Num comunicado breve divulgado ontem, a Rheinmetall informou que as Forças Armadas da Ucrânia estão prestes a receber os seus primeiros VCI (veículos de combate de infantaria) Lynx fornecidos pela Alemanha, ao abrigo de um pacote de assistência militar cujo contrato foi assinado em dezembro do ano passado. Segundo a empresa, as entregas deverão ocorrer nos próximos dias e dizem respeito a um primeiro lote de cinco viaturas, cuja expedição implicou um investimento a rondar os 10 milhões de euros.
Ensaios prévios e configuração com a torreta Lance
Importa recordar que as forças ucranianas já dispunham, desde janeiro de 2025, de um primeiro Lynx produzido pela Rheinmetall, destinado a testes e avaliações para aferir, de forma directa, o desempenho do sistema em ambiente operacional. Em particular, procurou-se confirmar a eficácia do veículo na configuração que integra a torreta Lance e outras adaptações alinhadas com os requisitos ucranianos.
Este processo de validação é relevante porque sustenta a possibilidade de serem encomendadas unidades adicionais. Para o futuro, mantém-se ainda em aberto a hipótese de alguns exemplares virem a ser produzidos em território ucraniano, com o objectivo de dinamizar o complexo militar-industrial local e, simultaneamente, reduzir prazos de entrega.
Declarações da Rheinmetall e apoio do Governo alemão
A propósito destes desenvolvimentos na selecção e na entrega do VCI Lynx, o director-geral da Rheinmetall, Armin Papperger, declarou por via de canais oficiais:
“Agradecemos a confiança que a Ucrânia depositou em nós. Também queremos agradecer ao governo alemão o seu apoio. Esta encomenda é um sucesso fundamental que sublinha os nossos esforços contínuos para apoiar a Ucrânia.”
O enquadramento político-financeiro não é indiferente, uma vez que o financiamento que viabiliza a operação é assegurado pelo Governo alemão, actualmente liderado por Friedrich Merz.
Características do VCI Rheinmetall Lynx para a Ucrânia
No que toca às especificações conhecidas da plataforma que será incorporada nas fileiras ucranianas, trata-se de viaturas assentes num módulo de condução comum, complementado por um kit de missão flexível que permite adaptar o veículo a diferentes funções consoante as necessidades. Entre as configurações possíveis incluem-se, por exemplo:
- Variante de transporte
- Variante de ambulância
- Variante de comando
- Outras opções decorrentes do conceito modular
É igualmente conhecido que os veículos vêm equipados com um motor Liebherr de 850 kW (cerca de 1 140 hp), associado a uma transmissão Renk e a uma suspensão desenvolvida pela Supashock. Com a já referida torreta Lance, o Lynx dispõe de um canhão de 30 mm como armamento principal, existindo ainda a possibilidade de integração de mísseis antitanque e de sistemas de protecção activa e/ou passiva.
Formação, manutenção e integração operacional
A chegada de um novo VCI a um teatro de operações implica mais do que a simples entrega das viaturas: torna-se essencial assegurar formação de tripulações, padronização de procedimentos e capacidade de manutenção em condições exigentes. Em termos práticos, isso traduz-se na necessidade de preparar equipas para diagnóstico, reparação e gestão de sobressalentes, bem como estabelecer cadeias de abastecimento robustas para manter os Lynx operacionais com elevados ritmos de utilização.
Também é determinante a integração do Lynx na doutrina e nas unidades já em serviço, incluindo a coordenação com outros meios (reconhecimento, artilharia e defesa antiaérea) e a disponibilidade de munições e sistemas complementares compatíveis com a torreta Lance e com as opções futuras de armamento e protecção.
A assistência alemã inclui também os obuses autopropulsados RCH 155
Por fim, é útil sublinhar que o envio dos VCI Lynx não constitui o único esforço previsto pela Alemanha para equipar as Forças Armadas da Ucrânia. Neste contexto, destaca-se igualmente o programa relativo aos obuses autopropulsados RCH 155.
Em concreto, Kiev encomendou uma frota de cerca de 54 unidades para reforçar inventários já pressionados pelo desgaste do combate, tendo sido entregue uma primeira unidade em Janeiro do ano passado.
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
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