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Graças a acordos com a Noruega, o Reino Unido vai reforçar as capacidades árticas dos Royal Marines.

Militares noruegueses em uniforme de campanha reúnem-se na neve com mapa, perto de fiorde e embarcações, sob bandeira da Noru

O Reino Unido e a Noruega entraram numa nova etapa de cooperação militar destinada a robustecer a defesa do flanco norte da NATO, com atenção particular ao Ártico norueguês. Um acordo bilateral recente passa a permitir que a Força de Comandos do Reino Unido, liderada pelos Fuzileiros Reais, opere de forma permanente e durante todo o ano em território norueguês, alargando o modelo anterior assente em destacamentos anuais no inverno.

Este entendimento - designado Acordo da Casa de Lunna - reafirma o compromisso britânico com a defesa de um dos seus aliados mais próximos na Aliança Atlântica e formaliza a necessidade de manter forças prontas para cenários de combate num dos ambientes mais exigentes do planeta. Neste enquadramento, os Fuzileiros Reais consolidam-se como a componente britânica especializada em operações em clima extremo, guerra de montanha e combate em tempo frio, valências que vêm a ser aprofundadas na região há mais de cinco décadas.

A crescente aposta no Alto Norte também reflete uma realidade estratégica mais ampla: a região ártica ganhou relevância tanto pela sua proximidade a rotas e espaços marítimos críticos como pela necessidade de garantir vigilância, dissuasão e capacidade de resposta rápida em condições meteorológicas severas. Para a NATO, isso traduz-se em maior exigência sobre mobilidade, comunicações, logística e sustentação de forças em áreas remotas.

Em paralelo, a permanência e a rotatividade de efetivos implicam um reforço contínuo do apoio do país anfitrião e de procedimentos de segurança e sobrevivência. Em ambientes de fiordes, montanha e temperaturas muito baixas, a prontidão operacional depende tanto do treino de combate como de capacidades de evacuação médica, manutenção em frio extremo e planeamento cuidadoso de linhas de abastecimento.

Reforço de capacidades conjuntas, armamento e fragatas Tipo 26

No âmbito desta cooperação alargada, os dois países avançam com o fortalecimento de capacidades militares conjuntas, incluindo investimentos em armamento e programas ligados a contramedidas de minas não tripuladas e a sistemas de guerra submarina, bem como veículos autónomos para missões de patrulha subaquática. Soma-se ainda o objetivo de evoluir para uma futura frota interoperável de fragatas Tipo 26.

Este último ponto liga-se diretamente à decisão norueguesa, anunciada em setembro de 2025, de se tornar o primeiro país a adquirir estas fragatas desenvolvidas no Reino Unido. Está previsto que as primeiras unidades comecem a entrar ao serviço na Marinha Real Norueguesa a partir de 2030.

Empenhamento operacional e treino (Força de Comandos do Reino Unido e Fuzileiros Reais)

No plano operacional, a Força de Comandos do Reino Unido instalou em 2023 um pólo de operações conhecido como Campo Viking, situado na localidade de Øverbygd, cerca de 65 km a sul de Tromsø. Na atual rotação, o Reino Unido irá destacar aproximadamente 1 500 militares, além de viaturas todo-o-terreno e helicópteros da Força de Helicópteros de Comandos, que operarão ao longo das zonas costeiras e das áreas montanhosas do norte da Noruega.

Estas forças integrarão o Exercício Resposta Fria, apontado como o maior exercício militar realizado na Noruega e já calendarizado para 2026. A atividade visa evidenciar a coesão e a capacidade de dissuasão da NATO no Alto Norte, combinando operações com forças norueguesas e com fuzileiros neerlandeses, num cenário marcado por fiordes, relevo acidentado e condições meteorológicas extremas.

O tenente-coronel Chris Armstrong, comandante do 30.º Grupo de Exploração de Informação de Comandos, afirmou: “A Força de Comandos do Reino Unido está a elevar o seu grau de prontidão para combater ao lado dos nossos aliados no Alto Norte.” Acrescentou ainda: “Enquanto especialistas da NATO em operações de tempo frio, estamos implacavelmente focados no ensaio de missões com os nossos parceiros mais próximos”, concluindo que, ao combinar informações, táticas de comandos e tecnologia avançada, as forças britânicas continuam preparadas para operações futuras.

Modernização e perspetiva estratégica no Ártico

A modernização da Força de Comandos do Reino Unido decorre há seis anos e inclui o desenvolvimento de sistemas de designação de alvos apoiados por inteligência artificial, fogos multidomínio e veículos de superfície não tripulados (USV), a par do reforço de alianças estratégicas dentro da NATO. Segundo fontes britânicas, a execução integral dos planos que resultam do Acordo da Casa de Lunna pretende conferir à Aliança uma vantagem qualitativa no Ártico.

Em simultâneo, a Força de Helicópteros de Comandos, baseada em Yeovilton, desloca meios para a base da Força Aérea Real Norueguesa em Bardufoss no âmbito da Operação Mecanismo de Relógio. Aí, helicópteros Wildcat e Merlin realizam o treino anual em condições de frio extremo. Esta base aérea fica a cerca de 32 km a oeste do Campo Viking - uma distância que por estrada pode demorar mais de uma hora, mas que por via aérea se faz em poucos minutos.

Continuidade da presença britânica e parceria de longo prazo

O alargamento da presença britânica na Noruega insere-se numa tendência sustentada. Já em fevereiro de 2022, os Fuzileiros Reais foram destacados para o Ártico para se prepararem para exercícios de grande escala ao lado de aliados da NATO. Na altura, o Ministério da Defesa do Reino Unido sublinhou que “em cada inverno, a próxima geração de Fuzileiros Reais segue para norte para treinar sobrevivência, mobilidade e combate ao longo das costas escarpadas e das montanhas implacáveis do norte da Noruega”, reforçando o compromisso do Reino Unido com a segurança regional.

Deste modo, os acordos bilaterais entre Londres e Oslo consolidam uma parceria militar de longo prazo que combina destacamento permanente, interoperabilidade naval e treino conjunto, reforçando a postura defensiva da NATO no Ártico europeu.

Imagens com origem no Ministério da Defesa do Reino Unido.

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