A Índia está sob pressão para acelerar a compra de novas aeronaves de combate que lhe permitam constituir mais esquadrões de caças. Actualmente, a Força Aérea opera apenas 29 esquadrões, um número abaixo dos 42 definidos pelos seus requisitos estratégicos, situação agravada pelo recente abate de fileira dos já obsoletos MiG-21.
Neste contexto, a introdução de mais Rafale serviria para robustecer o inventário existente de Su-30MKI. Em paralelo, o país aguarda a entrega de 180 aeronaves LCA Tejas Mk.1A, encomendadas a fabricantes nacionais. Mais adiante, a Índia segue também o caminho para a obtenção do AMCA, um aparelho de quinta geração igualmente assente em desenvolvimento doméstico.
Acordo Índia–França para 114 Rafale: investimento e calendário
Com o objectivo de concretizar a aquisição de 114 novos caças Rafale para reforçar as suas frotas, Nova Deli está a finalizar com a França os detalhes para fechar ainda este ano um entendimento definitivo. As informações divulgadas na Índia apontam para um investimento superior a 325 mil milhões de rupias, integrando cláusulas que visam garantir participação do complexo militar-industrial local no fornecimento de componentes.
Segundo responsáveis em Nova Deli citados pelos media nacionais, o pacote poderá incluir entre 12 e 18 aeronaves prontas a operar, o que permitiria acelerar a entrada ao serviço e reduzir o tempo até à integração plena na Força Aérea.
“Made in India” e integração local de armamento e sensores nos Rafale
Os mesmos relatos na Índia mencionam ainda a possibilidade de o Ministério da Defesa procurar impulsionar a integração, nos Rafale, de armamento e sensores desenvolvidos localmente. Para tal, seria indispensável a autorização de França enquanto fornecedor, uma vez que apenas esta detém os códigos-fonte necessários à integração profunda de determinados sistemas.
Caso este ponto seja alcançado, Nova Deli ficaria mais próxima de cumprir a política “Made in India”, que tende a promover processos com 50% a 60% de componentes nacionais, acima do patamar de 30% referido como referência atingida até ao momento.
Dassault, Hyderabad e o centro de manutenção dos motores M-88
Em paralelo às negociações, importa sublinhar que a francesa Dassault já tornou públicos planos para instalar em território indiano - concretamente em Hyderabad - um centro de manutenção dedicado aos motores M-88 que equipam o Rafale. Este ponto é frequentemente visto como um factor que reforça a candidatura do caça no processo de selecção, ao melhorar a sustentabilidade logística e a autonomia de suporte em operação.
A empresa terá, entretanto, constituído uma entidade para executar esta actividade, e existe indicação de que outros intervenientes industriais indianos poderão participar no projecto, com destaque para o grupo Tata.
Impacto industrial adicional: cadeia de fornecimento, qualificação e autonomia
Para lá da percentagem de componentes, um acordo desta dimensão tende a ter efeitos na qualificação de fornecedores, certificação de processos e maturidade da cadeia de abastecimento local. A criação de capacidade de manutenção para o M-88 e o envolvimento de parceiros industriais podem ainda encurtar prazos de indisponibilidade, melhorar a taxa de prontidão e reduzir dependências externas em fases críticas do ciclo de vida.
Do ponto de vista operacional, a expansão de uma frota de Rafale implica também trabalho adicional em infra-estruturas, formação de equipas técnicas, gestão de sobressalentes e harmonização de procedimentos, de forma a garantir que a incorporação de novos aparelhos se traduz efectivamente em mais esquadrões com disponibilidade real.
Frota existente, encomendas da Marinha e potencial total de 176 Rafale
A posição do Rafale é igualmente favorecida pelo facto de a Índia já operar este modelo. A Força Aérea dispõe de 36 aeronaves e a Marinha já encomendou mais 26, destinadas a equipar os porta-aviões INS Vikrant e INS Vikramaditya.
Se a compra das 114 unidades adicionais avançar, a Índia poderá terminar o processo com uma frota total de 176 Rafale, o que a colocaria entre os principais utilizadores mundiais desta plataforma.
A decisão final caberá ao Comité de Segurança do Gabinete.
Imagens utilizadas apenas a título ilustrativo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário