a deslocação de 11 milhões de pessoas e uma crise humanitária que as Nações Unidas descreveram como uma “atrocidade de guerra”, com acusações de ataques contra civis dirigidas a ambos os lados.

Expansão das exportações de defesa do Paquistão e o destaque do JF-17 Thunder

A negociação com o Sudão integra uma estratégia mais ampla de crescimento das exportações de defesa do Paquistão. Nas últimas semanas, Islamabad terá fechado um acordo superior a 4 mil milhões de dólares para a venda de caças JF-17 Thunder ao Exército Nacional Líbio (LNA), segundo fontes paquistanesas citadas por meios de comunicação internacionais, apesar dos actuais embargos de armas das Nações Unidas impostos a Tripoli.

Em paralelo, o Paquistão mantém conversações com a Arábia Saudita sobre uma eventual operação de troca de dívida por aeronaves envolvendo JF-17, um mecanismo que poderia atingir vários milhares de milhões de dólares e ajudar a reduzir a pressão financeira sobre o país, que se encontra actualmente ao abrigo de um programa de assistência de 7 mil milhões de dólares do Fundo Monetário Internacional.

Neste quadro, um acordo com o Sudão contribuiria para consolidar o posicionamento do Paquistão como fornecedor relevante de sistemas de armas em África e no Médio Oriente, num contexto marcado por conflitos prolongados e pela reconfiguração de alianças militares. Ao mesmo tempo, negócios desta dimensão tendem a gerar efeitos em cadeia - desde a criação de redes de manutenção e treino até à maior dependência de peças e munições - influenciando, a médio prazo, o equilíbrio de capacidades no teatro regional.

Imagens utilizadas para fins ilustrativos.

Tradução e adaptação para português de Portugal.

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