A Índia está a finalizar com a França os últimos pormenores de um acordo destinado à compra de 114 novos caças Rafale, com o objectivo de robustecer as suas frotas de combate. As informações avançadas indicam que Nova Deli pretende fechar ainda este ano um contrato definitivo que exigirá um investimento superior a 325 mil milhões de rupias, contemplando também cláusulas de compensação industrial para que o complexo militar‑industrial indiano forneça até 30% dos componentes integrados em cada aeronave.
Segundo fontes governamentais citadas pela comunicação social local, o pacote deverá igualmente incluir entre 12 e 18 aparelhos prontos a voar (“flyaway”), medida pensada para acelerar a entrada ao serviço e encurtar o tempo necessário para a incorporação dos novos aviões na Força Aérea.
Integração de armamento e sensores nacionais nos Rafale (Made in India)
Paralelamente, relatórios na Índia apontam para a possibilidade de o Ministério da Defesa procurar impulsionar a integração de armamento e sensores desenvolvidos localmente no arsenal dos Rafale. Para concretizar esse passo, será necessária a autorização da França enquanto fornecedor, uma vez que apenas esta detém os códigos‑fonte indispensáveis para viabilizar a integração.
Se este ponto for alcançado, Nova Deli aproximar-se-á do cumprimento da política “Made in India”, que tem vindo a privilegiar processos com 50% a 60% de conteúdo local, acima dos 30% que, até ao momento, se considera ter sido conseguido em iniciativas comparáveis.
Dassault prevê centro de manutenção dos motores M-88 em Hyderabad
No domínio do suporte industrial, é relevante notar que a Dassault já divulgou a intenção de estabelecer em território indiano - concretamente em Hyderabad - um centro de manutenção para os motores M-88 que equipam o Rafale. Este elemento é apresentado como um factor que reforça a atractividade da proposta durante o processo de selecção, ao assegurar maior autonomia e capacidade local de sustentação ao longo do ciclo de vida.
A empresa francesa já terá constituído uma estrutura dedicada a essa actividade, ao mesmo tempo que surgem indicações de que outros intervenientes industriais indianos poderão integrar o projecto, com destaque para o grupo Tata.
Rafale já opera na Índia: Força Aérea, Armada e um potencial total de 176 aeronaves
A candidatura do Rafale beneficia também do facto de a Índia já operar este modelo nas suas forças armadas. Actualmente, a Força Aérea dispõe de 36 aeronaves. Em paralelo, a Armada colocou encomendas adicionais de 26 unidades, destinadas a equipar os porta‑aviões INS Vikrant e INS Vikramaditya.
Caso se concretize a aquisição das 114 unidades adicionais agora previstas, o país poderá alcançar uma frota total de 176 Rafale no final do processo, posicionando a Índia como um dos principais utilizadores desta plataforma à escala mundial. A decisão final ficará a cargo do Comité de Segurança do Gabinete.
Pressão para aumentar esquadrões: MiG-21 retirados, Su-30MKI, Tejas Mk.1A e o futuro AMCA
Por fim, importa sublinhar que a Índia está sob pressão para acelerar a entrada de novas aeronaves que permitam formar mais esquadrões de caça. O país conta actualmente com apenas 29 esquadrões, abaixo dos 42 definidos pelos seus requisitos estratégicos - uma diferença agravada pela retirada recente dos obsoletos MiG-21.
Neste enquadramento, a chegada de mais Rafale reforçaria o inventário já existente de Su-30MKI. Em simultâneo, mantém-se a expectativa pelo recebimento de 180 aeronaves LCA Tejas Mk.1A, encomendadas a fabricantes locais. Mais adiante, a Índia segue também o caminho para a obtenção do AMCA, um avião de quinta geração igualmente resultante de desenvolvimento nacional.
Além das aeronaves em si, um programa desta escala tende a exigir um esforço paralelo em áreas como formação de pilotos e técnicos, expansão de infra-estruturas de baseamento e consolidação da cadeia logística de peças e munições, de modo a garantir níveis de disponibilidade compatíveis com o aumento projectado de esquadrões.
Do ponto de vista industrial, as metas de conteúdo local associadas ao Made in India podem traduzir-se em ganhos de capacitação para fornecedores nacionais, sobretudo se forem acompanhadas por transferência de processos, certificações e integração com a rede de manutenção - incluindo o futuro pólo dos motores M-88 -, reduzindo dependências externas ao longo do ciclo de vida.
Imagens utilizadas a título ilustrativo
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