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A Força Aérea Portuguesa recebeu o quarto e último C-130H-30 Hércules modernizado pela OGMA.

Três técnicos em uniforme junto a um avião militar branco numa pista de aeroporto ao ar livre.

A Força Aérea Portuguesa concluiu a actualização da sua frota de transporte táctico C-130H-30 Hércules com a entrega do quarto e último aparelho modernizado pela OGMA (Indústria Aeronáutica de Portugal, S.A.). A cerimónia teve lugar na Base Aérea N.º 6, no Montijo, assinalando o fecho de um programa que reforça a prontidão do Esquadrão 501 “Bisontes” e prolonga a vida operacional de uma plataforma histórica do transporte aéreo militar nacional.

O projecto foi executado integralmente nas instalações da OGMA, em Alverca, e abrangeu a modernização completa de quatro aeronaves C-130H-30. A intervenção incluiu alterações estruturais e uma renovação profunda da aviónica, com a transição para instrumentos digitais e a integração de novos sistemas de navegação, comunicações e controlo de voo. Com estas melhorias, a frota passa a oferecer maior eficiência na operação, níveis acrescidos de segurança e conformidade com requisitos internacionais de gestão do tráfego aéreo, alinhando os Hércules com os padrões actuais da aviação militar.

O programa, co-financiado por fundos europeus, enquadra-se no âmbito do SESAR (Single European Sky ATM Research), iniciativa orientada para adaptar aeronaves militares às exigências do espaço aéreo europeu. Entre as metas destacam-se a optimização de rotas, a diminuição de custos de operação e a redução do impacto ambiental. Para a Força Aérea Portuguesa, este passo traduz-se num avanço relevante na interoperabilidade com outras forças da OTAN e numa maior sustentabilidade das missões, quer em território nacional, quer em teatros internacionais.

O encerramento deste ciclo surge após vários anos de trabalho, condicionados por constrangimentos orçamentais e pelos efeitos da pandemia de COVID-19, que empurraram prazos inicialmente apontados para 2019 e 2020. O primeiro C-130H-30 modernizado foi entregue em Maio de 2024, após um processo técnico exigente que, segundo a OGMA, envolveu mais de 90 mil horas de engenharia, 53 mil horas de intervenção em hangar, cerca de mil desenhos técnicos e a instalação de 17 quilómetros de cablagem por aeronave. Estes valores evidenciam a dimensão do esforço industrial e tecnológico aplicado a uma frota ao serviço desde 1977, com o objectivo de aumentar a disponibilidade e prolongar a sua vida útil.

A Força Aérea Portuguesa sublinhou ainda que o programa não se limita ao aumento de capacidade operacional: contribui também para robustecer a base tecnológica da indústria aeronáutica nacional, reforçando a OGMA como elemento relevante no ecossistema europeu de defesa. A articulação entre a empresa, as unidades de manutenção da Força Aérea e a Autoridade Aeronáutica Nacional foi decisiva para cumprir os requisitos técnicos e regulamentares e, em simultâneo, consolidar competências avançadas de manutenção em Portugal.

Para além da modernização, há um impacto directo na forma como a frota é preparada e sustentada. A introdução de novos equipamentos e interfaces digitais exige actualização de procedimentos, formação específica para tripulações e técnicos, e uma adaptação das rotinas de manutenção e do aprovisionamento de componentes - factores que tendem a melhorar a previsibilidade das operações e a reduzir paragens prolongadas.

Em paralelo, Portugal prossegue a renovação do transporte táctico com a entrada das novas Embraer KC-390 Millennium, que irão substituir gradualmente os Hércules. Até ao momento, o Esquadrão 506 “Rinocerontes” recebeu três aeronaves, estando previsto que a frota alcance seis unidades nos próximos anos. Com os C-130H-30 modernizados a operar em conjunto com os KC-390, a Força Aérea passa a dispor de um equilíbrio entre experiência acumulada e tecnologia recente, assegurando a continuidade de missões de transporte, busca e salvamento e apoio humanitário, tanto em Portugal como em operações internacionais.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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