A Força Aérea Portuguesa (FAP) lançou, em Dezembro, um concurso público com o objectivo de reforçar a sua frota de helicópteros Sikorsky UH-60 Black Hawk. Em causa está a possível aquisição de quatro novas unidades, que deverão chegar modernizadas e configuradas especificamente para missões de evacuação médica e transporte em situações de emergência.
De acordo com o documento oficial divulgado em Lisboa, os potenciais concorrentes têm até início da próxima semana para apresentar propostas. O Estado português admite um investimento na ordem dos 32 milhões de euros para este negócio.
Reforço da frota de Sikorsky UH-60 Black Hawk da Força Aérea Portuguesa
Caso esta compra se concretize, a FAP passará a complementar a frota já contratada de nove helicópteros da família Black Hawk, cuja aquisição contou com financiamento de apoio associado ao Mecanismo de Recuperação e Resiliência da União Europeia (UE).
Em termos concretos, essa frota previamente encomendada divide-se em dois blocos: - Seis UH-60A modernizados, adquiridos em 2022 à empresa United Aero Group; - Três UH-60L também remanufacturados, encomendados à Ace Aeronautics durante 2024.
Entrega em Ovar e operação pela Esquadra 551 “Panteras”
Relativamente ao grupo mais recente (os três UH-60L), importa recordar que a Força Aérea já recebeu o primeiro helicóptero em Outubro do ano passado. A aeronave chegou à Base Aérea N.º 8, em Ovar, passando a operar sob a alçada da Esquadra 551, conhecida como as “Panteras”.
Sendo uma variante “Lima” remanufacturada, este UH-60L foi entregue com motores novos e uma caixa de transmissão nova, com o propósito de prolongar a vida útil da plataforma. Entre as melhorias e capacidades destacadas, contam-se: - capacidade para transportar até mais 680 kg de carga útil face a variantes anteriores; - esse valor passa para 450 kg quando se trata de carga suspensa; - integração de novos radares meteorológicos, mais eficazes em condições atmosféricas adversas; - para missões de busca e salvamento, instalação de um guincho externo.
Capacidades para combate a incêndios e transporte de equipas
Na mesma linha, é relevante sublinhar que estes helicópteros foram adquiridos com especial enfoque em missões de combate a incêndios. Uma parte importante do seu valor operacional reside no facto de disporem de capacidade e configuração adequadas para transportar até 2.950 litros de água, bem como um sistema de largada eficaz para actuação em ambientes rurais.
Além disso, os Black Hawk podem transportar até 12 pessoas, o que facilita a mobilização de equipas de resgate e de apoio no terreno em situações de emergência.
Evacuação médica: configuração, integração e prontidão operacional
No âmbito do concurso agora lançado, a intenção de receber helicópteros “especialmente configurados” para evacuação médica sugere uma aposta clara na resposta a incidentes com múltiplas vítimas e no transporte rápido entre o local da ocorrência e unidades hospitalares. Em termos práticos, este tipo de configuração tende a privilegiar a integração de equipamentos e arranjos internos compatíveis com macas, estabilização de doentes e assistência em voo, reforçando a utilidade do UH-60 Black Hawk enquanto plataforma de transporte em emergência.
A concretização desta capacidade implica também um esforço de treino, padronização de procedimentos e preparação logística - desde a disponibilidade de equipas e material até à coordenação com entidades civis. Ao acrescentar aeronaves modernizadas orientadas para evacuação médica, a Força Aérea ganha margem para aumentar a prontidão e a flexibilidade, sobretudo em cenários de difícil acesso e em missões que exijam rapidez de reacção.
Objectivo: colmatar uma lacuna após a cedência dos Kamov Ka-32 à Ucrânia
Por fim, estas aquisições de novos helicópteros procuram responder a uma lacuna de capacidade que se verificou na Força Aérea Portuguesa após o envio dos seus helicópteros Kamov Ka-32, de origem russa, para as Forças Armadas da Ucrânia, no quadro de um pacote de assistência militar. Recorde-se que esta intenção já estava assumida desde 2022.
Tal como foi noticiado em Setembro de 2024, Lisboa concluiu a entrega de seis unidades. Uma delas seguiu em condição não aeronavegável, devido a ter sofrido um acidente grave.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
Poderá também interessar-lhe: A Força Aérea Portuguesa recebeu o quarto e último avião de transporte C-130H-30 Hercules modernizado pela OGMA.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário